Inflação: A Revanche

14 de abril de 2015

Revolução Digital

Hoje vou desenvolver um raciocínio do qual não tenho como comprovar, é baseado em pensamentos e observações da era em que vivemos, fica a seu critério e julgamento, aceitar ou não esta ideia. No século XIX o mundo passou pelo que se denomina de Revolução Industrial, onde basicamente novos processos de manufatura foram implementados, substituindo a produção artesanal.

Como é definido no Wikipédia: ..."A Revolução Industrial é um divisor de águas na história, e quase todos os aspectos da vida cotidiana da época foram influenciados de alguma forma por esse processo. A população começou a experimentar um crescimento sustentado sem precedentes históricos, com uma boa renda média."...Durante o processo muitas profissões foram eliminadas para dar lugar a postos novos em fábricas, também acredito que durante o processo, não estava muito claro o que estava ocorrendo, e milhares de pessoas ficaram pobres, ao verem seus empregos não terem mais nenhuma utilidade.

Mudanças como esta, foram tratadas pelo economista austríaco Joseph Schumpter, que descreve o processo de inovação, que tem lugar numa economia de mercado em que novos produtos destroem empresas velhas e antigos modelos de negócios. Em recente artigo publicado por Mohamed El-Erian, toca nesses pontos Creative Self-Disruption, onde enumera os cuidados que as empresas devem ter e estar atentas nos dias de hoje.

É inegável que vivemos mudanças significativas em nosso dia a dia, fruto de novas tecnologias que se sucedem de forma assustadoramente rápidas. Tenho certeza que hoje, ninguém conseguiria viver sem seu smart phone, e é através dele, que todas essas mudanças estão sendo possíveis. Se eu pudesse resumir, diria que ele permite o acesso de milhares de pessoas a novas formas de prover serviços, a custos baixíssimos, eliminando uma cadeia extensa de intermediários.

Poderia prosseguir nesse assunto por horas, mas não é esse o objetivo deste post, e sim, quais as consequências do ponto de vista econômico. Esta nova era que eu chamei de Revolução Digital, tem diferenças muito grandes em relação a Revolução Industrial, enquanto essa última substituía empregos de artesãos para empregos em fábrica, a atual substitui boa parte dos empregos em vários segmentos, por robôs. Agora do ponto de vista de queda de preços dos produtos e serviços, acontece em ambas.

O gráfico a seguir mostra como a deflação está forma enraizada nesses novos tempos.


Outra característica que diferencia esses dois momentos, é o volume de investimentos. Na Revolução Industrial foram necessários a construção de fábricas e máquinas para que os novos produtos pudessem ser produzidos. Agora com exceção do poderio de processamento, onde grande potencial de computação é necessário, o restante são algumas salas e poucas pessoas, para construir negócios que tem valores muito superiores aos negócios que envolvem produtos físicos.

Eu, e talvez ninguém, consegue elencar quais negócios irão sucumbir. Li em vários artigos, que a força americana de trabalho será reduzida à metade, num prazo de 10 anos, e esse prazo é muito curto. Trabalhos menos especializados estão sumindo, esta é a razão de estarmos assistindo o crescimento de jovens que se engajam em grupos terroristas. Ganham uniforme, comida e elevam sua autoestima, motivados pelo marketing desses grupos. Preocupante!

Outro fator, que pode causar desestabilização, é a elevada concentração de renda, que diferente da Revolução Industrial, atualmente gera riqueza concentrada em meia dúzia de "gatos-pingados". Ainda nesse tema, os Bancos Centrais para enfrentar essa era de desafio, implementaram uma política monetária, colocando as taxas de juros em níveis negativos, para enfrentar todos esses processos.


Como isso pode terminar é um exercício especulativo. O que podemos dizer é que, situações semelhantes no passado, geraram guerras. Quero que vocês não me taxem de desumano, em função do raciocínio a seguir, ele é puramente econômico: Se existe mais pessoas que trabalho, e o fator marginal de quem não trabalha é negativo, ou se subsidia esses indivíduos, ou esse excesso de pessoas têm que diminuir. Se o número de pessoas que não trabalha tende a crescer em relação ao número de pessoas que trabalha, a pressão sobre os governantes sobe exponencialmente.

Vou chamar essa tendência de Fator de Desestabilização (FD), e daqui em diante, toda vez que observar movimento nesse sentido, vou citar no texto. Qualquer semelhança com F#D$&, é mera coincidência! Hahahaha ....

O que deveria fazer uma pessoa que têm um portfólio com ações americanas? No post dependência-jurista, fiz os seguintes comentários: ...Os movimentos de mercado começam a afunilar, indicando uma potencial ruptura para algum dos lados. Se for para cima, é possível que o target de 2.200, que venho anunciado de longa data, seja atingido, isso não é suficiente para declarar que novas altas serão vistas, serão necessárias mais evidências. Já, se o índice cair abaixo de 1.980, a possibilidade de novas quedas é real...É natural que esse texto gere uma certa insegurança.


Como o gráfico acima mostra, nesses últimos dias, nada aconteceu que possa dar uma pista para que lado o mercado vai. 

- David, você é muito bem pago para dar soluções e não para deixar indefinido!
Bem meu amigo, posso te dar algumas sugestões do que você pode fazer:
  • Vender a sua carteira, e chupar o dedo, caso o mercado suba mais.
  • Gastar um dinheiro e comprar uma opção de venda, para garantir um lucro mínimo. Sugiro um prazo mínimo de 6 meses, e o valor de exercício, de acordo com o que quer gastar.
  • Vender parte da carteira e comprar ações na China e/ou Hong Kong.
  • E por último, jogar cara ou coroa, para decidir se vende ou não! Hahahaha ...
Fora isso, não posso te dar uma segurança quando a dúvida acabará, e se a bolsa vai subir ou cair. Esta é a situação técnica em que o SP500 se encontra.

O SP500 fechou a 2.095, com alta de 0,16%; o USDBRL a U$ 3,0623, com queda de 1,87%; o EURUSD a 1,0652, com alta de 0,81%; e o ouro a US$ 1.193, com queda de 0,41%.
Fique ligado!

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