Inflação: A Revanche

29 de maio de 2017

Eu fico!


Parafraseando Dom Pedro I, o Presidente Temer montou uma estratégia para permanecer na presidência. O seu recém empossado Ministro da Justiça, Torquato Jardim, definiu seu plano no TSE para evitar a cassação da chapa Dilma-Temer. Enrolar! Através do mecanismo legal de pedir vistas, um juiz poderá alongar o processo o suficiente para que empurre a decisão num período onde esse órgão se concentrará na lei eleitoral.

Segundo Torquato, se sua projeção se concretizar, o governo estará salvo. Talvez sua visão esteja voltada para dentro e não calcula o que poderá estar acontecendo nas ruas.

Em outra entrevista, ao ser perguntado se pretendia mudar o comando da Polícia Federal, disse que estudaria com cuidado toda a estrutura desse órgão. Para bom entendedor, nenhuma palavra basta, o gato subiu no telhado! Não seria difícil imaginar um acordão entre os políticos no sentido de enfraquecer esse órgão. Uma desaceleração na operação lava jato parece ser de interesse de todos os congressistas, ou quase todos.

Essa reviravolta nas últimas horas, vem em surpresa para os que já contavam com uma lista de candidatos que sucederia Temer nesse resto de mandato. Na última quarta-feira, durante o Comitê de Investimentos da Rosenberg, um dos participantes aventou a possibilidade que agora se apresenta, de Temer continuar. Naquele momento parecia muito difícil, agora provável.

Esse cenário não considero tranquilo para o mercado financeiro, primeiro sou levado a pensar que as ruas não irão aceitar nem que Temer fique nem muito menos que a Policia Federal seja colocada em banho maria. Eu vou para as ruas! Se o Presidente já tinha 70% de rejeição agora vai para 150%! Segundo, na parte econômica, já houve uma grande perda com o pedido de demissão de Maria Silvia, e caso outros membros percebam que o objetivo do Presidente mudou, poderão também abandonar o barco.

A ilustração a seguir mostra que até o momento a atuação do banco central para acalmar os mercados, após a revelações da JBS, foram pequenas. Com entradas substancias através de Investimentos diretos e da Balança Comercial, nenhuma preocupação se apresenta nesse momento. As questões maiores são de longo prazo, na sustentabilidade de nossa dívida caso a reforma da Previdência seja engavetada.

 
Diferentemente de Dom Pedro I que resolveu permanecer no país por aclamação do povo, Temer ficaria por aclamação pessoal “sé é para o meu bem pessoal, eu fico”, pois as ruas pedem exatamente ao contrário.

Hoje é feriado nas principais praças financeiras, Londres e Nova York, em comemoração ao Memorial Day. Assim, boa parte dos mercados permaneceram fechados. Ao termino da reunião do G7, novamente Donald Trump se mostrou indelicado, ao empurrar um participante para se posicionar na primeira fila da foto. Situações como essas se sucedem, e agindo dessa forma, vai conquistando mais inimigos ao redor do mundo.

A Primeira Ministra Alemã, Angela Merkel, resolveu contra-atacar. Depois de ter sido ameaçada por Trump durante o evento ao qualificar o superávit comercial alemão como “ver bad”.

É natural que alguma atitude mais direta contra as importações alemãs, principalmente de carros, teria um impacto no PIB desse país. Porém Angela Merkel percebeu que muito pouco tem a conversar com o Presidente americano, sendo melhor aceitar esse fato que imaginar uma outra solução. Ao voltar à Alemanha disse que o destino dos europeus está em suas próprias mãos.

Contando com uma recuperação das economias na zona do euro, Merkel percebeu que a Alemanha virou a bola da vez para o governo americano, após Trump entender que precisa mais da China que imaginava.

O mapa a seguir mostra que em termos de distância, a Coreia do Norte escolheria outros alvos ao invés dos EUA. Acontece que um ataque na Coreia do Sul, suficientemente simples, colocaria o país americano dentro do conflito, afinal, se nada fizesse, seu discurso contra o terrorismo seria mais uma de suas promessas não cumpridas.


No post o-guru-dos-investimentos, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” O gráfico abaixo, contem minha expectativa para os próximos movimento do dólar. A área demarcada entre R$ 3,25 – R$ 3,21 deveria conter qualquer queda do dólar nos próximos dias. Não tenho a segurança para sugerir nenhum trade no momento” ...

Observando o gráfico a seguir, parece que o mercado está respeitando os limites colocados acima. Nesta última semana, a variação do dólar permaneceu contida entre R$ 3,25 – R$ 3,30, com baixa volatilidade. O mercado trabalhou nesse período com um cenário mais tranquilo, onde a sucessão de Temer era dada como certa. Agora nesse novo cenário o risco deve ser um pouco superior.


Em se confirmando a permanecia de Temer na presidência, duas forças opostas agirão sobre o dólar: de um lado o fluxo extremamente positivo forcará as cotações para baixo; do outro lado a governabilidade terá momentos de tensão. O Mosca vai aguardar a palavra do mercado para agir!

O USDBRL fechou a 3,2564, com queda de 0,27%;EURUSD fechou a 1,1164, sem variação; e o ouro a US$ 1.266, sem variação.
Fique ligado!

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