Inflação: A Revanche

13 de abril de 2015

China: Sinais divergentes

Decidir investir quando os fundamentos e os preços dos ativos seguem uma lógica, é o que se espera numa normalidade. Se além disso, a análise técnica aponta para a mesma direção, é o momento de aumentar as apostas, a probabilidade vai estar a seu favor. Você vai se encontrar nesse cenário poucas vezes, então temos que saber o que fazer quando os sinais não são tão consistentes, é aí que a habilidade do investidor é posta à prova.

Essa situação está acontecendo com a China, enquanto os dados econômicos vêm sendo publicados, piores que o esperado, a bolsa da China, e ultimamente a de Hong Kong, vêm batendo recordes diários. Esse é um caso onde aparece a divergência entre a análise técnica e a fundamentalista. Vejamos alguns dados econômicos: A construção de imóveis tem tido um grande motor de crescimento nos últimos anos, acontece que, o número de propriedades em estoque vem subindo consideravelmente, colocando pressão nos preços.

Uma empresa independente, Capital Economics, publicou o seu índice de atividade para a China, que mostra uma divergência forte sobre os dados publicados pelo governo.
E hoje foram publicados os dados relativos a balança comercial, onde os analistas ficaram chocados! As importações caíram 12,3% em bases anuais e as exportações tiveram uma queda de 14,6%, onde esperava-se um valor positivo de 8,2%. Como consequência, o saldo foi de meros US$ 18 bilhões.
Muitas explicações foram dadas, em virtude de fevereiro ser o mês onde comemora-se o Ano Novo Chinês. Mesmo assim, os analistas não acreditam que esse fato possa justificar tamanho tombo das exportações, o que levanta a hipótese de contração das economias europeias e japonesas, haja visto que foram nesses países que as exportações mais caíram.

Já se espera que o Banco Central Chinês agirá no mercado, diminuindo os juros e injetando liquidez, como pode-se verificar abaixo a evolução das taxas de juros no mercado local.

Tomando-se por base essas dúvidas que pairam sobre a economia chinesa, seria razoável imaginar que as bolsas de valores estariam num compasso de espera, ou até em leve queda, até que tudo pudesse ficar mais claro. Mas não é isso que se vem observando, a bolsa sobe como um foguete.

Venho comentando há algum tempo, que os dados técnicos vinham apontando para uma direção diferente da economia, os economistas tinham dificuldade em analisar o que estava acontecendo por lá. Mas sob uma métrica usada pelos analistas de bolsa, não está tão clara que essa alta, não está corrigindo distorções. 


A verdade é que, do ponto de vista técnico, esta alta ainda está longe de ser considerada uma bolha, mas subiu rápido demais. Observando-se este comportamento, os investidores não acreditam que a China está próxima de uma catástrofe, como alguns economistas vinham alertando, e que na pior das hipóteses irá crescer próximo de 7% a.a. 

O gráfico abaixo, mostra a recuperação em relação as outras bolsas do mundo.



O ouro está com sinais confusos, embora a maior tendência seja ainda de queda, não dá para descartar uma recuperação, no mínimo, parcial. No post usa-crescimento, fiz os seguintes comentários: ...Se você quiser fazer uma aposta pequena, eu sugiro compra a US$ 1.170 e um stoploss US$ 1.135, não tenho muita convicção. Caso o ouro esteja nas mínimas que venho buscando, e subir depois, não fique desolado, teremos muitas oportunidades para entrar... 


Vou manter minha recomendação de compra, sem muita convicção, mas vale o risco. O intervalo é entre US$ 1.182 - US$ 1.172 e o stoploss continua o mesmo US$ 1.135. Neste mundo frenético em busca de algum retorno, o ouro encontra-se largado as traças. Bons tempos aqueles em que era notícia diária de jornal, com recordes diários e projeções de preços à US$ 10.000 a onça. Vamos dar um voto de confiança ao metal, afinal ele merece, ativo secular de valor intrínseco.

- David, virou romântico? 
Não, nada disso, apenas um pequeno marketing! Hahahaha .... Na verdade, o que me motiva é preço, o resto é bobagem.

O SP500 fechou a 2.092, com queda de 0,46%; o USDBRL a R$ 3,1205, com alta de 1,42%; o EURUSD a 1,0566, com baixa de 0,27; e o ouro a US$ 1.198, com baixa de 0,76%.
Fique ligado!

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