Inflação: A Revanche

30 de maio de 2017

O mercado desafia o FED


Nunca se falou tanto em taxa de juros ao redor do mundo. Essa observação vale tanto para os EUA como aqui no Brasil, embora com direções opostas. No país americano, a autoridade monetária encontra-se imbuída em normalizar o nível da taxa de juros. O juro real ainda está negativo em – 1% a.a. Já aqui, depois do governo desastroso do PT, que culminou com elevado nível de inflação e total descontrole das contas públicas, a nova equipe econômica, empossada a menos de um ano, vem implementando mediadas que propiciaram uma queda expressiva dos preços. Entretanto, o juro real ainda se encontra acima de 5% a.a.

Ambos bancos centrais estão agindo no intuito de normalizar sua política monetária. Nos EUA, o FED vem anunciando que pretende subir os juros atuais de 1% a.a., tanto na próxima reunião em junho, como na reunião seguinte em setembro, embora nessa última ainda não existe um consenso.

Uma das razões dessa indefinição sobre a continuidade, são os últimos dados de inflação. Em abril, mostrou desaceleração. A autoridade espera que essa retração seja transitória, para em seguida atingir seu objetivo de 2% a.a. nos próximos meses. Já o mercado de trabalho, outro indicador que influencia suas decisões, encontra-se muito próximo do pelo emprego. É nesse indicador que o FED coloca sua ênfase, pois espera um impacto na inflação através da pressão dos salários.

Supondo que o FED consiga atingir seus objetivos, dentro de muito pouco tempo os juros estariam em 1,5% a.a. Como se poderia explicar que o juro de 10 anos se encontra tão baixo, na casa de 2,25% a.a. Uma diferença ínfima de 0,75%, entre essas duas taxas. É importante frisar que esse diferencial deve levar em consideração os seguintes pontos: O FED projeta uma taxa de juros de curto prazo em 3% a.a., a ser atingida nos próximos 2 anos. Isso é o que se extrai das projeções publicadas nas atas do Comitê; o recebimento de um determinado prêmio positivo para quem se dispõe a investir num prazo tão longo, contemplando os riscos futuros.

Logo que o Presidente Trump foi eleito, o mercado apostou que suas promessas elevariam a inflação, o que induziria o FED a acelerar a alta dos juros. O gráfico a seguir apresenta a posição especulativa em contratos de juros de 10 anos. O seu significado quando está negativo é que, os investidores apostam na alta dos juros, contrariamente, quando positivo, os mesmos apostam numa queda dos juros. Notem que logo após as eleições apostavam numa alta que foi revertida agora para uma baixa.


Seria muita ingenuidade achar que o mercado não sabe fazer conta. O que está por trás de sua aposta?  Consideram o movimento do FED em subir os juros, afetará o crescimento da economia. Como consequência, a inflação voltaria a cair. Nessas condições, a autoridade monetária seria obrigada a cortar os juros mais adiante. Cenário conhecido como o voo de galinha, que não consegue se sustentar.

Na época Greespan uma frase era dita com muita frequência: don´t fight the FED, para indicar que apostas feitas contra a autoridade monetária resultaria em prejuízo. Talvez hoje ela não mais se aplica, com os sucessivos erros em suas projeções dos últimos anos, o mercado resolveu não levar tanto em consideração as crenças do FED.

Um outro indicador que já deveria ter apresentado melhora é o volume de credito. O gráfico a seguir, que condensa esse indicador das maiores economias do mundo, mostra uma desaceleração.


Talvez a única exceção seja a China que continua crescendo seu endividamento. Esse fator tem gerado preocupação nos investidores. Parece que a economia está se desacelerando e o governo tenta segurar através do credito.


Vivemos uma revolução digital onde os desenvolvimentos tecnológicos afetam os negócios de forma direta. A substituição do trabalho humano por robôs é visível em todas as áreas de atuação. Incialmente aconteceu nas fábricas e agora também nos serviços. Na semana passada, no post o-guru-dos-investimentos,relatei como hedge funds que usam modelos quantitativos em seu processo de tomada de decisões vem obtendo melhores desempenho que os fundos geridos por titãs em finanças.

Todo esse movimento é deflacionário e de difícil mensuração. Como consumidores é boa notícia pois permite a compra de produtos e serviços mais baratos, porém socialmente é conturbador, haja visto que centenas de milhares de empregos são eliminados, razão dos recentes movimentos observados ao redor do mundo.

Se a história é um indicador, no longo prazo essas mudanças propiciaram a evolução da humanidade. O desemprego originado num setor cria oportunidades em outros, e pouco a pouco, acontece a migração. Porém, como no longo prazo estaremos todos mortos, vivenciar esse momento gera uma certa apreensão.

É interessante o que vem ocorrendo. Depois que termino o assunto econômico do dia, verifico os mercados que acompanho. Sem exceção, noto que não existe grande alteração desde a última postagem. Isso é função da baixa volatilidade que estamos vivenciando. Seria muito fácil anunciar que tudo isso está prestes a terminar justificando com situações passadas. Mas não estou convencido que esse é o caso. Com tantos eventos que indicariam instabilidade e nada aconteceu, parece que somente algo muito sério poderia mudar esse status quo.

Hoje vou comentar sobre a moeda única, pois pode surgir uma oportunidade no curto prazo. No post anestesiado, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” Calculo que o euro testará o nível de € 1,15, e é aí que a grande batalha deve acontecer. Como apontei no gráfico acima, existem dois caminhos possíveis” ...

 
Na semana passada o euro atingiu a cotação de € 1,1260, iniciando uma pequena correção. E é nessa correção que poderemos entrar comprando a moeda única. No gráfico abaixo aponto esses pontos.


Minha sugestão de compra é ao nível de € 1,105 - € 1,10, com um stoploss a € 1,09. O objetivo seria buscar algo ao redor de € 1,15. Coloque metade em cada um. Veja que marquei em verde a máxima atingida recentemente. Pode ser que os níveis que desejo não sejam alcançados e a moeda única ultrapasse essa marca, nesse caso as sugestões ficam canceladas.

O SP500 fechou a 2.412, com queda de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,2572, sem alteração; o EURUSD a 1,1183, com baixa de 0,17%; e o ouro a US$ 1.262, com baixa de 0,32%.
Fique ligado!

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