Inflação: A Revanche

5 de outubro de 2015

O Mercado desafia o FED

Antes de entrar no assunto de hoje, vou complementar alguns detalhes sobre os dados de emprego publicados na sexta-feira. Todos os meses, junto com a publicação do número de vagas são
disponibilizadas as revisões dos meses anteriores. No gráfico a seguir, percebe-se uma característica que não se via desde a recessão de 2008, que são revisões negativas em praticamente todos os meses no ano de 2015. Isso por si só, não indica nada de importante, apenas que os dados publicados inicialmente estão superestimando o real número de vagas criadas. por outro lado, não deixa de ser negativo.

Em relação ao participation rate, que indica a proporção de pessoas que estão empregadas ou procurando empregos sobre o total da população, depois de permanecer estável por alguns meses, voltou a cair recentemente, com o índice atual igual aos de 1977.

O gráfico a seguir é sugestivo, o que pode justificar, de certa forma, os níveis apresentados acima, ao compará-lo ao número de americanos que vivem com benefícios fornecidos pelo governo, o que poderíamos chamar de "bag family". Sugiro que o Obama que leve todo PT para lá, para dar uma assessoria! Hahaha...
Outro dado em que o mercado aposta como um motor para o crescimento do PIB, os de bens de capital, vem registrando evolução negativa quando comparado ao ano anterior.
Mesmo não restando dúvidas que os dados publicados foram horríveis, não se deve deixar de considerar, que pode ser um evento único e já em outubro sera revertido. Isso já aconteceu inúmeras vezes no passado. Mas os mercados não estão pensando assim, de uma forma tão simplista.

Na época que Alan Greespan era Presidente do FED, os analistas diziam uma frase com muita frequência, cujo significado era "não desafie o FED". A razão principal foi que todas as vezes que, algo ameaçava a estabilidade, a autoridade americana agia no sentido de evitar que acontecesse - "The FED put". Mas parece que as coisas mudaram, depois de vários anos com experimentos novos implementados, sem que a a causa principal fosse eliminada, o mercado parece querer agora desafiá-los.


O quadro acima mostra claramente que, o que o mercado espera para os juros é muito diferente das previsões dos membros do FED. Por exemplo, enquanto a autoridade monetária projeta uma taxa de juros média de 3,375% a.a, para o final de 2018, o mercado aposta em 1,425% a.a.

Existe quatorze grandes motivos para contrapor essa discrepância, primeiro que o mercado coloca "na reta" enquanto para os outros, é só mudarem a previsão mais a frente, caso seja necessário. As outras treze razões nem interessam! Hahahaha...

Minha análise de mercado será sobre o euro, e para dizer a verdade, é mais para cumprir "tabela", pois desde a última publicação raspando-o-prato, não aconteceu nada, absolutamente nada! Naquele momento havia sugerido um trade que foi stopado alguns dias depois.
Depois disso, com todas as oscilações que ocorreram em outros mercados, a moeda única ficou num intervalo de oscilação máximo de 1%, como se estivesse alienada de todas as dúvidas. Meus comentários no post mencionado acima:  ...a correção que eu esperava até 1,18, pode ser abortada e abre novamente a possibilidade do euro voltar a cair abaixo das mínimas de 1,045. Meu comentário visa prepará-los para qualquer cenário, e não ficarem imaginando que tenho alguma predileção pelo cenário de alta. Como sempre frisei, a ideia é que o euro ainda está em queda e teríamos uma chance de pegar uma carona na alta... continuam perfeitamente válidas. O euro está numa correção longa e complexa, deixa ele!

O SP500 fechou a 1.987, com alta de 1,83%; o USDBRL a R$ 3,8999, com queda de 0,81%; o EURUSD a 1,1183, com queda de 0,23%; e o ouro a US$ 1.134, com queda de 0,25%.
Fique ligado!

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