Inflação: A Revanche

23 de abril de 2015

"New Look"

A nota do setor externo, divulgada mensalmente pelo Banco Central, que compreende importantes estatísticas de fluxo e estoque de capitais do Brasil com o resto do mundo, como o saldo em transações correntes, investimento estrangeiro direto (IED), investimento em carteira, dívida externa, reservas internacionais, etc., sofreu uma ampla modificação a partir dessa divulgação do mês de março em conformidade com a sexta edição do Manual do Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimento (BPM6) do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A revisão também capta a nova forma de cálculo do PIB, introduzida pelo IBGE, e harmoniza as estatísticas do setor externo com as de contas nacionais. Desde 2001, essas estatísticas eram divulgadas pelo BCB de acordo com a quinta edição do Manual de Balanço de Pagamentos (BPM5). As séries históricas de balanço de pagamentos sob o BPM5 foram descontinuadas e a série histórica disponível do BPM6 teve início em janeiro de 2014.


As principais mudanças foram no formato da apresentação do Balanço de Pagamentos, nomenclatura de algumas contas e subcontas, novas contas, novos conceitos para contas já existentes, convenções de sinais e incorporação de novas fontes de informação. Por exemplo, a rubrica Investimento Estrangeiro Direto (IED) foi alterada para Investimentos Diretos no País e passa a englobar também os lucros que são reinvestidos no país, bem como o retorno de investimento brasileiro no exterior, além de outras alterações. Juros da dívida doméstica detidos por não residentes, passam a ser incorporados nos dados e novas fontes de informação para a balança comercial. A principal alteração na metodologia, acontece no tratamento dos estoques de ativos e passivos externos. Maiores detalhes a respeito das estatísticas do setor externo brasileiro sob o padrão metodológico, definido pelo BPM6, estão disponíveis em manual BP (BPM6).

Com essa nova roupagem, vamos nos adaptar aos novos critérios para comparações e evoluções de nossas contas externas. Começando pelo déficit em transações correntes que, pela metodologia antiga tinha atingido US$ 91 bilhões (4,19% do PIB), com a nova metodologia (BPM6) aumentou para US$ 104 bilhões (4,43% do PIB) em 2014, ficando por esse critério numa situação mais desconfortável. Tal aprofundamento se deve à conta de renda primária, antiga conta de rendas, que possuem a remessa de lucros e dividendos e remessa de juros como as principais subcontas. Em 2014, a remessa de lucros e dividendos foi de US$ 31,2 bilhões, ante US$ 26,5 bilhões na antiga metodologia. Já a conta de juros ficou em US$ 20,6 bilhões, ante US$ 15,3 bilhões, ao incorporar pagamentos de cupons de títulos negociados domesticamente, mas sob propriedade de não residentes. A balança comercial em 2014 foi deficitária em US$ 6,2 bilhões, contra US$ 4 bilhões no cálculo anterior.


O Investimento Estrangeiro Direto (IED), na metodologia antiga, havia atingido US$ 62,5 bilhões (2,87% do PIB) em 2014, sob a nova metodologia transformou-se em Investimentos Diretos no País e passou para US$ 97 bilhões (4,13% do PIB) em 2014, cobrindo quase a totalidade de necessidade de financiamento externo, dado pelo déficit em transações correntes. Dentro dessa conta, a maior alteração se deu nos empréstimos intercompanhias, que saíram de US$ 15,2 bilhões para US$ 39 bilhões na nova metodologia, principalmente advindas de captações de filiais de grupos brasileiros no exterior. A participação no capital aumentou de US$ 47,3 bilhões para US$ 57,9 bilhões. O investimento em ações, que agora inclui também cota em fundos de investimento, aumentou para US$ 11,8 bilhões, ante US$ 11,5 bilhões em 2014.


Considero essas informações importantes para que vocês não façam uma comparação errônea, ao se depararem com as novas informações de nossas contas externas. Ainda levara um tempo, para que possamos nos acostumar com esses novos critérios. Vamos aos números de março de 2015.

As transações correntes apresentaram déficit de US$ 5,7 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões no mesmo período de 2014, acumulando em 12 meses um saldo negativo de US$ 101,6 bilhões (4,54% do PIB). Na conta financeira, as captações líquidas somaram US$ 5,2 bilhões, destaque para entrada em investimento direto de US$ 4,3 bilhões. Em 12 meses, os ingressos líquidos de investimento atingiram US$ 88,8 bilhões (3,97% do PIB).

As reservas internacionais mantiveram-se no nível de US$ 371 bilhões, com uma redução marginal de US$ 1,1 bilhão, proveniente de ajustes de preços dos ativos, e cotações de moedas.

Como qualquer roupa nova, a primeira impressão é de se estranhar. Nessa nova nomenclatura, aparentemente nossas contas externas pioraram, com a elevação do déficit em transações correntes acima de 4%. Não que esse número não enseje preocupação, é alto sobre qualquer ótica, e estamos na dependência das contas financeiras, onde destacam-se os investimentos diretos e, na nova nomenclatura, o investimento em carteira passivo, que compreendem: investimento em ações; fundos de investimentos e títulos de renda fixa. 

Conclusão: Nosso Balanço de Pagamentos encontra-se, como eu denominei há dois anos, em equilíbrio-instável, mas que continua sendo financiado sem afetar nossas reservas.

O dólar contra o real estava batalhando próximo ao patamar de R$ 3,00, parece que existiam os "defensores" quando tocava nesse nível, porém hoje rompeu esta importante barreira psicológica No post conta-de-chegar, fiz os seguintes comentários: ... Mantenho as mesmas previsões acima, e caso o dólar caia abaixo de R$ 3,02, aumenta a probabilidade de buscar o nível de R$ 2,92...O gráfico a seguir pode explicar melhor o movimento de curto prazo da nossa moeda.

As cotações estão circunscritas dentro do triângulo em azul. Esse é um movimento típico de exaustão, onde atinge o ápice ao romper a linha inferior, como um último respiro. Este nível provável, é entre R$ 2,94 - 2,93, onde a partir daí, o movimento de alta pode ganhar ímpeto novamente. 

Antes que meu amigo dê um aparte, não dá para sair comprando se o dólar chegar lá, e necessário verificar, como ele chega lá. Precisa de combinar com os Russos! Hahahahaha ....

Por sinal, queria comentar sobre as partidas da Taça Libertadores, que horror! Realmente nossos jogadores têm que passar por uma limpeza cerebral. Ontem, o jogador Emerson do Corinthians, passou a perna no adversário, achando que ninguém iria perceber, foi expulso. E o jogador Luis Fabiano do São Paulo, simulou ter levado um tapa na cara, para forçar a expulsão de seu adversário. Tudo isso mais parece futebol de várzea. Como comentei anteriormente, recomendo para quem gosta de futebol, assistir o Champions League. Isso jamais aconteceria por lá, pois a própria torcida, exigiria que seu clube se desfizesse desse jogador. 

O SP500 fechou a 2.112, com alta de 0,24%; o USDBRL a R$ 2,9756, com queda de 1,12%; o EURUSD a 1,0824, com alta de 0,92%; e o ouro a US$ 1.193, com alta de 0,60%.
Fique ligado!

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