Inflação: A Revanche

29 de abril de 2015

Fundo Tarja preta

Na época em que eu estava na Linear, tínhamos uma linha de fundos de investimentos bem exclusivos, para aquele momento. Acredito que nós criamos os Fundos Hedge aqui no Brasil, cuja venda era extremamente técnica e difícil. Resolvemos dar nome de bichos para diferenciar um fundo de outro. Naturalmente, o Fundo Linear Tiger era o mais agressivo.

Em 1996 separamos a área da administrarão dos fundos da área de distribuição, evitando qualquer tipo de interferência um no outro. Nesse momento, eu dividia meu tempo entre as reuniões de alocações de ativos, com o escritório de vendas. Sempre tive uma grande preocupação que os clientes não comprassem gato por tigre, pois ao fizer  a pergunta clássica: "O Sr. deseja investir num fundo que busca um maior retorno, mas que tenha mais risco?" Invariavelmente a resposta era sim, afinal quem não quer ganhar mais?

Eu e o Luis Paulo Rosenberg desenvolvemos um questionário, que buscava identificar qual o nível de risco que o cliente tolerava, e em função da resposta, um programa de computador sugeriria uma alocação de fundos, compatível com o risco identificado. Porém, se na alocação fosse sugerido o Fundo Tiger, era necessária uma entrevista comigo, foi daí que surgiu o termo, Fundo Tarja preta, que hoje é bastante usado no mercado.

Depois de explicar o elevado risco que o cliente corria, eu fazia uma única pergunta: "Você está disposto a colocar mais dinheiro do que você já investiu, se o fundo tiver uma perda superior ao patrimônio?" Lógico que o cliente levava um choque, como perder mais do que investi? É que o Fundo, pelo seu grau de alavancagem em eventos inesperados, poderia ficar com patrimônio negativo. Aí pela sua reação e resposta, autorizava ou não a alocação nesse fundo, e sempre em percentagens baixas.

Mas além disso, era necessário nos certificar que no tempo, a alocação não ficaria desbalanceada. Por exemplo: se a distribuição sugerida era de 50% em fundos renda fixa e 50% em fundos de ações, e depois de um tempo, o fundo ações valorizasse 50%, a proporção do portfólio ficaria muito alterada, com uma parcela em ações superior a sugerida pelo nosso modelo. O nosso homem de IT da época era o Zeca, que tive o prazer de recontra-lo recentemente no corpo docente da FEA, criou um programa de acompanhamento dos portfólios. Quando uma situação dessas acontecia, uma carta era enviada ao cliente, sugerindo que conversasse com seu assessor. lembrem-se que na época não existia internet.

Além disso, o Zeca desenvolveu modelos para calcular o retorno do portfólio, coisas que hoje são comuns, mas que na época eram exclusivas da Linear. Tanto era inovador que, quando a Merrill Lynch, estudou a possibilidade de adquirir a Linear, comentou que esse sistema, era igual ao que eles estavam implantando nos USA. Tenho muito orgulho do nosso trabalho!

- David, está procurando emprego?
Boa, gostei! Não é bem o caso, o motivo é fazer uma introdução ao que está se tornando moda no exterior. Nos USA é muito comum a figura do Financial Advisor, um serviço que é prestado aos investidores, para alocarem suas poupanças, tendo em vista suas características. Acontece que recentemente, este trabalho vem sendo substituído por robôs. Veja a comparação abaixo.

Funciona? Claro que sim, em 99% das situações o robô vai sugerir um portfólio mais eficientemente que o Financial Advisor. Com o poderio computacional atual, o número de fundos existentes, a possibilidade de investir em qualquer parte do mundo, não dá para competir com a máquina. Mais um trabalho que será substituído pela máquina. Mas tem uma situação onde nem ele, nem o Advisor será útil, é nos 1% restantes, ou seja, em situações fora dos padrões. Aí meu amigo, só você pode agir. Esse é mais um motivo para que sempre se estabeleça o stoploss!

Hoje pela manhã foi publicada a primeira prévia do PIB americano do 1º trimestre, veja a seguir.

Que tal, precisa de algum comentário? O pior ainda está no detalhe, um grande volume de estoques foram produzidos, que caso não ocorresse, o PIB seria de - 2,5%. Como vocês sabem, eu escrevo pela manhã e o resultado da reunião do FED é anunciado pela tarde. Mas que esse dado não foi bom, não foi, haja frio para justificar!

No post investimento-5-paus, fiz uma análise sobre nosso trade de euro que fomos estopados. Também comentei: ...a minha ideia que coloquei um tempo atrás, somente acima de 1,105 ou abaixo de 1,045, algo poderá ser feito. Dentro desse intervalo, somente apostas da forma como eu fiz esta última, poucas "fichas"....E hoje o euro ultrapassou o nível superior de 1,105.
Como havia comentado, sugiro a compra do euro no nível atual a 1,1080 com stop a 1,0800, o objetivo é ao redor de 1,14. Vocês são testemunhas que não quis me envolver com o euro na venda nos níveis muito baixos. Não faltaram analistas sugerindo que a paridade era barbada e quem sabe 0,95 ou menos. Não quero dizer que não vai chegar lá, inclusive que, até o momento imagino que este movimento é de correção. Agora, como todo mundo está vendido, e não só no euro mas no dólar em geral, a possibilidade de grandes ordens de stops é elevada, o que pode gerar uma corrida de venda de dólar. Let´s see! 

O SP500 fechou a 2.106, com queda de 0,37%; o USDBRL a R$ 2,9597, com alta de 0,80%; o EURUSD a 1,1129, com alta de 1,35%; e o ouro a US$ 1.204, com queda de 0,60%.
Fique ligado!

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