Inflação: A Revanche

28 de outubro de 2015

Não é igual do seu tempo

Quem é pai e nunca ouviu a frase de seu filho quando ele quer fazer algo que não concordamos: "Isso não é igual do seu tempo!". Não perca por esperar, um dia irá acontecer. Depois dos meus filhos terem crescido consigo entender melhor a razão dessa reação dos jovens. No meu ponto de vista, existem duas possibilidades, a primeira é que a razão dessa "revolta" é porque querem adquirir identidade própria, buscam "destruir" a imagem do pai, e a segunda é que é diferente mesmo.

Vou dedicar o post de hoje a mostrar algumas mudanças importantes que vem acontecendo na sociedade moderna, e que poderão ter impacto nos negócios e oportunidades futuras. Infelizmente as estatísticas são produzidas no exterior, não havendo pesquisas locais, entretanto podem ser úteis mesmo assim.

Os jovens americanos sempre foram muito independentes, é uma atitude cultural, uma vez que, nem sempre as Universidades estão localizados nos grandes centros. Por isso, já aos 18 anos, eles se deslocam para outras cidades a fim de obter um diploma universitário. Ao término buscam empregos que, normalmente implica em morar longe de sua família. Em 1999, apenas um quarto dos jovens americanos, moravam com seus pais. Em 2013 esse número dobrou, assim metade desses jovens estão sob mesmo teto que seus pais.

Um estudo efetuado por duas economistas, identifica os principais fatores para essa mudança: elevado nível de dívidas relacionada aos estudos, poucas oportunidades de trabalho e incerteza sobre o mercado imobiliário.

Em relação ao emprego a pesquisa revelou que ao se iniciar uma carreira, normalmente eles precisam de mais tempo na transição dentro do mercado de trabalho. Isto é refletido no nível mais elevado de desemprego na faixa etária entre 21 - 27 anos. Desta forma, eles começam a trabalhar em empregos de baixos salários e lentamente migram para as posições com melhores salários.

Já em relação ao mercado imobiliário, como são suas primeiras compras, eles não têm a possibilidade de se aproveitar da valorização dos imóveis, que ocorreu depois da crise de 2008, além do fato de carregarem elevadas dívidas estudantis. Estes fatores dificultam a obtenção de financiamentos.

Uma outra pesquisa feita pelo Bank of América, com jovens entre 25 - 34 anos identificou quais são suas principais prioridades:
  • 70% querem se livrar das dívidas.
  • 63% disseram que ter uma poupança emergencial é a principal prioridade.
  • 62% disseram que gastar menos do que ganham é sua prioridade.
Do ponto de vista de investimentos os resultados são mais surpreendentes.
  • 72% enxergam que investir não é uma maneira de que sua família atinja seus objetivos financeiros.
  • 50% concordaram que o que você ganha investindo não compensa o risco de perder dinheiro.
  • 67% concordaram que investir é como jogar.
  • 70% têm suas poupanças em investimentos de curtíssimo prazo.
Quando eu estava na Linear e conversava com os clientes para definir um portfólio que mais se adequava a suas caraterísticas, a idade era um fator fundamental. Se era uma pessoa jovem, eu sugeria maior risco. O motivo é que se desse errado teria mais tempo para recuperar. Ao contrário, se fosse mais velho, quase que obrigava a ativos mais conservadores. A pesquisa acima mostra o contrário, uma geração de jovens inseguros, com medo. 

Agora mais chocante é o que vem se popularizando entre as jovens inglesas do sexo feminino. Uma forma de enfrentar as dívidas estudantis, como reportado pelo canal sky news ..."thousands of British students are funding their way through university on so-called "Sugar Daddy" websites"... Elas estão conseguindo US$ 3.000 por mês com esses "arranjos", para pagar suas dívidas estudantis e viajar mais. Isso não seria uma prostituição disfarçada?

Embora, a proprietária do site seekarrangment.com tenha dito que é um site sem este intuito, uma entrevista feita com um suggar daddy de 62 anos, mostrou o contrário: ..."sexo é parte integral do site"...

Algum empresário do ramo da tecnologia poderia lançar o Sugar Mamy, afinal porque este "privilégio" somente para as jovens do sexo feminino?

Será que é esse o preço a se pagar para obter uma qualidade de estudo que permita ser competitivo no mercado de trabalho atual? Os preços das mensalidades destas Universidades extrapolaram as condições dos alunos? 

Como de costume, estou escrevendo o post pela manhã, e hoje tem reunião do FOMC. Dependendo do resultado posso incluir algumas linhas ao final. A análise hoje é sobre o ouro, do qual temos uma posição comprada em andamento. No último post marte-ou-vénus, fiz os seguintes comentários: ...Depois de atingir a máxima de US$ 1.190 na semana passada, nestes últimos dias o ouro está num processo de consolidação. Caso ultrapasse novamente a marca acima, a grande batalha será no nível de US$ 1.230...
O ouro hoje pela manhã estava se comportando diferente dos últimos dias, subindo US$ 13. Isso é , de certa forma, surpreendente, considerando que a tarde tem um evento importante, que poderia modificar esse rumo  - insiders? nem pensar! Não teria muito a acrescentar, uma vez que as flutuações de preços estão baixas. Entretanto caso o metal negocie acima de US$ 1.190, podem alterar o stop para US$ 1.155.

O FED anunciou que não vai alterar os juros, isso era mais do que esperado, porém informou que não está mais preocupado com os desenvolvimentos internacionais, leia-se deflação. Além disso, deixou explicitamente aberta, a porta para aumentar os juros em dezembro. Como esse comunicado pegou o mercado sem acreditar nestas possibilidades, alguns ativos reagiram imediatamente, especialmente o euro e o ouro, que acabou devolvendo a alta da amanhã e mais um pouco. Mantenha o mesmo stoploss de US$ 1.130.

O SP500 fechou a 2.090, com alta de 1,18%; o USDBRL a R$ 3,9058, com alta de 0,49%; o EURUSD a 1,0915, com queda de 1,20%; e o ouro a US$ 1.155, com queda de 1,00%.
Fique ligado!


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