Inflação: A Revanche

20 de outubro de 2015

Marte ou Vênus?

Os homens são de Marte e as mulheres de Vênus, é um livro de muito sucesso lançado faz alguns anos. O autor cria uma guia seguro para que um homem e uma mulher entendam as atitudes de cada um. Não preciso detalhar esse assunto, cada um de nós sabe que existem essas diferenças através de seu cotidiano.

Se eu fizer a seguinte pergunta aos homens e as mulheres: Por que você compraria ouro. Quais seriam suas respostas? É provável que as mulheres respondessem que é um bom investimento, seguro e portanto, você pode comprar a joia que ela tanto deseja. Já os homens seriam inclinados a responder que o metal tem histórico milenar como reserva de valor, e por essa característica, tem um comportamento distinto das outras commodities. Mas parece que isso mudou recentemente.

O preço do ouro, que normalmente oscila com ameaças políticas, econômicas e inflacionárias, estes dias se move com uma força diferente: o Federal Reserve.

Traders e analistas dizem que o papel do metal precioso como refúgio em tempos de turbulência tem diminuído recentemente, com os preços mais propensos a flutuar devido a mudança de expectativas sobre quando o FED irá elevar as taxas de juros.

Ouro subiu 5,2% neste mês, após um relatório ruim de empregos nos USA em setembro e encorajaram os investidores a apostar que não haverá aumento neste ano. Taxas de juros mais elevadas, quando ocorrem, comprometem a demanda futura por ouro, que não paga juros. Por isso torna-se menos competitivo em relação aos investimentos.

"O ouro está sendo negociado como um proxy para as expectativas de taxas de juros nos Estados Unidos", disse Kevin Norrish, analista de commodities do Barclays: ..."As pessoas têm olhado para o ouro e espera-se que reaja como um porto seguro, mas não tem acontecido"...

A mudança poderia afetar o valor do ouro, a longo prazo, se mais investidores tornam-se desiludido com o ouro como um refúgio e voltar-se para outras alternativas.

Historicamente, o ouro tem reagido à agitação política e financeira. Nas primeiras semanas de 1980, o ouro saltou mais de 60% logo após a União Soviética ter enviado tropas para o Afeganistão. O ouro subiu mais de 150% a partir de outubro de 2008 até setembro de 2011, na esteira da crise econômica no Ocidente e com os investidores apostando que a inflação iria subir devido a injeção de liquidez pelos bancos centrais nos mercados.

Mas neste mês de agosto, quando os temores sobre a saúde econômica da China provocou um colapso de 17% nos preços do petróleo e uma queda de 11% no índice de ações SP 500, o ouro ganhou apenas 5,9%, para depois cair. O padrão se repetiu ao longo de 2015, com eventos tais como o envolvimento da Rússia na guerra separatista na Ucrânia e na Síria, movendo os mercados de petróleo, mas quase não afetou o ouro.

Ultimamente, os preços do ouro acompanham de perto o mercado de curto prazo de títulos americanos. As expectativas de taxas de juros mais elevadas tendem a pesar sobre os preços do ouro, uma vez que, os dois geralmente se movem em direções opostas. Nas últimas semanas, a relação entre eles, medido por uma correlação histórica de 200 dias, atingiu o seu nível mais elevado nos 3 anos e meio.

Mas será que isso vai prevalecer para o futuro? Não acredito. O movimento inverso ao dos juros pode apontar uma correlação espúria, ou melhor, temporária, pois em situações que a inflação sobe de forma mais firme, induzindo o FED a elevar os juros, essa correlação tendera a ser positiva, uma vez que o ouro será visto como uma proteção contra a inflação. Mas essa possibilidade não está no radar de ninguém, ao contrário, o receio atual é de deflação.

Estes são os argumentos "masculinos", ou melhor, dos investidores. Agora se a razão para a compra for a "feminina", seja ela investidora ou não, sua argumentação fica reforçada, pois ao invés de ganhar juros zero, é melhor uma corrente de ouro! Hahaha...

Já que o assunto é ouro, vejamos o que os gráficos nos dizem. No post o-fed-mostra-as-cartas, fiz os seguintes comentários: ...O meu otimismo cauteloso é mostrado no gráfico acima, e é o movimento de hoje que confirma o rompimento da linha azul. Mantenha o mesmo stoploss a US$ 1.110, mas se por acaso o ouro for para o intervalo mencionado acima, US$ 1.170-1.180, pode subir o stop para US$ 1.130...
Depois de atingir a máxima de US$ 1.190 na semana passada, nestes últimos dias o ouro está num processo de consolidação. Caso ultrapasse novamente a marca acima, a grande batalha será no nível de US$ 1.230, onde cruza uma linha que barrou a alta do metal em três outras ocasiões - pontos em azul. 

Se as premissas citadas no comentário acima, de que o ouro tem uma correlação negativa com as taxas de juros americanas, poderia se esperar que o FED não suba os juros em 2015.

- David, você publicou no passado que o ouro estaria num ponto importante, e espera que suba bastante no futuro. O estudo acima induz que as taxas de juros precisam cair mais para isso acontecer, portanto, posso concluir que os juros americanos ficarão negativos?
Puxa, não me lembro de receber um comentário seu com uma argumentação tão racional! Se essa correlação permanecer assim, o que você disse está correto. Mas eu estou muito cético com correlações históricas, pois a história tem mostrado que essas se alteram em momentos de stress, jogando por água abaixo todos os modelos de alocação de ativos. 

Como eu sempre digo, a análise gráfica não funciona de forma inversa, ou seja, você observa os gráficos e tenta concluir o que deveria acontecer. Agindo assim é perigoso, pois caso não aconteça o que você imaginou, pode ser levado a concluir que o que sua análise está errada. Sugiro que se use a análise técnica sem uma opinião forte sobre o futuro, afinal ninguém sabe o que vai acontecer. 

O SP500 fechou a 2.030, com queda de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,9058, com alta de 0,55%; o EURUSD a 1,1344, com alta de 0,17%; e o ouro a US$ 1.175, com alta de 0,46%.
Fique ligado!

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