Inflação: A Revanche

9 de maio de 2017

Cuidado para não queimar a língua


No post tropa-de-elite-3, comentei sobre a baixa volatilidade que reina nos mercados financeiros, também frisei os motivos levantados pelo Deutsche Bank. Como a cada dia os recordes se sucedem resolvi parar de ouvir as justificativas dos analistas e considerar o que o mercado está nos dizendo.

Ontem o nível do VIX, índice que mede a volatilidade da bolsa americana, fechou abaixo de 10%. Vou me deter um pouco neste conceito, pois acredito que os leitores possam ter dúvidas do que ele representa. Por exemplo, se esse indicador está em 10%, é esperado que a bolsa americana oscile entre a alta e a baixa dentro desse intervalo com 68% de probabilidade, no período de um ano. Para calcular em bases mensais divide-se 10 pela √12, resultando em 2,88%. Assim, a bolsa deveria ficar nesse intervalo durante o mês, também com 68% de probabilidade.


No post acima comentei que uma das operações mais rentáveis nos últimos anos e a venda futura do VIX. O gráfico abaixo mostra o porquê desse ganho. Observe que o mesmo compara a estrutura de hoje com a de 2 semanas atrás. Como se pode ganhar? Se você vender o contrato de janeiro de 2018 a 17% e a volatilidade permanecer no nível atual de 10%, vai embolsar 7% do valor implícito desse contrato. Assim para cada US$ 100 mil de risco, se realiza um ganho de US$ 7 mil. Você não precisa colocar os US$ 100 mil nessa operação, normalmente uma fração desse valor como garantia, algo como US$ 5 mil. Se essa premissa se confirmar vai realizar um bom retorno!


O comportamento dos mercados me leva a um cenário já comentado no passado denominado de “Goldilocks economy”. Essa frase originou-se num banco de investimentos muito conhecido na década de 80, o Salomon Brothers. Refere-se a uma economia que, como o mingau da história de crianças, não deve estar nem muito quente nem muito frio.

Recentemente, O Presidente do FED de São Francisco, John Williams, mencionou essa frase numa entrevista. Na sua visão a economia voltou ao normal. As duas medidas – desemprego e inflação – ambas estão cerca do objetivo traçado pela autoridade monetária ...” Nós só queremos que o mingau esteja bom” ....

Na visão desse membro do FED a economia está fora de um desastre macroeconômico, do qual os EUA se encontrava nos últimos 9 anos ...” qualquer problema remanescente é estrutural e não cíclico. Assim estamos trabalhando nesses problemas microeconômicos estruturais, e não nas generalidades da macroeconomia” ...

Será que é isso mesmo, estamos numa situação ímpar de crescimento e inflação? Bem pelo menos existe um membro do FED que acredita nisso.

Você poderia se perguntar então por que razão existem tantos analistas com visões pessimistas. Não posso responder por eles, mas esse cenário é muito ruim para o mercado como um todo, principalmente para os Hedge Funds, de onde saem a maioria dessas análises, afinal eles são considerados os papas quando o assunto é economia.

É fácil entender por que não gostam da baixa volatilidade, por exemplo, para obter um retorno de 10% num fundo, se um ativo sobe 5%, terão que alavancar 200% de seus ativos. Agora se a alta for de 1% irão precisar alavancar 1.000%. No segundo caso, um bom gestor não se envolve em operações como essa, pois basta alguma coisa dar errado para que ele quebre!

Quando uma mãe vai dar mingau a seu filho experimenta antes para ver se a temperatura está boa. Na situação de Goldilocks não tem ninguém para fazer esse teste, depende da interpretação de cada um. Espero que o mercado não queime a língua!

No post operation-lave-auto-II, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” eu acredito que caso o euro continue subindo, ao atingir o nível de € 1,10 será uma grande batalha, entre os céticos e os novos otimistas. Como a quantidade dos primeiros é superior, uma rodada de stoploss poderia levar o euro até 1,13, relativamente rápido” ...

Mas o euro não conseguiu ultrapassar a barreira de € 1,10. Não bastasse a queda que ocorreu na abertura dos mercados ontem, as perspectivas hoje ficaram mais sombrias para a moeda única.  No gráfico a seguir apontei alguns níveis que definirão se essa correção tem mais espaço para continuar subindo, ou se o movimento de queda vai ganhar força novamente.

Inicialmente eu vou atualizar o stoploss para € 1,08. O euro está contido entre as duas linhas rosa desde dezembro do ano passado, e a cada vez que atinge um extremo reverte à direção, nesse episódio não foi diferente ao atingir € 1,10. Em algum momento essa linha será rompida assim é necessário muito cuidado quando se está próximo de uma delas.

A área compreendida entre € 1,083 - € 1,072 tudo é possível de acontecer. Explico-me; o euro pode cair até algum nível desse intervalo e depois reverter. Nesse caso a chance de rompimento acima de € 1,10 se eleva; ficar nesse intervalo por um tempo; ou passar batido e continuar a caindo. Na verdade não revelei nada de novo, pois essas são todas as possibilidades! A diferença é que cada uma delas implica numa decisão?

No primeiro caso a alta pode continuar até o nível de € 1,13 ou mais; já no segundo e terceiro, a chance do movimento de queda ganhar tração é grande. Mas somente abaixo de €1,058 é que uma aposta na queda é recomendável.

Passado esses dias, fica mais claro a razão da diminuição de metade da posição. “Ontem eu elenquei duas formas de ação: ...” primeiro projeta-se um nível de preço, que se atingido, o trade é executado; o outro aguarda sinais de reversão para implementar o trade, naturalmente inferior (no caso de uma venda) ao primeiro caso” ... Nesse caso usei a primeira forma pois queria proteger parte do lucro.

- David, se estava tão seguro por que não vendeu tudo?

Eu não estava tão seguro. Por isso, vendi a metade!

Amanhã por força de um compromisso de dia inteiro não haverá publicação do Mosca, voltando regularmente a partir da próxima quinta-feira.

O SP500 fechou a 2.396, com queda de 0,10%; o USDBRL a R$ 3,1896, com queda de 0,23%; o EURUSD a 1,0872, com queda de 0,46%; e o ouro a US$ 1.220, com queda de 0,40%.
Fique ligado!

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