Inflação: A Revanche

5 de maio de 2017

Rescrevendo o livro texto de economia


Como meus leitores sabem, minha formação acadêmica não é de economista. Honestamente se pudesse voltar no tempo teria cursado essa especialidade, pois teria me ajudado na minha vida profissional. To late! Mesmo assim fui um autodidata, aprendi com a experiência e alguns cursos que fiz nessa área.

Com exceção dos modelos matemáticos complexos usados em econometria, o básico me considero apto a interpretar, os principais dados econômicos, afinal economia também tem a lógica de ciência exata.

Entretanto os dados de emprego publicados hoje nos EUA desafiam o livro texto de economia. Nem é preciso ser um grande expert no assunto para entender o porquê de minha intriga. Foram criadas 211 mil vagas um resultado positivo considerando a expectativa de 190 mil. Esse resultado compensou o resultado de março revisado para 79.000, inferior ao publicado anteriormente.


A taxa de desemprego revela um mercado bastante apertado. A mesma passou para 4,4%, beirando os melhores níveis desde o início da década. É verdade que parte desse resultado se deve a queda do participation rate, que declinou para 62.9.


Independente dos motivos que levaram o desemprego a níveis tão baixos, pode-se considerar que a economia americana está em pleno emprego.

Ora, se existe poucos empregados para completar as ofertas de trabalho a teoria econômica diz que os salários tendem a ficar pressionados ocasionando uma alta da inflação no futuro. Mas não foi isso que aconteceu, o ganho por hora em bases anuais, vem declinando desde o início deste ano, e se encontra agora no mesmo patamar de 2016.


Essa distorção foi parcialmente compensada pelo aumento no número de horas trabalhadas, ocasionando um rendimento mais elevado para os trabalhadores. Em outras palavras, aumentou o rendimento total com mais trabalho ao invés de mais salário.
Como o FED irá interpretar esses dados, ficará receoso pela escassez da mão de obra ou pelo fato de não gerar inflação? Acredito que usará os princípios do livro texto indicando que em algum momento essa variável afetará os salários e consequentemente a inflação. Porém não foi essa a leitura que o mercado fez. Logo após a publicação, houve uma queda dos juros e do dólar.

De uma forma empírica, minha explicação para esse fato leva aos robôs. Imagino que a introdução desse novo elemento, que complica os modelos econômicos clássicos, pode ser o motivo desse fenômeno. Como ele é estrutural, deverá prevalecer por muito tempo. Quem sabe daqui alguns anos os membros do FED serão substituídos robôs. Analisarão os dados melhor que os humanos! Hahaha ...

Uma outra razão mais imediata seria pelo fato dos empregos criados estarem na categoria de pequeno valor agregado. Existe uma evidência na composição das vagas onde o setor de divertimento criou 55 mil; serviços de restaurante 26 mil; e educação e saúde 41 mil. Mas será mesmo essa a razão? Tenho minhas dúvidas.

Todos sabem que o Presidente americano usa o Twitter para se comunicar com as pessoas de forma rápida e direta. A próxima ilustração mostra a frequência dos assuntos postados em março. Acho de deveria mudar o tema, Jobs is sold out!


Eu iria comentar sobre a China, mas vou deixar para uma próxima ocasião pois o post ficaria muito extenso. Antes de entrar na análise técnica, achei importante o resultado do PMI brasileiro coletado pela Markit. Parece que a recuperação está em curso.

Gráfico

No post allez-le-bleu, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” no gráfico abaixo apontei duas possibilidades para os próximos meses:

1)      Verde – Nesse caso o Ibovespa permaneceria contido no intervalo entre 63.000 -69.000, para depois buscar novas altas ultrapassando os 70.000. Esta situação é compatível com a nossa posição.

2)      Rosa – A correção seria mais extensa e atingiria os níveis de 61.500 ou 58.500 (mais provável). Também teria uma duração mais prolongada” ...


Na última terça-feira, o índice ensaiou uma alta deixando o mercado animado, inclusive eu. Fechou nesse dia a 66.800 mais próximo dos 70.000. Para completar terminou o dia na máxima, um fator de alta em análise técnica. Pensei, pode estar caminhado para romper os 70.000.


Mas no dia seguinte, parece que o mercado “lembrou-se” do meu post pega-ladrão: ...” Acima do nível de 67.000 nós ganhamos mais alento, mas mesmo assim não solte rojões é preciso ultrapassar os 70.000, pois a correção pode ainda demorar mais tempo, e não ter terminado, como eu gostaria” ... O “desgraçado” do índice resolveu respeitar e retornou ao intervalo apontado acima, entre 63.000 – 66.500.

Depois de me refazer da frustração, voltei à estaca zero, mantendo as mesmas alternativas traçadas acima. Não sei qual o cenário que prevalecerá: o 1 ou 2.

Todos estão acompanhando as negociações sobre a reforma da Previdência. Nos últimos dias cresceu a dúvida se a mesma será aprovada e qual o tamanho da concessão em relação ao projeto original. Acredito que enquanto isso não ficar resolvido, o Ibovespa deverá trafegar num processo de correção ao redor dos números que venho apontando.

O único fator positivo desses acontecimentos é a constatação que a análise técnica cumpre seu papel de identificar níveis respeitados pelo mercado. Assim, essa ferramenta reafirma sua grande utilidade.

O SP500 fechou a 2.399, com alta de 0,41%; o USDBRL a R$ 3,1762, com queda de 0,15%; o EURUSD a 1,0994, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ v1.227, sem variação.

Fique ligado!

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