Inflação: A Revanche

18 de maio de 2017

Calar é ouro

Meus pais passaram os horrores da II Guerra Mundial. Minha mãe principalmente só conseguiu sobreviver por sua força. Depois de terminada a guerra vieram para o Brasil buscando reconstruir suas vidas.

Eu era uma criança quando aconteceu o golpe de 1963, percebia muita agitação em casa, mas não entendia direito o que estava acontecido. Depois o clima no país ficou muito tenso com perseguições e mortes de pessoas que se opunham ao golpe militar. Lembro bem das recomendações que meu pai fazia durante os jantares, quando algum assunto sobre o tema era comentado.  “ Não fale alto alguém pode estar escutando”. Eu pensava, quem poderia estar escutando? Veja, estou falando de situações que ocorreram nos anos 60, sem computador, celular, escutas, esses equipamentos faziam parte dos filmes de aventuras.

Com o passar do tempo pude entender a razão da recomendação do meu pai. Para quem passou a beira da morte por qualquer palavra errada dita à um soldado alemão, ou entre conversas com amigos ouvidas pelo inimigo, é compreensível sua cautela. Assim o mais seguro era sempre fechar a boca! Aprendi a lição, essa atitude faz parte do meu DNA. Por exemplo, num elevador nunca falo nada, já ouvi muita coisa que não deveria ouvir.

Ontem à noite fomos surpreendidos pelas notícias envolvendo principalmente o Presidente Temer e o Senador Aécio Neves. Uma bomba! Tenho certeza que, se alguém te obrigasse apostar se eles estariam ou não envolvidas no recebimento de caixa 2, qual seria sua aposta. Em situações de desespero somos levados a agir de forma impensada, e esse parece ter sido o caso.

Venho dizendo que praticamente não existe nenhum político que não tem culpa no cartório, do lado dos empresários nada muito diferente, pois era de onde saiam os recursos, e da população também, quem nunca buscou uma vantagem? Lei de Gerson impera! Quem segue o Mosca conhece minha frase sobre honestidade: “Se honestidade fosse uma pirâmide, no Brasil seria um trapézio, pois não tem ninguém no topo”.

Imagino que o Presidente deveria seguir alguns passos mínimos que aprendi com meu pai. Como alguém conversa com o Presidente e não é revistado? No caso da JBS ele sabia com quem estava lidando. Isso não o redime de culpa pelo que fez. Quem imaginava que os políticos mudariam sua atitude por tudo que estamos vivenciando, está aí um bom exemplo que não. Os políticos sem dinheiro são como os viciados sem drogas, morrem!

Ainda é muito cedo para saber os desdobramentos desse caso. Temer reafirmou que não disse nada que possa comprometer, reforçando que não vai renunciar. Acho que esse seria um cenário ruim pois provavelmente não conseguiria aprovar mais nada no Congresso e as manifestações se multiplicariam. Não se pode esquecer o índice de rejeição do Presidente que se encontrava em 70% antes desse episódio, agora deve estar em 110%! Alguns votariam duas vezes! Hahaha ...

Outra hipótese seria uma eleição indireta. Acredito que existe um nome crível no momento a Presidente do STF Carmem Lúcia, porém ela não é elegível. Quem poderia ser dos políticos atuais que são filiados a algum partido? Frenando Henrique, Lula, Marina, Caiado, Bolsonaro? Nenhum terá cacife político para aprovar a reforma da Previdência.

Outro cenário comtempla as eleições diretas, caso passe uma PEC nesse sentido. Quem seriam os candidatos?  Lula, Bolsonaro, Luciano Hulk, Doria (que poderia ser uma boa opção, mas não está preparado). Além do mais, seria um Presidente tampão até 2018, quem se sujeitaria a entrar nesse turbilhão?

Parece que do dia para noite o Brasil que tinha tudo para retomar seu rumo ficou sem rumo! Admito que ainda é muito cedo para qualquer conclusão definitiva e pode ser que surjam outras opções além das que enumerei. Estou na torcida!

Algumas afirmações podem ser feitas: a primeira que as reformas não deverão passar mais nesse governo, isso muda os preços dos ativos brasileiros na visão dos estrangeiros; e segundo os empresários que estavam envolvidos em algum tipo de corrupção mudaram de lado. Ao invés de ficarem do lado costumeiro dos políticos estão preferindo ficar do lado da Justiça. O número de delações deverá subir muito pois percebem que perderão o valor no tempo. Assim, suas chances de terminar na prisão, sem nenhuma vantagem, aumentam.

No longo prazo tudo o que aconteceu é ótimo, mais um degrau no sentido de confirmar que o crime não compensa, ou é muito caro.

Os mercados brasileiros se encontram parados até o momento, mas se pode esperar quedas significativas da bolsa e alta do dólar. Os primeiros negócios apontam para uma queda de 10% do Ibovespa e 6% a 7% de alta no dólar. Importante verificar o fechamento, que não foi bom no meu entender.

A Moody’s faz um lavamento da corrupção em países da América Latina. O gráfico a seguir é relativo à sua última pesquisa feita em 2016 comparada com a de 2006. O Brasil piorou 9 pontos. Imaginem se essa classificação fosse atualizada até os dias de hoje?


Nos EUA aconteceu uma situação semelhante a que ocorreu aqui ontem. Na verdade, o assunto é diferente pois não se refere a corrupção e sim livrar um “amigo” de Trump de complicações com o FBI. Mas não deixa de ser uma obstrução a justiça, em ambos os casos. A seguir o gráfico mostra qual a probabilidade de ele terminar o mandato até 2018. Lembrem que as próximas eleições serão em 2020!


Na análise técnica a situação pode ter se alterado drasticamente nos ativos brasileiros, mas é muito cedo ainda para qualquer conclusão, será necessário algum tempo para o mercado nos dizer o que pretende daqui em diante.

No post pelo-bom-ou-pelo-mal-motivo, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Vou propor um trade de compra de juros – aposta que vai cair - ao nível atual 2,34% com um stoploss a 2,45%. Quero enfatizar que é um trade especulativo e de curto prazo. Vamos na contramão dos analistas” ...

 
Com as trapalhadas do Trump, os investidores foram para porto seguro onde se enquadra os títulos do governo americano. Para dizer a verdade não sei se foi somente esse o motivo, acho que a dúvida que paira sobre a recuperação americana e as elevadas posições do mercado, no sentido de juros mais altos, devem ter pesado também.

O gráfico acima aponta a tática a ser usada. Entre 2,10% - 2,15% (azul) vamos observar para ver se zeramos aí ou continuamos em frente rumo aos 2% (verde). Nesse cenário de incertezas vou atualizar o stoploss para o nível de 2,34%. Afinal, em correções tudo se pode esperar!

O SP500 fechou a 2.365, com alta de 0,37%; o USDBRL a 3,3655, com alta de 7,29%; o EURUSD a 1,1101, com queda de 0,51%; e o ouro a US$ 1.246, com queda de 1,11%.
Fique ligado!



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