Inflação: A Revanche

28 de abril de 2015

FED: Cumprindo a tabela

Amanhã teremos dois Bancos Centrais anunciando o resultado de suas reuniões periódicas, de um lado o FED e do outro o BCB. Vamos começar pelo BCB, a expectativa é de mais um aumento da SELIC em 50 pontos, levando a taxa para a bagatela de 13,25% a.a., e tem mais, o mercado espera mais uma de 25 pontos para a próxima reunião. Eu me pergunto, porque tanta parcimônia, não teria sido melhor no início do ciclo, elevar em 3 x parcelas iguais de 200 pontos, sem juros?! Hahahahaha .... Será que o pessoal não leu Maquiavel?

Já no FED ninguém espera muita novidade para essa reunião, os dados não colaboraram no 1º trimestre. No início do ano, quando a expectativa de crescimento era superior a alcançada, os membros do FED já tinham preparado um discurso importante, a ser feito uma reunião antes da elevação dos juros: "o gato subiu no telhado". Mas vão ter que guardar na gaveta, ou melhor nas nuvens, seus argumentos, pois não será nessa.

A aposta de quando finalmente o início do ciclo de alta de juros começará, foi empurrada pelos economistas para setembro. Enquanto, para o mercado, setembro é um 50% - 50%, e dezembro 100%, como pode-se verificar no quadro de probabilidades, calculado em função dos contratos de taxas futuras, abaixo.


Vejamos a situação dos principais indicadores da economia americana a seguir. Como pode-se verificar, o desemprego caminha no sentido certo, porém a inflação no sentido contrário.

Um pequeno alento no quesito inflação pode-se auferir na pesquisa feita para a inflação futura, que começa lentamente a mover-se para cima.

O mercado detesta dúvidas e, no quesito da normalização dos juros, a decisão vem se arrastando por muitos meses, dando a margem a todo tipo de especulação: se é bom ou não para a bolsa; se os mercados emergentes vão sofrer um tombo; se os títulos do governo americano passarão a ter uma volatilidade enorme; e etc ...Como ninguém tem a menor ideia das consequências, qualquer devaneio acaba tendo alguma repercussão. Pode ser que não aconteça nada, pois de tanta espera, os investidores já estão preparados. É importante frisar que, estamos falando de una elevação de meros 25 pontos, fichinha aqui para nós. Em relação a liquidez, não será afetada em nenhum US$ 1, pois o FED continuará rolando seus títulos no vencimento. Essa sim, a retirada da liquidez, será o grande teste no futuro.

Assim, espero que a reunião de amanhã seja como um jogo entre o Real Madrid e um time de 3ª divisão, onde o resultado já é esperado. Agora, como no futebol, surpresas podem acontecer, como por exemplo, o FED jogar a expectativa de alta mais para frente ainda. Isso só aconteceria, se em sua análise dos resultados do 1º trimestre, a causa não foi só o mal tempo. Mas não apostem nisso, é zebra total!

Um movimento interessante que vêm ocorrendo nas empresas americanas, é a recompra de suas próprias ações, com o caixa disponível. Isso tem um efeito de elevar o lucro por ação, uma vez que o resultado será divido por menos ações existentes no mercado. Esse é mais um efeito do excesso de liquidez que ronda o mundo nos dias atuais, porém, por outro lado, mostra que não existem projetos rentáveis disponíveis, mesmo com juros zero.

Como o assunto nas próximas horas é o FED, vou analisar os juros de 10 anos. No post no-news-is-good-news, fiz os seguintes comentários: ...... Se as taxas subirem acima de 2% a.a., melhora um pouco, mas somente depois de 2,25% a.a., apontado no gráfico como Golden Área, nossas chances de ganho se elevam. Por enquanto continuamos no jogo, mas com poucas fichas!...Desde então o mercado melhorou "um troco", como se diz na gíria. 


Temos um trade, apostando na alta de juros, feita ao nível entre 1,95% - 2% a.a., e é onde o mercado se encontra, neste momento. Como o gráfico acima mostra, tenho dúvidas sobre o movimento a seguir, pode ser uma baixa ou alta dos juros. Deixo a decisão a vocês, se ficar na posição e as taxas caírem ativando nosso stop a 1,80% a.a., o prejuízo será de 1,2%, ninguém gosta de perder. Por outro lado, ficando na posição, existe a possibilidade de um ganho expressivo, desde que, ultrapasse 2,25% a.a., mas antes disso, existe uma barreira importante aos 2,15% a.a.

Ou seja, é uma aposta no curto prazo de 50% - 50%, sem muita convicção, vou ficar fora e considero a operação encerrada.

O SP500 fechou a 2.114, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 2,9360, com alta de 0,58%; o EURUSD a 1,0980, com alta de 0,89%; o US$ 1.211, com alta de 0,74%.
Fique ligado!

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