Inflação: A Revanche

8 de outubro de 2015

Si es PT yo soy contra!

Todos já devem ter jogado, alguma vez, o jogo War. É verdade que antes do advento do Whatsapp, Facebook e centenas de jogos disponíveis on line, as pessoas costumavam se encontrar para jogar. Sem entrar no mérito se era melhor ou pior antes, agora é assim, e pronto. Nos objetivos sorteados ao início do jogo, eu considerava dois como os mais difíceis, a conquista de vinte e quatro territórios ou a destruição de determinado exército. O primeiro por não ter uma definição específica, podia ser qualquer território, tende-se a ficar com os "restos", e dependiam dos objetivos dos outros; e o segundo, porque depois de algumas jogadas ficava claro para os outros competidores seu objetivo.

Ao ver a situação do governo nestes últimos meses, fiquei na dúvida se está mais parecido como uma das séries atuais, com vários capítulos e temporadas ou ao jogo de War, escolhi esse último. Fazendo um paralelo, diria que o PT puxou a cartela de conquistar 24 territórios e o PMDB destruir o exercito vermelho, ou melhor, o PT!

Em relação ao jogo em si, existem duas diferenças sutis, primeiro que não é só o PMDB que quer destruir o exército vermelho, são quase todos os outros partidos; e segundo que ninguém puxou a carta com o objetivo de destruir o PMDB.

Todos os dias temos conhecimento de novas derrotas do governo, em varias frentes. No Congresso quase nada passa. O motivo é que a fragilidade é tão grande que qualquer um que se sinta prejudicado, vota contra, não existe medo de retaliação, ontem foi no TCU. Depois da desastrosa estratégia de tentar barrar o relator, perdeu por unanimidade. Será que esqueceram de avisar a Presidente, que buscou desqualificar uma peça importante num grupo que preza a união da classe?

O momento atual poderia ser encarado como um governo sem força nenhuma, e seus opositores sentem que podem revindicar todos seus desejos sem o menor constrangimento, pois não haverá força contrária. É como diz aquela famosa frase adaptada "Si es gobierno PT, yo soy contra".

A cada dia que passa, ao jogar os dados, o governo perde um exército aqui, outro lá. Mesmo quando seus dados são altos, 6 e 5, seus competidores tiram 6 e 6. E assim, vão ficando sem exércitos. O final do jogo já está desenhado, é uma questão de quantas rodadas ainda aguentam, até perder todos os exércitos.

Embora no front interno esteja difícil vislumbrar como tudo isso vai terminar, é importante que se destaque, que o balanço de pagamentos vem melhorando consideravelmente. Com uma queda esperada de aproximadamente US$ 30 bilhões do pico atingido no passado - este é um assunto que ficará para outro post.

No front externo uma empresa de consultoria muito respeitada, Gavekal, vislumbra um cenário positivo daqui em diante. Os seus argumentos baseiam-se nos pontos que mencionei no post: a-busca-de-novos-clientes: ...A oscilação do Yuan frente ao dólar voltou aos padrões Chineses, quase parados. Serão importantes as informações relativas ao mês de setembro e outubro, a fim de sabermos se, a moeda ficou estável porque as saídas mitigaram, ou porque o BC Chinês está vendendo dólares para conter a cotação...

Está noite a China publicou que suas reservas tiveram uma queda de US$ 43 bilhões em setembro, comparados com um consenso de US$ 57 bilhões e um recorde em agosto de US$ 94 bilhões. Considerando que no início de setembro se observou quedas em vários mercados Asiáticos, as saídas de reservas depois dessa semana, devem ter sido baixas.

Esse resultado não é o único que justifica o seu otimismo. O que eles enfatizam é que o mundo estava tão preocupado com outros problemas, que as boas notícias passaram desapercebidas:
  • Um crescimento sólido, mesmo que não espetacular dos USA, com crescimento de emprego e receitas não oriundas do estímulo monetário.
  • O Super Mário implementou um programa enorme de injeção de liquidez, que efetivamente garantiu a eurozona contra problemas fiscais e bancários pelos próximos dois anos.
  • US$ 2 trilhões de redistribuição para os consumidores pela queda do preço do petróleo.
  • O programa implementado pelo Japão que projeta uma expansão continuada na terceira economia mundial.
  • A inesperada vitória do Partido Conservador na Inglaterra - a quinta maior economia do mundo.
Estamos todos na torcida, pois caso eles estejam corretos, seria muito bom para o Brasil também.

Na próxima semana não vou postar, a não ser que algo de muito importante aconteça. O Mosca retorna normalmente no dia 19/10. Assim, vou repassar tecnicamente os quatro mercados que cubro com maior frequência. Hoje será o SP500 e amanhã os outros três.

No post o-fed-esta-na-contra-mão, comentei sobre as perspectivas no curto prazo: ...dois níveis do SP500 que mereciam especial atenção: o que indicaria alta da bolsa 2.020 e baixa 1.865... No final de setembro, a bolsa ameaçou romper o nível inferior, mas logo em seguida uma recuperação no início do mês, colocou o SP500 próximo ao nível superior.
Reitero as mesmas recomendações passadas, enquanto não houver uma ruptura para cima ou para baixo, este intervalo é de indefinição. Estas situações existem diariamente, vários mercados devem estar com movimentos que indicam indefinição como essa. Porém, no caso do SP500 é um pouco diferente, pois no caso de uma ruptura para baixo, a queda pode ser mais expressiva, como comentei no post mencionado acima: ...Como pode-se verificar no gráfico abaixo, se o SP500 cair abaixo dos 1.860, a linha azul construída desde a queda de 2008 será violada. O que pode acontecer depois? Vários cenários são possíveis, um menos profundo seria o de quedas até 1.750 ou 1.650, o que já ocasionaria uma boa retração do nível máximo atingido de 2.080 - 15% a 20%. Mas pode não parar por aí...
Estarei acompanhando e caso aconteça uma definição mais conclusiva. Enquanto isso o mercado está como na foto abaixo.
O SP500 fechou a 2.103, com alta de 0,88%; o USDBRL a R$ 3,7832, com baixa de 2,73%; o EURUSD a 1,1276, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.138, com queda de 0,62%.
Fique ligado!

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