Inflação: A Revanche

29 de outubro de 2015

"Look Well"

No post de ontem fiz um relato das mudanças que ocorrem com os jovens nos USA e também na Inglaterra. Os estudos apontaram como principais motivos a situação financeira a que esse grupo está sujeito atualmente. A dívida contraída para seus estudos, bem como as dificuldades no mercado de trabalho.

Hoje pela manhã recebi alguns dados que esclarecem esta situação. Ontem levantei a hipótese que os custos das Universidades seriam as causas do aumento dessas dívidas. Pelos dados a seguir, é plausível, uma vez que, desde 1971 os custos dobraram. Porém, neste mesmo período, a contratação de dívidas subiu aproximadamente 750%. Esses parâmetros nos levam a concluir, que o financiamento estudantil foi contraído para sustentar outras despesas que no passado não eram necessárias.

O mês de outubro não está sendo muito bom para os alemães, depois do escândalo da Volkswagen, o Deutsche Bank anunciou um corte de 35.000 funcionários. O motivo foi um prejuízo de 6 bilhões de euros, somente para os resultados do 3º trimestre. Para quem acompanha o Mosca desde o início não deve ser surpresa, pois no post está-na-hora-de-procurar-outra-vaca, fiz meus comentários do porque eu acreditava que o boom do setor financeiro estava fadado a terminar diminuindo as oportunidades de emprego.

Sobre a decisão do FED ontem, ao aventar a hipótese de elevar os juros em dezembro, o comitê criou uma obrigação perigosa. Se os dados a serem publicados de agora até a próxima reunião forem muito melhores, é quase certo que a alta virá. Agora, e se não vierem tão bons assim? Não subirão os juros e isso pode ser visto pelo mercado como uma mudança de estratégia. A decisão de manter os juros em setembro foi apresentada como uma mera postergação - o mercado estava em dúvida, assim foi prudente não agir. Não subir em dezembro, poderá ser visto como um indicador que a visão do FED sobre a economia mudou. Acho que teria sido melhor não ter dado essa orientação.

Hoje foi publicado o PIB do 3º trimestre americano e, embora os analistas estivessem esperando 2% a.a., o resultado foi de 1,5% a.a. Já, numa comparação em bases anuais, chega-se a 2% a.a., um nível muito inferior ao que se espera.
Como a ilustração acima aponta, o consumo foi bem, cresceu 3,2%, e os investimentos residenciais 6,1%, o que consolida uma boa demanda doméstica. Já os investimentos não residenciais tiveram uma leve queda de 0,11%, e a balança comercial também subtraiu uma pequena porção do crescimento, contestando a teoria que o dólar forte é um dos problemas da indústria americana.

Mas qual foi o vilão que puxou para baixo?

Quando alguém começa uma frase com as palavras "veja bem", já se sabe que vem uma explicação para algo que não saiu como o esperado. Sugiro uma tradução literal para o inglês. Look Well, o que causou a queda de 1,44% foram os estoques, que tinham se elevado muito no trimestre anterior. Assim, não é tão grave, uma vez que esse fenômeno  não deve ocorrer daqui em diante.

Não sei se é bem o caso, pois no gráfico a seguir pode-se observar a evolução dos estoques nos últimos anos, e os níveis atuais não são necessariamente baixos. Nem estou mencionando os anos após a recessão de 2008. Assim, é melhor incorporar esse termo - Look Well, para ser usado no futuro.

No post chineses-copiam-know-how-brasileiro, comentei que se o SP500 ultrapassasse 2.020, as perspectivas para a bolsa serão de alta:...dois níveis do SP500 que mereciam especial atenção: o que indicaria alta da bolsa 2.020 e baixa 1.865... ...Reitero as mesmas recomendações passadas, enquanto não houver uma ruptura para cima ou para baixo, este intervalo é de indefinição... 
- David, agora você embarca numa compra?
Sabia que você viria com essa cobrança. Usando meu novo repertório, Look Well! Hahahaha... 

Tecnicamente, precisa esperar o rompimento de 2.135 - Pivô. Não deverá ser fácil, é uma região que encontrou resistência forte, como aconteceu durante esse ano. Mas se romper, e não for "falso", vamos às compras. Enquanto isso, o que anotei em roxo pode ser uma possibilidade, a do índice estar completando uma maldita onda B. O momento seria propício, no sábado comemora-se Halloween, pode ser efeito da bruxa! Hahahaha...

O SP500 fechou a 2.089, sem variação; o USDBRL a R$ 3,8494, com queda de 1,5%; o EURUSD a 1,0976, com alta de 0,56; e o ouro a US$ 1.145, com queda de 0,89%.
Fique ligado! 

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