Inflação: A Revanche

2 de maio de 2017

Sniper


O FED está suscetível a manter as taxas de juros constantes em sua reunião de política monetária nesta quarta-feira, e detalhar sobre quando e como reduzir suas grandes posições em títulos.

O desafio em sua declaração posterior a reunião, será reconhecer a grande quantidade de indicadores relativos ao crescimento econômico que decepcionaram. Desde que se reuniram pela última vez em meados de março, os dados têm sugerido a possibilidade de desvio do caminho, em relação as políticas esboçadas nas reuniões recentes.

Os diretores do FED subiram as taxas de juros na reunião de março para 1%, e indicaram mais dois aumentos de 0,25% este ano. Mais importante também, acreditam que estão no curso de sinalizar no final do ano, que eles começarão a liquidar sua carteira de títulos.

O PIB cresceu a uma taxa anual de 0,7% no primeiro trimestre, uma vez que, os consumidores controlaram seus gastos, apesar do aumento nas pesquisas sobre a confiança das famílias e da alta das bolsas. O relatório não deverá causar muito alarme no FED por considerar esses sinais como temporários. A economia nos últimos anos diminuiu no início do ano antes de pegar velocidade na primavera e verão do hemisfério Norte.

A inflação também enfraqueceu inesperadamente no mês passado. O índice de preços ao consumidor caiu 0,3% em março em relação ao mês anterior, e os preços excluindo alimentos e energia caíram 0,1%, o primeiro declínio dos chamados preços básicos desde 2010. Ontem foi publicado o indicador que o FED utiliza para o estabelecimento de sua política monetária, o PCE, que acabou retorcendo e ficou abaixo de 2% a.a.


Uma das razões foi a queda nos preços de carros usados, e principalmente nos serviços de telefonia celular, função de uma guerra de preços iniciada pela Verizon. O primeiro item, talvez já é consequência de uma mudança das gerações mais jovens, que não compram carros como acontecia com seus pais, o segundo é pelo uso cada vez mais intenso dos aplicativos, tipo WhatsApp, ao invés de ligações telefônicas.


Ainda assim, as autoridades acreditam que a economia está perto do pleno emprego, o que significa que a inflação deve crescer lentamente nos próximos meses. A taxa de desemprego caiu para 4,5%, atingindo seu nível mais baixo em quase uma década. Além do mais, os salários estão subindo como se pode verificar a seguir.


Os membros do FED apontaram em declarações públicas e entrevistas que, quaisquer dados decepcionantes não foram suficientes para alterar sua perspectiva de aumento de taxas. Entretanto, os empréstimos bancários também mostram um cenário mais desafiante nesse sentido.

 
Além disso, os potenciais choques de crescimento do exterior, que forçaram o FED a reduzir seus planos de elevar as taxas em 2015 e 2016, estão em grande parte ausentes até agora neste ano. Um crescimento global mais resiliente faz com que os membros estejam menos preocupados com a última leva de dados um pouco desanimadores.

Com isso, como um pano de fundo, os membros do FED estão confortáveis ​​com as expectativas do mercado sobre sua próxima ação. Os traders nos mercados futuros colocaram uma probabilidade de 63% para uma alta da taxa em junho.

Com a economia em melhor posição, os diretores do FED estão se movendo rapidamente para detalhar como irão abordar a sua carteira de títulos de US $ 4,5 trilhões. Essa discussão começou com seriedade na reunião de março. As autoridades ainda precisam trabalhar com uma série de detalhes técnicos sobre como reduzir a carteira, que foi elevada durante e após a crise financeira, para fornecer estímulo adicional à economia.

O FED quer que sua taxa de juros de referência permaneça como a principal ferramenta para o gerenciamento da política monetária, o que significa que gostariam que a liquidação do balanço funcionasse silenciosamente em segundo plano assim que iniciassem o processo. O relato oficial da reunião de março indicou que as autoridades estavam se inclinando para diminuir gradualmente os reinvestimentos de pagamentos de principal em títulos do Tesouro e hipotecário, mas comentou que nenhuma decisão tinha sido tomada.

Errar na política monetária subindo os juros mais do que deveria tem um efeito danoso a economia, mas não mortal. Como esse é um processo lento, se pode aperceber depois de um tempo que exagerou. Nessa situação, basta reverter o processo e diminuir as taxas. Agora errar no processo de enxugamento de liquidez pode acarretar em prejuízos difíceis de corrigir. Imaginem que se retire mais liquidez que a “necessária”, como corrigir? Seria horrível ter que recolocar novamente essa liquidez, o mercado faria uma interpretação ruim.

Imagino que os diretores do FED saibam bem dessa dificuldade. Para complicar, não existe nenhuma situação anterior para fazer um paralelo. Terão que acertar literalmente na mosca, sugiro contratar um sniper!

Com toda a melhora que estamos assistindo nos últimos tempos, existe um indicador que não mexeu nenhum milímetro em sua trajetória, o M2, conhecido com a velocidade de circulação da moeda. Ninguém parece ter uma resposta para esse fenômeno.


No post e-se...., fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” a maior probabilidade é que o movimento do dólar seja para baixo, porém existe também a de menor probabilidade! A situação política tem se deteriorado fazendo com que a reforma da previdência, que parecia barbada, venha encontrando dificuldades. Só nos resta saber se vai dar o resultado esperado para o dólar nessas situações ou a zebra! ” ...

O dólar rompeu o nosso stoploss e agora estamos numa posição neutra. É importante frisar que não mudei de ideia prevendo que o dólar vai cair. Até o momento, as evidências são de que essa é uma correção mais complexa.


Como indiquei no gráfico acima, o intervalo entre R$ 3,22 – R$ 3,27 será de grande interesse. Caso o movimento de baixa do dólar volte a prevalecer, é nessa área que poderia ocorrer essa mudança. A situação atual não sugere nenhuma posição, e caso decida voltar será com evidencias maiores de reversão não se importando em qual nível. Mesmo que seja abaixo do stoploss, se desvencilhar do emocional e principalmente da raiva, é fundamental para ser bem-sucedido no hard fellings!

O SP500 fechou a 2.391, com alta de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,1525, com baixa de 0,69%; o EURUSD a 1,0925, com alta de 0,25%; e o ouro a US$ 1.256, sem variação.
Fique ligado!

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