2020: O risco vai compensar?

21 de janeiro de 2020

Qualquer motivo é um motivo



As bolsas ao redor do mundo estão em trajetória ascendente nos últimos meses. Pouco a pouco, o risco de uma recessão foi perdendo força, além dos riscos de uma eventual ruptura do Brexit na Inglaterra e um não acordo parcial entre EUA e China foram colocados de lado.

Como se houvesse uma transformação total, os argumentos negativos são substituídos pelos positivos, e a sensação que começa a prevalecer é que nada pode fazer o mercado recuar. O céu passa a ser o limite.

Um novo vírus apareceu na China, o Wuhan, que levou a morte 6 pessoas e 15 médicos foram infectados. Semelhante ao SARS, as autoridades chinesas confirmaram que o Corona vírus pode ser transmitido por contato humano, e a doença mortal está se espalhando para outras nações asiáticas.

Na Tailândia, Japão, Coreia do Sul, alguns casos foram observados fazendo com que as autoridades temessem as repercussões do SARS em 2018. A consulta sobre esse assunto cresceu muito recentemente.


As bolsas ao redor do mundo se retraíram, e as taxas de juros dos bonds recuaram – se é que existe alguma margem para tanto! Mas será que essa reação dos mercados é compatível com o que ocorreu?

Os leitores do Mosca conhecem uma frase que uso para denotar situações onde parece que nada pode acontecer, a de que “preço não leva desaforo”. Nesses momentos, qualquer ocorrido pode momentaneamente fazer o mercado mudar de direção.

O grande problema que o mundo vive atualmente é a de um crescimento muito baixo. Fico surpreso com a palavra colocada em artigos sobre esse assunto: recuperação. Ë possível considerar que vivemos uma recuperação sobre uma recessão que ocorreu em 2008?  Ou será que o crescimento baixo é o novo normal?


Acredito que vários fatores estruturais são responsáveis por esse cenário, tais como: envelhecimento da população, endividamento dos países desenvolvidos, ruptura tecnológica que ameaçam diversos setores.


O FMI publicou ontem suas novas projeções para o crescimento mundial. A atualização do World Economic Outlook, projeta um crescimento global modestamente superior de 2,9% em 2019 para 3,3% em 2020 e 3,4% em 2021.

Nas economias avançadas, o crescimento deve desacelerar levemente de 1,7% em 2019 para 1,6% em 2020 e 2021. Economias dependentes de exportação como a Alemanha devem se beneficiar de melhorias na demanda externa, enquanto o crescimento nos EUA deve desacelerar à medida que o estímulo fiscal desaparecer.

Para mercados emergentes e economias em desenvolvimento, prevê-se um aumento de 3,7% em 2019 para 4,4% em 2020 e 4,6% em 2021, uma revisão em baixa de 0,2% em todos os anos. O maior colaborador da revisão é a Índia, onde o crescimento desacelerou acentuadamente devido ao estresse no setor financeiro não bancário e ao fraco crescimento da renda rural. O crescimento da China foi revisado para cima em 0,2% a 6% em 2020, refletindo o acordo comercial com os Estados Unidos.


No geral, os riscos para a economia global permanecem para baixo. Novas tensões comerciais podem surgir entre os Estados Unidos e a União Europeia, e as tensões comerciais EUA-China podem retornar. Tais eventos, juntamente com o aumento dos riscos geopolíticos e a intensificação da agitação social, podem reverter as condições fáceis de financiamento, expor vulnerabilidades financeiras e interromper gravemente o crescimento.

A política monetária deve permanecer acomodatícia onde a inflação ainda é baixa. Com a expectativa de que as taxas de juros permaneçam baixas por muito tempo, as ferramentas macro prudenciais devem ser usadas de forma proativa para evitar o acúmulo de riscos financeiros.

Dadas as taxas de juros historicamente baixas, juntamente com o fraco crescimento da produtividade, os países com espaço fiscal devem investir em capital humano e infraestrutura favorável ao clima para aumentar a produção potencial. Economias com níveis insustentáveis ​​de dívida precisarão se consolidar, inclusive por meio de uma mobilização efetiva de receita.

Para concluir, embora haja sinais de estabilização, a perspectiva global permanece lenta e não há sinais claros de um ponto de virada. Simplesmente não há espaço para complacência, e o mundo precisa de cooperação multilateral mais forte e políticas em nível nacional para apoiar uma recuperação sustentada que beneficie a todos.

Mesmo sem comentar situações exógenas com a nova ameaça do vírus Wuhan, que leva o nome da cidade na China onde surgiu, o FMI alerta para a fragilidade que vivemos atualmente. E como de forma paradoxal as bolsas sobem como se o PIB mundial crescesse a 4% a.a. do passado, qualquer motivo é um motivo para a bolsa cair, ou será que a morte de 6 chineses vai afetar dramaticamente o consumo?

No post saindo-do-túnel, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “Resolvi colocar uma sugestão de venda ao nível atual de € 1,11 com stoploss a € 1,12, com a metade do risco habitual, pela pequena convicção” ... Esse trade acabou sendo estopado.


O leitor poderia imaginar que a moeda única finalmente tomou um rumo, depois de 50 dias da última publicação, já deveria estar na hora de se decidir. Falso engano, o euro continua praticamente no mesmo nível, depois da tentativa de alta.

Eu imagino a frustração do chefe da mesa de câmbio dos grandes bancos, ao receber seu bônus de final de ano. Fico com vontade de não acompanhar mais, afinal por que perder tempo. Mas minha experiência mostrou que, esses momentos podem vislumbrar boas oportunidades, pois não sou só eu, que raciocínio desta forma. Em algum momento acontecerá esse movimento.

No gráfico a seguir aponto qual o principal motivo para não desistir. São as 5 ondas completadas conforme destacado em azul.


Uma hora o euro deve subir. O que eu não sei é se vai acontecer a partir de agora, e se a alta será de uma vez ou por etapas. Como vocês sabem, existe sempre um plano B, mas vamos deixar ele de lado por enquanto.

- David, como você pode saber?
Boa pergunta companheiro, observando os movimentos em períodos mais curtos, com gráficos diários ou em escala ainda menor.

Por enquanto, nada feito, nenhuma pista neste sentido. Em todo caso, não vou desistir, podem aguardar que em algum momento vou sugerir um trade. O mais provável é que seja de alta do euro, contra tudo e contra toda a expectativa dos investidores. Embora o posicionamento no dólar se modificou bastante ultimamente, como se pode observar no gráfico a seguir, a moeda única continua paralisada nesse intervalo diminuto.


O SP500 fechou a 3.320, com queda de 0,27%; o USDBRL a R$ 4,2123, com alta de 0,54%; o EURUSD a 1,1081, sem variação e o ouro a U$ 1.558, com alta de 0,32%.

Fique ligado!

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