Inflação: A Revanche

17 de maio de 2017

Confusão no meio campo


Ultimamente, algumas informações sobre a saúde da economia americana vêm apresentando informações dispares. As baixas temperaturas no EUA no começo do ano foi o principal argumento dos analistas para justificarem essas diferenças – hard data x soft data. Porém, passado esse período, ainda não se conseguiu chegar a uma conclusão se a recuperação em andamento está ganhando tração.

A fim de justificar minha premissa, começaremos pelas duas pesquisas de PIB efetuadas pelo FED de Atlanta e New York. Relembremos que no trimestre anterior aquele apontava para um resultado de 0,5%; este para 3%. A primeira publicação oficial do PIB foi de 0,9%.

O GDP agora calculado pelo FED de Atlanta, que apresenta um elevado grau de acerto, está indicando 4,1% para o PIB no trimestre em curso; muito acima da mais elevada projeção dos analistas de 3,5%.


Já o seu “concorrente”, o FED de NY, aponta para um PIB de 1,9%. Parece que essas pesquisas não são do mesmo país!


Um outro indicador que mede a variação entre a projeção dos economistas e os dados publicados calculado pelo Citibank, Citi Surpirse Index, despencou! Veja a seguir.


Um setor que está bem complicado é o automobilístico. Acredito que o problema é por conta de duas mudanças estruturais importantes: primeiro, o uso do Uber diminui a venda de carros novos (esse efeito também é sentido por aqui, eu mesmo tenho usado muito menos meu carro); e o outro, a nova geração tem optado por não comprar carros como faziam seus pais. O gráfico a seguir apresenta a evolução do empréstimo para carros novos.


Os empréstimos para novas residências ainda estão muito deprimidos, sem mostrar que uma recuperação estaria em andamento. Nesse segmento, uma mudança vista depois da crise de 2008 foi o aumento do número de filhos com idade entre 26 – 34 anos que moram com seus pais, demandando consequentemente menos imóveis.

 
Mas nem tudo é má notícia, o segmento de vendas on line tem mantido um crescimento anual de 10%. A Amazon está dizimando o comércio varejista, lojas como Macy’s, Sears e tantas outras estão tendo dificuldades de dar continuidade a seus negócios.


Alguns bancos começaram a rever suas projeções em relação aos aumentos de juros a serem implementados pelo FED. O mercado já aponta uma probabilidade baixa para mais dois aumentos nesse ano e o Banco Goldman Sachs parece ir no mesmo caminho. Não me recordo algum momento onde apresentava tanta confusão nos dados econômicos. Normalmente existem dúvidas se a economia entra em recessão ou sai dela, se o desemprego vai aumentar ou não etc ... Agora, num mesmo momento, dados apontando para um lado e para outro são raros.

O próximo gráfico é bastante ilustrativo; como a economia migrou da agricultura depois para a manufatura e atualmente para os serviços. Hoje se emprega nos EUA a mesma quantidade de funcionários que a manufatura no meio do século passado.


No post bitcoin-o-dólar-black-dos-chineses, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Como vocês podem observar o ouro está indeciso. Calculo que tanto acima de US$ 1.300 como abaixo de US$ 1.200, caso rompido, poderá desencadear um movimento direcional mais intenso. Enquanto continuar nesse intervalo, nada pode ser dito” ...


Com as notícias de hoje colocando Trump tentando obstruir a justiça, os mercados de risco sofreram um baque. Nesses momentos o ouro surge como porto seguro, fazendo com que o metal subisse quase 2% no dia. Para um mundo sem volatilidade é muito.

No gráfico acima destaquei os dias em que o ouro teve uma oscilação grande; a de hoje ainda é menor do que esses. Outro detalhe que também observei é que logo em seguida o movimento aconteceu em sentido contrário da alta.

Não tenho a menor ideia do que irá acontecer com o Presidente americano, se algo semelhante tivesse acontecido aqui, acredito que nem faria cócegas. Talvez Trump devesse consultar o Lula para saber o que faria numa situação dessas, afinal, depois dos milhares evidências ele continua solto, é por que é bom neste assunto. Pensando bem, acho que nem precisa; basta negar, simples!

Em relação ao ouro, continuo com a mesma orientação dada acima, somente fora do intervalo merece alguma sugestão de trade. O que acabou acontecendo hoje foi colocar o metal próximo ao centro desse trecho. O stoploss do euro estou reajustando para € 1,102.

O SP500 fechou a 2.357, com queda de 1,82%; o USDBRL a R$ 3,1378, com alta de 1,35%; o EURUSD a € 1,1158, com alta de 0,69%; e o ouro a US$ 1.260, com alta de 1,94%.

Fique ligado!

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