Inflação: A Revanche

8 de maio de 2017

Robôs processando humanos!


O mercado recebeu sem nenhum entusiasmo a vitória de Macron como Presidente da França. Tanto a bolsa francesa como o euro recuaram nesta segunda-feira. A famosa frase se aplica novamente “sobe no boato e cai no fato”. Li também alguns analistas comentando que mesmo com uma vitória folgada de 2/3 dos eleitores a França ficará dividida, isso dificultaria as mudanças que pretende realizar, abrindo espaço para Marie Le Pen ganhar a presidência em 2022.

Nos dias de hoje, é possível fazer uma projeção acurada do que vai acontecer nas eleições da França daqui há 5 anos? Acho que é Wishful thinking! Vou considerar um exemplo mais concreto, se voltarmos 5 anos no tempo, o aplicativo Uber nem existia, era um startup vendendo o sonho de otimizar a frota de automóveis que fica ociosa durante o dia. O CEO dessa companhia, numa entrevista recente, apontou os automóveis autodirigidos como a maior ameaça a seu negócio, pois caso essa nova tecnologia prospere, a Uber teria que investir em carros para transportar os passageiros, inviabilizando sua estrutura atual.

Mas não seria somente a Uber, as Companhias de seguro também serão afetadas por essa nova tecnologia. É provável que o número de acidentes caia vertiginosamente, afinal não haverá erros. Mesmo assim, aconteceriam acidentes, pois humanos deverão trafegar pelas ruas. Imagine como ficaria na frente de um Juiz, o robô e o motorista que bebeu umas e outras. Ou pior, dois robôs discutindo quem tinha razão num acidente entre ambos. Precisaria instituir-se o “bytetometro” para verificar quem se excedeu bebendo uns bytes a mais! Hahaha ...  

Nos últimos 6-8 meses, o governo Chinês implantou mediadas para garantir a sua estabilidade financeira. Isso se deu através de 3 medidas: apertou as condições monetárias induzindo alta das taxas de juros interbancárias além de medidas macro prudenciais; restringindo a compra de propriedades; e diminuindo os gastos do governo. Esses passos elevaram os temores que a China entraria num novo episódio de desaceleração de seu crescimento.

Embora as economias dos países desenvolvidos esteão de forma sincronizada, apresentando melhoras em seu crescimento, talvez o temor exposto acima possa ser compensado com essa demanda externa adicional.


As reservas da China, uma informação seguida com muita atenção pelo mercado, cresceu pelo terceiro mês consecutivo. Em abril o total se encontra em US$ 3,0 trilhões. Suas exportações cresceram 8 % em relação ao ano anterior, enquanto as importações se expandiram em 11,9%. Mesmo assim, o país gerou um superávit de US$ 38 bilhões. É de se notar que, na contramão do desejo de Trump, o superávit com os EUA cresceu para US$ 21 bilhões. Mas agora que o Presidente americano virou “amiguinho” do Chinês não deve falar nada. Ele mais parece um tigre de papel!

Várias mudanças já estão em curso na economia chinesa com o objetivo de elevar seu consumo interno. Uma das estratégias que levou a China ao lugar que ocupa atualmente foi sua política de investimentos fortemente centrada em sua infraestrutura. Na área internacional seguia os mesmos passo, porém ultimamente migrou do setor de manufatura para o setor de serviços.


Essa mudança interna não deve acontecer com a mesma intensidade que a externa dado o nível de desenvolvimento que se encontra sua economia. Só para vocês terem uma ideia, o mercado de automóveis interno ainda está em plena expansão e o total produzido em 1 ano já é o maior do mundo. Para atender uma população de 1,3 trilhões de pessoas será necessário muito tempo.


O PMI Chinês parece ter alcançado um nível próximo a um pico, estando num processo de retração em função das mediadas tomadas pelo governo mencionadas acima.


A bolsa de valores vem retraindo desde março, após acompanhar as bolsas internacionais no início do ano em função pelo efeito Trump.


O que acontece na China é sempre muito importante para o mundo. Com uma economia que cresce a níveis invejados por todos, uma desaceleração por lá tem efeitos danosos nos outros países. Os analistas tentam de forma obcecada calcular como anda a 2ª economia mundial. Com acesso limitado as informações, buscam de forma imaginativa esses dados usando informações correlatas. Porém esses resultados estão sempre sujeitos a erros. Mas é dessa forma que os investidores se acostumaram a conviver, e até o momento não se pode questionar a gestão do governo Chinês. Espero que não estejam jogando por debaixo do tapete seus podres!

No post sniper, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” como indiquei no gráfico acima, o intervalo entre R$ 3,22 – R$ 3,27 será de grande interesse. Caso o movimento de baixa do dólar volte a prevalecer, é nessa área que poderia ocorrer essa mudança” ... O quadro se modificou pouco desde essa última postagem, apenas o dólar encontra-se mais próximo das máximas alcançadas ultimamente a R$ 3,20.


Um grande candidato para essa reversão é o nível de R$ 3,225 por conter uma convergência de parâmetros técnicos. No momento não me sinto confortável em alocar um trade sem que haja algum sinal de reversão.

Nessas situações existem duas formas de atuar: primeiro projeta-se um nível de preço, que se atingido, o trade é executado; o outro aguarda sinais de reversão para implementar o trade, naturalmente inferior (no caso de uma venda) ao primeiro caso.

Qual é melhor? Poderia ficar elaborando vários cenários apontando as vantagens de um contra o outro, mas na verdade não existe uma forma única que seja a melhor. Tudo isso faz parte de algo muito importante, a administração do seu risco, ou em outras palavras, quanto está disposto a arriscar. No caso específico do dólar, como a distância entre os preços atuais R$ 3,20 e o nível que considero uma mudança de direção a R$ 3,50 é de aproximadamente 10%. Não estou disposto a ficar amargando prejuízos desta magnitude, caso isso aconteça. Desta forma vou ficar com a última opção.


Eu já tinha adiantado que usaria essa tática no post citado acima: ...” A situação atual não sugere nenhuma posição, e caso decida voltar será com evidencias maiores de reversão não se importando em qual nível” .... É isso aí!

O SP500 fechou a 2.399, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1970, com alta de 0,65%; o EURUSD a 1,0922, com queda de 0,65%; e o ouro a US$ 1.225, com queda de 0,16%.
Fique ligado!

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