2020: O risco vai compensar?

22 de janeiro de 2020

Insiders na contra mão



Eu raramente tive informações privilegiadas em minha vida profissional, em alguns dos casos decidi não usá-las pois temia algum tipo de represália. No passado era comum era comum essa prática no mercado brasileiro.

Certa vez, um alto executivo de um banco, detinha em mãos o teor de uma medida a ser adotada pelo governo. Caso fosse implementada, teria impacto sobre as taxas de juros vigentes. Com essa informação, resolveu se posicionar considerando essa informação. Acontece que sua fonte devia ser um dos membros do grupo que participaria dessa decisão.

Esse grupo acabou tomando medidas diferentes que levaram o mercado em direção oposta. Ao receber um exemplar do documento original disse: “está errada eu tenho uma cópia do original”. Acontece que a dele não era assinada e o grupo tomou uma decisão diferente. Como se diz em linguagem coloquial o tiro saiu pela culatra.

A Pesquisa Anual Global de CEOs da Price waterhouse Coopers (PWC) revelou que o pessimismo entre mais da metade dos CEOs pesquisados em todo o mundo é de baixa na economia global.


A PWC pesquisou 1.581 CEOs em 83 países e constatou que 53% projetavam um declínio na taxa de crescimento econômico global este ano. Apenas 27% dos CEOs estão "muito confiantes" de que 2020 será um ano próspero. O número de CEOs de baixa está no mais alto nível desde 2009.


A PWC disse que os resultados são "convincentes porque a mudança na confiança das receitas dos CEOs provou ser um indicador confiável da direção e do nível do crescimento do PIB global no próximo ano".

O estudo foi realizado de setembro a outubro de 2019, publicado quando o Fórum Econômico Mundial começou em Davos, na Suíça, e o FMI divulgou seu relatório cortando o crescimento do PIB global pela 6ª vez consecutiva.

O pessimismo estava em escala global, em todas as regiões do mundo, incluindo África, Ásia-Pacífico, Europa Central e Oriental, América Latina, Oriente Médio, América do Norte e Europa Ocidental. Os CEOs foram os mais pessimistas da América do Norte, com pelo menos 63% indicando que o crescimento global diminuiria nos próximos 12 meses.


A confiança do CEO no crescimento da receita interna nos próximos 12 meses, e 3 anos, juntamente com o crescimento do PIB global, diminuiu nos últimos dois anos para níveis nunca vistos desde a crise financeira. A perspectiva moderada sugere que a economia global está paralisada em um período de baixo crescimento, onde os investimentos dos executivos estão sendo reduzidos à medida que persistem os ventos macroeconômicos.

A PWC fez uma análise de regressão sobre a mudança na confiança do CEO e descobriu que o crescimento global do PIB deverá diminuir este ano.


Em um relatório separado, o presidente do WEF, Borge Brende, alertou que o mundo está "confrontado com uma desaceleração sincronizada da economia global. E também estamos diante de uma situação em que a munição de que precisamos para combater uma possível recessão global é mais limitada".

Outra pesquisa publicada na semana passada, constatou que 97% dos CFOs dos EUA pesquisados pela Deloitte acreditam que uma recessão pode chegar até o final do ano.

O derretimento das ações está ocorrendo quando os executivos estão vendendo ações no mais alto grau em quase duas décadas - ocorre no momento em que os pilares de suporte mais importantes do mercado - recompras - estão em declínio.


Os CEO’s das empresas são os maiores insiders de seu negócio, afinal detém todas as informações relevantes. O mercado de ações diverge desse temor, imprimindo altas diárias. Como essa pesquisa foi realizada antes de alguns eventos importantes como o acordo entre China e EUA, seu resultado poderia ser diferente se realizada hoje. Mas se esse não for o caso, será que o mercado está como o executivo comentado no início desse post, com o “documento sem assinatura”? Hahaha ...
No post 2020-um-ano-de-desafios, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “O Mosca vai manter a posição porem reajustar o stoploss. Sem entrar muito na tecnicidade, eu acredito que o nível de 3.300 será fundamental para identificar se o “Triangulo Maldito” ganhará tração. Caso o mercado ultrapasse essa barreira, na figura abaixo, aponto os novos objetivos” ...


Nessa última semana o SP500 foi direto ao patamar de 3.300 onde se encontra atualmente. Como comentei acima, esse é um nível importante a ser vencido. O cenário “Triangulo Maldito” tem seu momento final, ou acontece agora ou a bolsa americana deve continuar a bater recorde após recorde. No gráfico semanal a seguir está demarcado este ponto.


Por outro lado, o cenário “Bola para frente”, tem objetivos que podem deixar os investidores mais felizes, lógico, os que estão comprados. De imediato, um nível de curto prazo aponta para 3.370 – 3.390, aonde uma pequena correção poderia acontecer. No médio prazo esperem patamares bem superiores.


Tudo indica que o cenário que prevalecerá é o “Bola para frente”, mas é fundamental que o nível atual seja ultrapassado. Caso isso ocorra, vai surpreender muita gente que ainda está receoso e provavelmente vão jogar a toalha, e embarcar nas compras. Esse fluxo deverá impulsionar a bolsa num movimento mais forte, pois estaria entrando na onda 3, a mais potente.

Mas antes de abrir a Champanhe, o nível atual tem que ser ultrapassado, sendo assim, vamos saber em breve o que podemos esperar.

O SP500 fechou a 3.321, sem variação; o USDBRL a R$ 4,1826, com queda de 0,71%; o EURUSD a 1,1090, sem variação; e o ouro a U$ 1.561, sem variação.

Fique ligado!

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