Inflação: A Revanche

19 de maio de 2017

Fora JBS!


Os donos da JBS, Joesley e Wesley, cujos nomes mais parecem de uma dupla sertaneja, montaram um império no ramo alimentar galgado na corrupção. Ao vir à tona parte das gravações das conversas com o Presidente Temer e o Senador Aécio Neves, já se pode ter uma ideia de como esse grupo operava.

Por mais que o Presidente tente justificar o conteúdo da conversa gravada, existem alguns fatos que não tem como negar: como Michel Temer recebe um empresário do qual conhece bem seus delitos em sua casa após as 22:00 horas? Mesmo que justifique não ter concordado com nada que o empresário disse, porque não o denunciou ao Ministério Público? Esses dois pontos são suficientes para que se perca totalmente a confiança em nosso Presidente, o mínimo que teria a fazer é se licenciar para pode eventualmente se defender.

Mas por enquanto não parece ser esse o caminho que traçou, pretendendo se manter no cargo.

Por outro lado, as condições dadas aos executivos da JBS parecem desproporcionalmente superiores aos da Odebrecht, por exemplo. Eles estão em Nova York, sem tornozeleiras e pagaram uma multa modica de R$ 250 milhões. Algo muito errado aconteceu nessa negociação. 

Essa dupla de gangsteres, melhor forma de qualificá-los, aproveitaram ainda para dar uma especulada no câmbio na quarta-feira ao comprar entre US$ 750 milhões a US$ 1,0 bilhão nos mercados. Somente com a variação da moeda no dia de ontem pagaram com sobras a multa acertada na delação. Contudo, não foi a primeira vez que essa quadrilha atuou; no ano passado, quando o dólar começou uma trajetória de queda depois de ultrapassar os R$ 4,00, ao nível de R$ 3,80 mais ou menos, o banco central deu liquidez para que eles saíssem de sua posição comprada em dólar sem derrubar as cotações, embolsando um enorme lucro.

Também se especulou diversas vezes sua atuação no mercado de juros futuros, com posições pontuais enormes, sempre na ponta certa, ganhando muito dinheiro com inside information. Espero que a CVM agora faça o seu papel de investigar.

Com a maior cara de pau, em comunicado divulgado hoje na imprensa, eles pedem desculpas. Eu não aceito! 

Não sei qual será o andamento desse caso, mas a população poderia fazer a sua parte boicotando os produtos produzidos pela JBS. Uma empresa dessas não merece sobreviver, não adianta fazer delação, pedir desculpas; bandido é bandido para sempre! Fora JBS.

Já a situação de nosso Presidente me parece insustentável, se permanecer no cargo, podemos esperar uma deterioração tanto da economia quanto um aumento nas manifestações contra o governo. Preparem-se para um ambiente conturbado daqui em diante.

Emocionalmente, estamos todos abalados e nesses momentos a atenção se volta as notícias locais, imagino que nesse final de semana muita informação virá ao público. No exterior, o foco no momento se encontra na trapalhada entre Trump e o FBI, que, comparados ao que acontece aqui, é café pequeno. 

No front econômico foi publicado o PIB do Japão que apresentou um crescimento real de 2,2%; um espetáculo para uma economia que se encontra na UTI.


Porém existe um detalhe que torna esse resultado ruim: o cálculo do PIB real é feito dividindo-se o crescimento nominal pela inflação. Inicialmente, vejam como foi a evolução nominal desse indicador.


Um crescimento de 0%. E como foi possível apresentar uma alta de 2,2%? A razão é que o Japão não tem inflação, mas deflação, assim esse resultado positivo foi obtido pela queda de preços e não pelo aumento de produção. No gráfico a seguir, pode-se verificar a debilidade da economia japonesa, pois se encontra em estado deflacionário por vários anos. A exceção de 2015 onde a inflação subiu devido ao aumento de impostos. Essa situação me faz lembrar aquela de nossos filhos ao argumentar que foram muito bem numa prova com uma nota 2, uma vez que, quase todos levaram zero!


Uma forma de medir o grau de robotização de uma economia é feita usando uma unidade padrão definida como sendo o número de robôs para cada grupo de 10.000 empregados. O gráfico a seguir mostra que tanto a Ásia (exceto a China) bem como a Europa se encontram muito mais avançados nesse uso de tecnologia que os EUA.


No post fiasco, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Para quem está comprado, sugiro acompanhar bem a área que denominei de “perigo” no gráfico acima 2.300 – 2.2270, qualquer coisa abaixo deve se evitar. Por outro lado, acima de 2.400 abre se a porta para atingir o primeiro objetivo mencionado acima de 2.450 e, se ultrapassado, tenderia a 2.850” ...


Depois disso, o índice ameaçou ultrapassar a barreira psicológica de 2.400, mas não conseguiu, retraindo-se. O motivo foi a trapalhada de Trump. Agora surgiu uma oportunidade de entrar no mercado com um risco interessante, veja abaixo.


Conforme apontei, sugiro a compra do SP500 da seguinte forma: ½ a 2.340 e ½ a 2.325, com um stoploss a 2.295. Minha proposta contempla um risco de 1,6% para buscar o nível mínimo de 2.450, que resultaria num ganho de 5%. Minha premissa é que o mercado está numa mini correção. Let´s go!

Como vocês podem notar os trades de USDBRL e Ibovespa foram encerrados ontem com um prejuízo grande. Na segunda-feira vou explicar o "slippage risk" que ocorreu neste caso e pode ocorrer em outros. No mínio teve esse efeito educativo.

O SP500 fechou a 2.381, com alta de 0,68%; o USDBRL a R$ 3,2515, com baixa de 3,42%; o EURUSD a 1,1204, com alta de 0,93%; e o ouro a US$ 1.254, com alta de 0,67%.
Fique ligado

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