Inflação: A Revanche

2 de abril de 2015

Dr. Digienstein

Eu relatei várias passagens da minha vida profissional no Mosca. Em algumas delas enfatizei como o mercado financeiro propiciou oportunidades que hoje não existem mais. Recentemente no post mercados-x-fed, mencionei uma época onde existiu uma enorme arbitragem. Durante minha vida profissional, poderia sintetizar como a transição entre os operadores com "feeling" de mercado, para os técnicos com a "matemática do dinheiro", onde quem sabia fazer contas levava uma enorme vantagem.

Um artigo publicado no Wall Street chamou minha atenção, ou melhor, me fez sentir obsoleto! Uma empresa Two Sigma, que administra US$ 24 bilhões, tem uma forma diferente de escolher suas ações. Num escritório no SoHo em Nova York, onde pode-se cruzar com robôs pelos corredores, dezenas de Ph.D. com formação em astrofísica, imunologia e linguística, acumulam todos os dias toneladas de informações como: newswire, relatórios de lucros, boletins meteorológicos e Twitter. Escrevem algorítimos cujo objetivo é identificar escolha de ações, baseado no que eles denominam "sinais" destas informações.

Two Sigma é parte de uma nova fronteira em investimento informatizado, na qual, cientistas e engenheiros, com pequena formação financeira formal, estão tentando canalizar imenso poder de computação para prever os preços de ativos, baseado em pistas de notícias e dados.

Nesta empresa, a estratégia funciona assim:

Por exemplo, ao determinar como negociar a ação de uma grande cadeia de distribuição, os cientistas e matemáticos concebem dezenas de modelos de computador de comércio relacionado com os estoques.

Um modelo irá automaticamente, por meio das pesquisas dos analistas tradicionais, como eles vêm essa empresa - da mesma forma que faz um analista de banco. Uma outra irá procurar pistas no Twitter. Eles podem identificar como os clientes estão twitando reclamações, e correlacionar com dados que mostram menos pessoas visitando as lojas.

Algorítimos adicionais executaria outras tarefas que os investidores humanos tradicionalmente realizam: Observando rompimento de suportes, resistências e etc ... Ou monitorar se os executivos estão comprando ou vendendo ações.

Cada modelo produzirá sugestões de trade, que passará por um outro algorítimo feito para pesar cada ideia, com base no desempenho histórico de seu modelo e outros fatores. Em seguida um algorítimo de gestão de riscos vai analisar o trade sugerido, para certificar-se que não vai expor demais a empresa. Finalmente, um sistema de execução, coloca a ordem automaticamente.

Contrapondo essa nova forma de tomada de decisão, o artigo conversou com alguns gestores de Hedge Fund, que concluíram que "pseudo-matemática" e "charlatanismo financeiro" estão proliferando em Wall Street. Essa má matemática, escreveram eles, "é uma grande parte da razão pela qual tantos fundos de hedge usando algorítimos e sistemas, não viverão de acordo com as expectativas elevadas geradas de seus gestores".

A Two Sigma tem atualmente 750 funcionários, e para coletar os dados 24 horas por dia, a empresa tem mais de 100 teraflops, com o poder de processar 100 trilhões de cálculos por segundo e mais 11 petabytes de armazenamento, o que equivale a cinco vezes os dados armazenados em todas as bibliotecas nos USA.

Então com que sensação você ficou? Se eu tivesse ainda na área de gestão de recursos, ficaria bastante preocupado. Os comentários de quem não concorda com essa modelagem são previsíveis, uma tentativa de defender seu negócio, mas será que no fundo, não se sentiram ameaçados? Os resultados do fundo da Two Sigma é muito bom, desde 2004, um retorno próximo a 10% a.a., sem nenhum ano negativo.

A ideia não é muito complicada, pois o objetivo é analisar todas as informações que possam afetar um negócio, o difícil é coletar e modelar. Com a possibilidade atual de acessar uma imensidão de informações, será que a sua decisão de investir não fica menos sujeita a erros? E respondendo a um dos críticos desse modelo, um ser humano seria capaz de processar e decidir essa montanha de dados?  Eu dou meu voto de confiança, e acredito que esses modelos serão muito refinados nos próximos anos.

Com um pensamento mais abrangente, se esse sistema parece bom para finanças, por que não seria para a economia real? Se em cada ramo de negócio o CEO pudesse saber: dados da concorrência, mas não quando Inês é morta, o que estão fazendo agora; sobre seus clientes; métodos de produção; e etc ..., em tempo real, não melhora muito seu poder de decisão?

De uma forma simplista é mais um setor onde o trabalho do homem, está sendo substituído pela máquina. Assim, talvez estamos criando um novo tipo de monstro, como o do romance de Mary Shelly, o Dr. Frankestein! Eu só dei uma pequena remodelada no nome para Dr. Digiensetin, assim ele fica mais digital! Hahahaha ... how-computers-trawl-a-sea-of-data.

No post tech-20-return, fiz os últimos comentários sobre o Ibovespa: ...mantenho as mesmas previsões anteriores, 38.000/40.000, até lá, nada a fazer...Não que tenha acontecido nada de muito relevante, mas a bolsa subiu aproximadamente 6%. Pode parecer muito, para quem estava esperando uma queda grande, dado a quantidade de notícias ruins publicadas recentemente. Mas dados passados, não são garantia de dados futuros, vale nesta área também.

Os Chineses resolveram dar uma colher de chá para a Petrobrás e fizeram um empréstimo de US$ 3,5 bilhões, sem balanço, sem nada. Eles são loucos? Ingênuos? Nenhum dos dois, imagino que o colateral desse empréstimo é suficientemente seguro, para qualquer um de nós ter feito a mesma coisa. Mas como dinheiro caro é aquele que não existe, foi uma ótima notícia, e ajudou a empurrar o índice para cima.


Eu calculo que um target para essa mini alta seja ao redor de 56.000. Mas não custa repetir, esta ação está num movimento de correção, onde tudo é possível. Mas não vejo motivos para mudar meu objetivo de mais longo prazo, pois o que vêm acontecendo tem "cara" de correção. 

Amanhã é feriado aqui no Brasil e em todo mundo, porém serão publicados os dados de desemprego nos USA. Acredito que somente os mercados futuros ficarão abertos por lá, então pode haver emoções. Se achar necessário publico, caso contrário, Boa Pascoa! 

O SP500 fechou a 2.066, com alta de 0,35%; o USDBRL a R$ 3,1280, com queda de 1,16%, o EURUSD a 1,879, com alta de 1,10%; e o ouro a US$ 1.201, com queda de 0,23%.
Fique ligado!

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