2020: O risco vai compensar?

31 de janeiro de 2020

Flash Back mesmo!



Faço uma aposta com os leitores com menos de 40 anos. Algum de vocês já viu (ou sabia que existia) cofres de aluguel nos bancos? Se a estatística der mais de 10% ofereço um ano de subscrição grátis do Mosca com direito a todos os vídeos de Youtube do moscatrend!  

Outro dia estava com minha filha e perguntei quanto ela carregava de dinheiro na carteira para uma eventualidade. Sua resposta foi 0 e disse “isso é coisa do passado”. Num mundo digital onde as transferências se tornam cada vez mais acessível e sem custo, porque haveria alguém de ir a uma agência bancaria, ou caixa eletrônico correndo o risco de ser assaltado para sacar dinheiro?

Mas não é isso que está acontecendo na Europa e principalmente na Alemanha. Os indivíduos cada vez mais estão carregando euros em papel moeda. Mas não somente as pessoas, os bancos ao invés de depositar suas reservas no BCE com juros negativos, preferem manter em espécie.

O volume em dinheiro físico dos bancos alemães, atingiram um recorde de 43,4 bilhões em dezembro, segundo dados do Bundesbank publicados na sexta-feira. Isso quase triplicou o valor em maio de 2014, um mês antes do Banco Central Europeu começar a cobrar por depósitos e aumentar a pressão sobre os bancos já sitiados da Alemanha.


Como a economia enfraqueceu no ano passado diante das disputas comerciais internacionais, o BCE empurrou as taxas ainda mais abaixo de zero para alimentar a inflação na área do euro, tornando ainda mais barato o empréstimo de empresas e indivíduos. Embora os credores também se beneficiem do crescimento, as taxas negativas são uma ameaça para os bancos alemães, porque eles dependem muito dos juros dos empréstimos e ficam com uma montanha de depósitos.

"Hoje em dia é melhor manter os fundos em dinheiro do que estacioná-los no BCE", disse Andreas Schulz, que administra um banco de poupança próximo a Berlim. "Isso apesar do risco, dos custos de seguro e dos problemas logísticos envolvidos. É uma demonstração ridícula das consequências da política de taxa de juros do BCE. "

No momento, não há espaço suficiente para o dinheiro que muitos bancos desejam reter. A Pro Aurum, uma trader de metais preciosos com sede em Munique, recebeu vários pedidos dos bancos para armazenar notas em seus cofres. No entanto, a empresa teve que recusá-los por falta de capacidade.

"As taxas de juros negativas do BCE tornam o armazenamento de caixa atraente", disse Frank Schaeffler, membro do parlamento alemão da oposição Democratas Livres. "Isto é apenas o começo. Se continuar, veremos um boom para fabricantes de cofre e empresas de segurança ".

A aceitação de depósitos para financiar empréstimos está no centro dos bancos, mas os credores europeus estão cheios de liquidez e argumentam que não podem repassar tudo na forma de crédito. Isso os deixa sentados em bilhões de euros que precisam levar ao BCE ou encontrar outra solução.

O Deutsche Bank AG e o Commerzbank AG, os maiores financiadores de capital aberto da Alemanha, também estão enfrentando efeitos colaterais do estímulo da política do BCE. As duas empresas estão buscando reformas radicais e cortando milhares de empregos depois que as taxas de juros negativas e a expansão da tecnologia digital aumentaram seus modelos de negócios.

Isso inclui repassar as cobranças por depósitos a clientes corporativos e ricos. No entanto, é mais complicado - e às vezes ilegais - aplicar a mesma política à grande massa de clientes de varejo.

A Alemanha é duramente atingida porque seus cidadãos economizam mais do que a maioria dos europeus e evitam produtos mais arriscados que recebem taxas bancárias. A taxa de poupança do país ficou em torno de 10% em 2017, quase o dobro da média da área do euro, segundo economistas do Deutsche Bank. No ano passado, os alemães detinham apenas 21% dos seus 6,6 trilhões em ativos financeiros na forma de fundos de investimento, ações, certificados e títulos.


O volume de notas que os bancos estão se poupando é pequeno em comparação com os depósitos que eles detêm, mas a tendência é um argumento para os críticos alemães do BCE, que dizem que as taxas negativas estão atingindo seus limites e não estimulando a economia como os formuladores de políticas pretendiam.

Na defesa do BCE, suas próprias estimativas mostram que, sem as ações políticas mais amplas do banco central, o PIB real na área do euro teria sido 2,7 % a menos no final de 2018. O BCE também reagiu às críticas dos credores alemães, dizendo que os bancos ineficientes deveriam se concentrar na redução de custos, em vez de simplesmente culpar a política monetária acomodatícia por seus problemas.

