Inflação: A Revanche

23 de outubro de 2015

Vaidade ou necessidade?

Quanto mais tempo se vive, mais entendemos as características dos seres humanos. Por exemplo, outro dia li uma estatística que identifica uma alta incidência de psicopatas como políticos. No Wikipédia este comportamento humano é assim definido :  ..."é a designação atribuída para um indivíduo com um padrão comportamental e/ou traço de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela pertença de uma atitude de dominância desmedida."(destaque meus).


Por exemplo, vejam o caso do Presidente do Congresso que nega veementemente documentos que contém sua assinatura. Imagino que o comportamento de qualquer outra pessoa em situação semelhante seria muito diferente da dele.

Outro conceito em psicologia que pode-se identificar em pessoas de sucesso é o narcismo, cuja definição é o amor de um individuo por si próprio ou por sua imagem...”Um indivíduo com Transtorno da Personalidade Narcisista se acredita superior, especial ou único e espera ser reconhecido pelos outros como tal"... ... "Os indivíduos com este transtorno geralmente exigem admiração excessiva"”...

- David, espere um pouco, o seu blog mudou de acertar na Mosca para acertar na Psique? Hahaha...
Está bem, entendi o recado! A introdução de hoje é para comentar sobre as colocações feitas pelo "Super Mário" ontem. No post psicologia-sobre-o-futuro, fiz os seguintes comentários: ..."restaria ao super Mário diminuir ainda mais os juros do euro, para que o dólar subisse. Mas quanto mais pode ele diminuir?"...

Parece que ele leu o Mosca e reagiu de uma forma inesperada pelo mercado, abrindo a porta para novos estímulos. Leia-se como novos helicópteros "turbinados". Veja suas declarações: ...“It was not a wait-and-see, but it was a work-and-assess,”… …”“We are ready to act if needed, we are open to a whole menu of monetary policy instruments.”… E não terminou por aí, ainda definiu que o grau de acomodação na política monetária terá que ser reexaminada na próxima reunião de dezembro, o que surpreendeu os analistas, uma vez que, é muito difícil uma autoridade monetária se comprometer com uma data.

Acho que não daria para ser mais explícito, pois as suas palavras poderiam ser substituídas por: venda euro que eu garanto. E foi o que aconteceu, a moeda única levou um tombo de 2% ontem e continua a cair hoje, os juros dos títulos governamentais europeus de alguns países do Club Med, romperam a barreira do 0%, para se tornarem negativas.
Mas será que era necessária tal ação? Como os números vêm apontando, a Europa melhorou a atividade econômica muito mais do que seria esperado, é verdade que, nos últimos meses houve uma pequena desaceleração, mas quem não desacelerou? Em termos de nível de inflação, é um problema geral no mundo atual, todas beirando o 0%, lógico que não é o caso do Brasil! Outra hipótese é que ele estaria enxergando algo que o mercado não está. Se é este o caso, o FED estaria na maior contra mão da história, ao subir os juros.

Resta a última hipótese, que ele estava muito abandonado nesses últimos meses e precisava criar um fato para voltar os holofotes sobre si. O cargo de Presidente de um banco central propicia um poder enorme para quem exerce, quase como quem joga poker sem limite de fichas, situação essa, ideal para indivíduos com atitudes narcisistas.

Tenho a impressão que passados oito anos da recessão, os bancos centrais dos países desenvolvidos perderam o receio que a emissão de moeda poderia gerar problemas inflacionários. A cada vez que um aumenta seu programa, depois de um tempo é seguido por outro, a fim de evitar que a economia daquele país se desacelere. Entretanto, o problema foi o excesso de dívida acumulado nestas últimas décadas, e onde o incentivo a aumentar o consumo através de novos créditos, não está funcionando. O que acaba acontecendo é a valorização dos ativos de forma artificial.

Aquele famoso ditado: "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura", pode ser o final dessa farra monetária implementada pelos BC's ao redor do mundo, até que um processo inflacionário surgir com consequências dramáticas. Ah, antes que eu me esqueça, a China anunciou uma diminuição dos juros em 0,25%, depois do fechamento do seu mercado. 

No post psicologia-sobre-o-futuro, comentei que o euro estava sem "graça" e aventei a hipótese de se comprar quando atingisse a linha cinza inferior, apontada no gráfico. Porém sempre deixei claro que estávamos operando uma correção, pois uma nova queda abaixo do mínimo alcançado em março deste ano, era esperada o-mercado-desafia-o-fed ...a correção que eu esperava até 1,18, pode ser abortada e abre novamente a possibilidade do euro voltar a cair abaixo das mínimas de 1,045. Meu comentário visa prepará-los para qualquer cenário, e não ficarem imaginando que tenho alguma predileção pelo cenário de alta. Como sempre frisei, a ideia é que o euro ainda está em queda e teríamos uma chance de pegar uma carona na alta...
A linha cinza mencionada acima, foi rompida e não me aventuro a fazer uma compra especulativa agora. Do ponto de vista técnico, a opção de alta que eu estava esperando ainda existe, com menos chance é claro. O que aconteceu de diferente é que a possibilidade de queda abaixo de 1,045 pode estar acontecendo. Como tática, vou aguardar os próximos dias e verificar se o euro rompe o nível apontado no gráfico como importante, e aí sim nos aventuramos na venda. 

Vou aproveitar para colocar mais uma característica das correções, além de não se saber como será sua evolução, também não se sabe quando ela termina, e é esta a dúvida que existe no euro neste momento. Vender euro hoje é como "bater pênalti sem goleiro", como diria um ex-sócio. mas eu acrescento uma dúvida, depende de quem está batendo pode chutar na arquibancada, que neste caso seria uma surpresa na reunião do FED na próxima semana. Até lá, até meu cachorro marca o gol! Hahaha....

O SP500 fechou a 2.075, com alta de 1,10%; o USDBRL a R$ 3,8972, com queda de 0,72%; o EURUSD a 1,1016, com queda de 0,98%; e o ouro a US$ 1.163, com queda de 0,15%.
Fique ligado!

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