Inflação: A Revanche

1 de abril de 2015

ECB na contra-mão

Em política monetária o timing é fundamental, agir antecipadamente ou muito depois, pode ocasionar resultados diferente dos desejados. No ano passado, quando os sinais de deflação começaram a ficar cada vez mais presentes na Europa, o Presidente do ECB, conseguiu convencer os alemães que era necessário colocar muitos helicópteros no ar.

As regras são tão complicadas na Unidade Européia que, da ideia até a sua implementação, foram necessários aproximadamente seis meses, seu inicio aconteceu recentemente. Desde então, o euro levou um tremendo tombo e as taxas de juros dos títulos europeus foram abaixo do chão, uma vez que boa parte delas é negativa, exceção a Grécia, é claro.

Eu venho alertando que a situação na Europa reverteu nos últimos meses e hoje a publicação dos PMI's da região confirmam isso:
Espanha: 54.3
Itália: 53.3
França: 48.8
Alemanha: 52.8
Eurozona: 52.2

É verdade que a França ainda encontra-se abaixo de 50, que indica retração, mas também o que se poderia esperar mais desse país, onde os empregados se acham com todos os direitos e sem obrigações?  C'est très difficile!

O nível de confiança já superou as marcas dos piores momentos do ano passado, será que é necessário esse plano de injetar mais de 1,0 trilhão de euros?

Para implementar seu plano o ECB precisa comprar títulos governamentais, porém diferentemente dos USA, as emissões são menores que essa demanda, o que está ocasionando uma compreensão sem limites da taxas de juros europeias.

Como pode-se verificar na tabela acima, o ECB teria que comprar 560 bilhões de euros acima de toda a emissão de bonds, só nos títulos de governo. Assim, qualquer elevação no crescimento, inflação, ou uma alta dramática no preço dos ativos, são motivos que fazem o mercado especular, que dentro em breve, o ECB teria que abortar seu programa de injeção de recursos. Seria um papelão!

Hoje como de costume no início de cada mês, é publicado nos USA o dado do ADP employment report, que serve como um balizador dos dados de desemprego a serem publicados na próxima sexta-feira. O resultado veio abaixo da menor das expectativa, 189.000 novas vagas o menor dos últimos 14 meses.


O grande culpado por esse resultado, foram as grandes empresas que resolveram diminuir suas contratações. O impacto já foi sentido no mercado de juros de 10 anos, com queda, e do ouro, que subiu. Nem sempre, os dados publicados pelo governo são iguais ao ADP, mas é um alerta que, talvez a economia americana não está ganhando momento, como os analistas esperam.

Desde a última vez que comentei sobre o euro no post Yellen-we-don't-know, ele continua sem definição, conforme meu comentários: ...não dá para descartar nada, nem que ele continue no movimento de queda que vinha de algum tempo, nem que uma correção mais extensa e demorada começou....Do ponto de vista técnico, posso colocar níveis para resolver essas dúvidas, abaixo de 1.045 vai mais para baixo e acima de 1,15 a correção começou... Veja o gráfico que publiquei.

O euro fica espremido pelas notícias melhores vindas dos dados econômicos, juros despencando e a Grécia ameaçando não pagar sua dívida com o FMI, que vence no próximo dia 9. Veja o que o Ministro do Interior daquele país declarou hoje: ..."Se nenhum recurso for destinado a Grécia até o dia 9 de Abril, nós primeiro vamos pagar os salários aqui na Grécia e depois pedir aos nossos parceiros para chegar num consenso, e compreendam que nós vamos pagar os 450 milhões de euros ao FMI com atraso"... O euro não sabe para onde ir, ficando no intervalo que mencionei acima.

No momento tudo está confuso na moeda única, depois de ter passado por uma queda forte nos últimos tempos, pode ser que esteja tomando um folego para continuar caindo, ou adquirindo forças para corrigir. Uma informação divulgada pelo Deutsche Bank, dá conta que houve uma reversão grande na posição vendida da moeda única.

Hummm ..., isso não é bom para os comprados, pois a reação nos preços foi pequena! Ficamos então de observadores.

O SP500 fechou a 2.059, com queda de 0,40%; o USDBRL a R$ 3,1685, com queda de 0,85%; o EURUSD a 1,0757, com alta de 0,25%; e o ouro a US$ 1.204, com alta de 1,75%.
Fique ligado!

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