Inflação: A Revanche

2 de outubro de 2015

A Yellen levou um susto no metrô

Hoje pela manhã, quando os dados de emprego foram publicados, é provável que a Yellen estivesse no metrô, dirigindo-se ao FED, e ao consultar seu Iphone ficou chocada. Inicialmente pensou que poderia ter um erro, mas não tinha.

Eu havia comentado ontem que a publicação dos dados de emprego nos USA poderia gerar uma certa surpresa. E foi o que aconteceu, o resultado foi ruim em todos os sentidos, vejamos os detalhes: O número de vagas criadas foi de 142.000 muito abaixo de qualquer previsão dos 96 analistas consultados; As revisões dos meses anteriores também foram reduzidas de um total de 173.000 para 136.000.
Como é visível no gráfico, a criação de novas vagas em 2015, cuja média é de 198.000 por mês, é sensivelmente inferior a de 2014, cuja média foi de 260.000. O pior é que vem decrescendo desde o pico atingido no final de 2014.

A taxa de desemprego ficou estável em 5,1% e os salários também, com uma variação de 0,0%, quando se esperava uma alta de 0,2%. A média anual retornou para 2% a.a. Além disso, as horas trabalhadas declinaram de 34.6 para 34.5. É importante notar que o FED baseia sua expectativa de normalização dos níveis de inflação pela alta de salários.
E para temperar a discussão sobre a aceitação de refugiados nos USA, onde Donad Trump, o candidato que vem falando o que muitos gostariam de falar, veja a seguir que as oportunidades de emprego tem surgido, quando surgem, mais para os estrangeiros que para os americanos.

Se tudo isso já não fosse o suficiente, a projeção do PIB pelo FED de Atlanta levou um tombo recentemente, apontando abaixo de 1% a.a., e esses dados de hoje nem foram ainda computados.
Como não poderia ser diferente, o mercado jogou a maior probabilidade de uma elevação de juros pelo FED, de dezembro para março. Propositalmente, deixei de apontar o ano, assim tenho tempo de ir "ajustando"! Hahaha...

As primeiras reações dos investidores foram de decepção, com queda das bolsas, do dólar e dos juros. Mas com o desenrolar das negociações, a bolsa ensaia uma recuperação, afinal devem estar pensando que a folia do "sem juros" continua.

A grande maioria dos membros do FED, vêm comentando ultimamente que a subida dos juros era uma certeza que aconteceria no final de 2015. Estavam muito tranquilos na área de emprego, e a única preocupação era a inflação. Cada um deles argumentou que as inflações baixas eram causadas pela queda do preço das commodities, mas que esse efeito era temporário. Agora, depois destes dados, seu fim de semana não será tranquilo.

No post sentindo-no-bolso, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos americanos: ...Eu poderia muito bem ter embarcado na onda de alta de juros e proposto um trade naquele momento, afinal, eu esperava que o FED subisse os juros. Mas os dados técnicos não se apresentavam tão favoráveis... ...Voltando ao mercado de juros, continuo sem uma posição definida. Pode: reverter e subir, nesse caso 2,40% é importante; ou continuar a queda, e nesse caso 1,95% é importante. Não tenho opinião e não arrisco dinheiro em "palpites"...
Vejam onde estão os juros agora - 1,95% a.a., nível que citei acima como importante. Vocês poderiam concluir que: ou o Mosca tem muita sorte e "chutou" certo; ou o mercado inteiro de juros está lendo o Mosca; ou análise técnica tem o seu valor.

Como eu sei a resposta, continuo com a mesma posição que tinha antes. Porém, se nos próximos dias os juros romperem este nível para baixo, aumentam a chance de atingirem níveis históricos de baixa, ou seja, abaixo de 1,63% a.a. Dependendo, posso sugerir um trade em breve.

O SP500 fechou a 1.951, com alta de 1,43%; o USDBRL a R$ 3,9364, com baixa de 1,82%; o EURUSD a 1,1208, com alta de 0,13%; e o ouro a US$ 1.137, com alta de 2,15%.
Fique ligado!

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