Os alemães já eram conhecidos por seu amor ao dinheiro físico e à privacidade dos dados. Até 2017, o dinheiro representava mais da metade de todas as transações, de acordo com o Bundesbank. Isso pode explicar por que os credores não são os únicos acumuladores. Indivíduos ricos também estão recorrendo cada vez mais a dinheiro, potencialmente para evitar cobranças em seus bancos.

"Estamos vendo uma demanda crescente por nossos cofres, frequentemente para armazenar dinheiro", disse Markus Weiss, diretor da Degussa Goldhandel. "Essa alta demanda já dura meses e estamos expandindo continuamente nossas capacidades", disse Weiss, cuja empresa vende ouro e oferece aos clientes espaço para armazenar seus objetos de valor.

Outro dia me deparei com um estudo elaborado pela academia, que pretendia taxar o dinheiro em circulação a fim de evitar a corrida que se observa na Alemanha. Um sistema complicado de controle de notas que deveria ser trocada por valores inferiores de tempos em tempos, não passou de um devaneio teórico.

Fico surpreso como o BCE ao invés de se perguntar se cobrar 0,25% a.a. sobre seus depósitos ou não remunerar, faz alguma diferença em termos de incentivar a economia. Se a 0% um empresário não quer se expandir, por que o faria com um pequeno juro negativo? Talvez se o BCE quisesse criar um choque que colocasse a taxa em – 2%, aí poderia medir melhor.

Nessas condições, se a economia se expandir, poderá ser pelo aumento da produção de cofres de valores, ou porque encontrou uma taxa de juros que atraiu os empresários a investir. Sinceramente, acho que aconteceria o primeiro caso.

Como dizia o meu ex-sócio e renomado economista Luis Paulo Rosenberg, para segurar um touro com uma corda basta colocar um número grande de pessoas, agora se ele está largado, pode deixar a corda totalmente frouxa que ele não levanta! O juro tem o mesmo efeito.

Sobre o euro, o gráfico a seguir aponta a queda (desmoronamento) da sua volatilidade. Fiquei intrigado pois motivos macroeconômicos existem de sobra para movimentos mais intensos. A única explicação que merece alguma credibilidade seria a explosão de injeção de moeda feitas pelos bancos centrais ao redor do mundo. É como se um oceano multiplicasse o volume de água sem que acontecesse o mesmo com as embarcações. Só para me desafiar, hoje o euro resolveu se mexer muito (nos padrões atuais!). Subiu 0,53% Uallllll ....


No post seus-dez-mais-dez, fiz os seguintes comentários sobre o juro de 10 anos: ... “Observando o gráfico abaixo, ainda não se pode estabelecer um trade para queda dos juros, pois o triangulo, redesenhado, ainda é possível de prevalecer. Porém conforme os juros recuam, esta hipótese se torna menos provável” ... ... “uma queda seria suportável na hipótese de alta de curto prazo, se for contida no intervalo entre 1,65% - 1,50%, abaixo disso a aposta tem que se voltar para queda, o que acabaria acontecendo prematuramente em relação ao meu cenário base” ...

A opção de queda do juro parece ter ganho preferência, praticamente eliminado a opção de uma alta mais acentuada. Sendo assim, vou propor um trade no sentido de queda dos juros esperando um ponto de entrada um pouco mais elevado que o atual. Minha proposta é vender os juros a 1,65% com stoploss a 1,75%.

Se tivermos sucesso na entrada do trade, e o nível de 1,40% seja vencido, o target passa a ser 0,85%. Se for abaixo disso tenho até medo de anunciar o próximo objetivo!

O suporte de 1,4% a.a. perdura por 8 anos (o que eu denominei de “caixote”), não será nada agradável. Diferentemente do que o Presidente Trump queria, o motivo da queda não será para combater a política de juros negativos da Europa e Japão, mas porque provavelmente a economia americana (e talvez a mundial) não estará em boa forma..

Não vou ficar aqui especulando o que poderá acontecer e sim prestar atenção nos sinais do mercado. Como diz um trader internacional que conheço “preste atenção no mercado de juros, lá estão as melhores cabeças do mercado”.



O SP500 fechou a 3.225, com queda de 1,77%; o USDBRL a R$ 4,2820, com alta de 0,92%; o EURUSD a 1,1093, com alta de 0,57%; e o ouro a U$ 1.589, com alta de 1,01%.

Fique ligado!

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