Inflação: A Revanche

23 de maio de 2017

Anestesiado


Nesses últimos dias, a sensação que mais me prevalece é a de desalento. Confesso, acreditava que a continuidade da corrupção, depois de todo o andamento da lava jato, teria cessado. Mas, esses últimos acontecimentos demonstraram que não. Ao mesmo tempo ficou confusa qual a linha de ação adotada pelo STF. A única instituição que merece confiança é a Policia Federal em conjunto com a equipe de Sergio Moro. Até o MPF tenho dúvidas.

Ontem, numa conferência telefônica, ouvi o Ministro Henrique Meireles e sua equipe, que saíram a campo para dizer que manterão o programa proposto. Em relação ao que falou, o que mais chamou minha atenção foi a quantidade de vezes que interrompeu seu raciocínio com murmúrios humm... humm... humm... Estava realmente medindo suas palavras. Para mim, foi sinal de grande dúvida. Também acho que não poderia ser diferente.

Passados esses primeiros dias depois da revelação bombástica da JBS, parece que o Presidente Temer considera a possibilidade de renúncia, desde que tenha segurança de não ir preso. Isso, por um lado seria uma boa notícia, porém dependerá se teríamos eleições indiretas ou eleições diretas, como quer a esquerda. No primeiro caso, acho que o Ministro Meireles é o que tem melhores condições de acalmar o mercado. Já um processo de eleições diretas colocaria o país sob forte tensão. Imagina o discurso inflamado do Lula tentando a qualquer custo se livrar do Moro?

Tem algo mais importante que não sai de meu pensamento: quem serão os candidatos nas eleições de 2018? Não consigo encontrar um nome com reais chances de ganhar e com ímpeto para enfrentar os problemas que serão arrastados até aquela data. Parece que pode ser um outlier, que em estatística significa valor aberrante ou valor atípico. Bolsonaro? Deus me livre; Marina? Não tem carisma; Ciro Gomes? Um louco desvairado; Dória? Talvez. Ou alguém da velha guarda? Lula? Vou embora!

Mas aprendi nas eleições de 1986, onde meu candidato para governador, Armínio de Moraes, perdeu de lavada para o Quércia; sou minoria. Olhando de hoje, não consigo ter nenhuma ideia e isso me preocupa.

Talvez por conta de tudo isso me sinto de certa forma anestesiado, mecanismo que o nosso corpo usa para não sofrer com as situações da vida. Mas sei que é temporário, por exemplo, minha indignação ao ver o Lula no programa eleitoral do PT. Não aceito de forma nenhuma quem fica a seu favor, e se tiver alguém ao meu redor, peço para não tocar nesse assunto.

Pode ser que daqui algumas semanas a vida volte ao normal e essa situação seja “esquecida”. Com exceção das eleições diretas que, diga-se de passagem, não tem nada de Constitucional, outra saída deverá acontecer, mas não serei mais o mesmo; 2018 age como uma bomba relógio para mim.

Hoje foi publicado o IPCA-15 de maio, uma espécie de proxy da inflação do mês, que será publicada no início de junho. O resultado continua surpreendendo a todos, com uma variação de 0,24% no mês e de 3,8% em 12 meses, a inflação está sob controle.


Como qualquer país normal, existem categorias que subiram mais e outras que subiram menos. Nesse mês, os Alimentos que vinham despencando alguns meses pressionaram um pouco com 0,42%, enquanto Habitação subiu 0,15%. Um índice que espelha bem esse argumento é a difusão, que se encontra em 56%, menores níveis históricos. Outro fator importante, a taxa dos preços livres, praticamente igual ao índice total. Tudo tranquilo nesse front.

 
No final deste mês, o COPOM irá se reunir como programado. Tenho visto alguns comentários que o BCB poderia recuar e diminuir o ritmo de queda dos juros, atualmente em 100 pontos. Antes do evento da semana passada, o mercado já dava como certo que esse nível passaria para 125 pontos e alguns acreditavam em 150 pontos. Agora vejo alguns que consideram uma redução para 75 ou até 50 pontos. Na minha opinião vai manter a queda de 100 pontos, o que traria a taxa SELIC para 10,25% a.a. Ainda um juro cavalar!

A discussão que acredito valida é em que nível o banco central para. Anteriormente, falava-se em 8% a 8,5% a.a., agora isso pode ser modificado, afinal, a reforma da Previdência não deve ser votada neste governo. Mas até chegar nesse nível, a autoridade monetária tem 3 meses para ver como a situação política se encaminha. Sendo assim, trabalho com mais uma de 100 pontos na próxima reunião, daí em diante, nem com bola de Cristal! Hahaha ...

No post a-Alemanha-entrou-no-vácuo-da-França, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” o rompimento da barreira de € 1,10. O próximo nível que apresenta muito interesse será € 1,13. O gráfico a seguir tem uma visão de médio prazo, e algumas hipóteses do que poderá acontecer com a moeda única são traçadas” ...

O euro saiu da letargia e está ganhando mais destaque no noticiário. Assim como o pássaro da mitologia Grega, Fênix, renasceu das cinzas. O mais interessante é que foi empurrado para o ostracismo por quem deveria mais preservá-lo, o ECB. Comandado pelo “mini” Mário, que buscou a todo custo salvar o Club Med de sucumbir. Agora só falta vir a público e dizer que está satisfeito com a evolução do euro, uma moeda forte!

O Mosca não está nem aí para o que ele disse ou vai dizer, nós observamos o preço, e está chegando a níveis interessantes. O gráfico a seguir é de longo prazo e nele traço minhas principias ideias.

Como podem notar, o euro respeitou a linha verde inferior em algumas ocasiões. Quando foi lançada no ano 2.000, 1€ valia US$ 0,85. Me lembro bem dessa época, pois tinha uma posição importante. Demorou quase dois anos para decolar, mas daí em diante subiu forte. Agora também tocou nessa reta e no último mês vem apresentando uma alta mais consistente.

Calculo que o euro testará o nível de € 1,15, e é aí que a grande batalha deve acontecer. Como apontei no gráfico acima, existem dois caminhos possíveis:

A)     Meia-volta (A): O euro retoma seu caminho de baixa e busca atingir a área ao redor de € 1,00.

B)       Deixa comigo (B): Ultrapassa essa barreira e caminha para o nível de € 1,25. Se esse for o cenário, muito importante será observar como chega até lá e se em seguida rompe esse nível. Mas tudo isso é uma outra história para uma outra vez – era assim que terminava meu programa infantil preferido.

Pode ser que estamos prestes a terminar o marasmo vivido desde 2015, onde o euro não deu alegrias para nenhum trader. Como tudo na vida, em algum momento as coisas mudam e talvez seja a hora da cambaleante moeda europeia. Ou não, apenas um alarme falso!

O SP500 fechou a 2.398, com alta de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,2656, sem alteração; o EURUSD a 1,1177, com baixa de 0,53%; e o ouro a US$ 1.250, com queda de 0,72%.

Fique ligado!

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