Inflação: A Revanche

31 de maio de 2017

A última bala


Tenho que confessar, a situação política parece calam demais. Com um Presidente que está se segurando a todo custo na sua cadeira, fico pensando quanto tempo isso pode durar. Hoje saiu uma pesquisa apontando que 80% da população o considera desonesto, além de seu índice de rejeição barrar nos 70%, como pode estar tudo calmo.

Se ele quer ficar a todo custo existiria uma outra maneira dele sair da presidência? A resposta é sim: através do TSE, ou mesmo um processo de impeachment. No primeiro caso, caberia uma série de recursos caso a chapa Dilma – Temer seja cassada, além de ser difícil imaginar o TSE derrubando um Presidente; já no segundo caso, Rodrigo Maia, Presidente da Câmera dos deputados é seu aliado. Se para tirar a Dilma, onde naquele momento Eduardo Cunha tinha todo interesse em tira-la, demorou vários meses, imagino na situação atual.

É verdade que existe uma outra forma que vislumbraria sua saída, um clamor incontestável das ruas. Mas será que isso vai acontecer?

Se o país estivesse no piloto automático poderíamos até imaginar 1 ½ de letargia, mas com uma recuperação econômica incipiente e uma dívida pública crescendo de forma exponencial, as reformas são primordiais.

O governo de forma ingênua declarou que ou a reforma da Previdência passa ou o país vai quebrar. Isso aconteceu em outro momento e agora não dá para voltar atrás. Se for feito uma pesquisa com os investidores, 100% responderá que sem reforma o país vai para o buraco. Essa questão passa a ser booleana, se passar tudo bem, senão sai da frente.

Vamos imaginar que Temer continue como poderíamos ficar tranquilos? Novamente de forma desesperada, o governo revelou um plano B. Se a reforma não passar no Congresso poderia editar uma Medida Provisória que teria o efeito de jogar a decisão definitiva para 2021, mantendo até lá os níveis atuais de déficit. Digo que foi desesperada pois se era sua carta na manga, não era o momento de mostrar. Sendo assim, não imagino porque algum deputado votaria a favor da reforma.

A estratégia de Temer é perigosa, mas receber o Joseley em sua casa sem que passasse por um detector de metais também foi. O que poderia estar a seu lado? A melhora da economia, que já começa a dar sinais nesse sentido. Por exemplo, hoje foram publicados os dados de emprego, onde se nota uma possível mudança de direção. O gráfico a seguir nota-se a queda no Pessoal desocupado de 14,2 milhões para 14, 0 milhões.


Mas não dá para soltar rojões pois a taxa de desocupação (razão entre o número de pessoas desocupadas – que busca ocupação e não encontram – e o número de pessoas na força de trabalho) atingiu 13,6%, levemente abaixo do trimestre anterior (13,7%). As projeções indicam que a piora do mercado de trabalho encontrará o fundo do poço neste trimestre, começando a melhorar na segunda metade do ano.


Outro fator que terá impacto na economia é a queda de juros. Hoje o COPOM se reúne para baixar mais 100 pontos a taxa SELIC, pelo menos é o que o mercado espera. Quero deixar registrado que eu eu imaginaria ser possível uma queda de 125 pontos. Os meus motivos são os seguintes:

1)      Não existe inflação atualmente na economia: Uma análise semanal nos vários itens que compõem o índice, nota-se variações positivas diminutas, contraposto por quedas um pouco maiores. O IGPM está em deflação nos últimos dois meses e é bem provável que o IPCA também será negativo em junho.

2)      Atividade econômica ainda muito fraca.



3)      O mercado encararia de forma muito positiva o movimento. O banco central daria um sinal inequívoco que os fundamentos econômicos estão sólidos se sobrepondo aos problemas políticos.

Independentemente do que o BC fizer hoje, é esperado que a taxa SELIC se estabilize ao redor de 8% a 8,5%. Antes do evento JBS falava-se em 7% a 7,5%. Mesmo nesse novo nível esperado, vai gerar um alívio financeiro enorme para as empresas, além de ‘empurrar’ os investidores para os ativos de risco.

A última bala no gatilho do Temer é a economia. Mas não só dele, também dos candidatos pró governo como o PSDB. Agora, se por algum motivo ele não permanecer na Presidência, quem teria interesse de pegar esse abacaxi por tão pouco tempo? Só me vem um candidato a mente: Lula, faz qualquer coisa para sair da mira da lava jato.

No post fora-jbs, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” sugiro a compra do SP500 da seguinte forma: ½ a 2.340 e ½ a 2.325, com um stoploss a 2.295. Minha proposta contempla um risco de 1,6% para buscar o nível mínimo de 2.450, que resultaria num ganho de 5%” ...

Mas não aconteceu essa oportunidade, uma vez que, o mercado subiu desse dia em diante, rompendo a barreira dos 2.400. Desta forma, esse trade foi cancelado. Esse mercado vem mostrando alguns sinais de cansaço. Isso por si só, não é suficiente para que se tome uma posição, que nesse caso seria a de venda, mas é importante para quem tem posições compradas. Se esse é o seu caso, sugiro ir apertando os stoploss de forma sistemática.


Ainda acredito que o nível de 2.450 será atingido. Daí em diante mais cautela ainda. Para quem tem posição poderá adotar uma das seguintes decisões: a) vender tudo e observar; b) manter e subir o stop; c) qualquer situação intermediária, vendendo parte da posição e mantendo o restante. Não tem uma regra melhor, só se sabe ex-posti.

Sobre o mercado acionário gostaria de acrescentar uma ilustração bastante interessante. Abaixo encontra-se a evolução do SP500 e do SP500 sem as principais ações da área de tecnologia (Apple, Facebook, Amazon, Microsoft e Google). Essas ações, na proporção do SP500, foram responsáveis por metade da performance enquanto todas as outras 495 empresas pela outra metade (aproximadamente). Conclusão: O melhor teria sido comparar a carteira FANG – inicias das empresas de tecnologia – e pronto. Incrível!

O SP500 fechou a 2.411, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2357, com queda de 0,67%; o EURUSD a 1,1231, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.268, com alat de 0,45%.

Fique ligado!

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