Inflação: A Revanche

25 de fevereiro de 2016

Ameaças de 2016


Se a Presidente do Brasil e seu amigo "cumpanheiro" lessem o título de hoje, teriam grande interesse em saber se é sobre eles que me refiro, ou outro assunto qualquer. Fiquem tranquilos, não vou falar da operação lava jato e seus derivados. Mas mesmo assim, recomendo-lhes que fiquem bastante atentos, parece que existe um movimento dos "pensadores", classificação que eu criei dos eleitores locais no post Dilma-melhor-opção-para-o-momento, que estão imbuídos a chegar às vias de fato. Como sempre, essas situações são comprovadas nos detalhes.

Um dos hedge funds mais bem sucedidos nos últimos anos, o Two Sigma, realizou uma pesquisa com um grupo de 120 analistas e investidores de Wall Street, a fim de que estimassem qual a probabilidade para nove diferentes "tail risks". Para quem não conhece esse termo, ele significa uma evento que leva os preços fora do intervalo de confiança estatístico de 99%, semelhante o que Nassim Taleb classifica como Cisne Negro. Vejam a seguir os resultados:

A China lidera o quadro com o maior risco de 60%, acreditando que, esse país crescerá menos de 3% a.a.  O segundo evento mais provável, seria uma de crise de liquidez com 56%, ocasionada por uma queda de 20% ou mais em uma ou várias classes de ativos, induzindo os investidores a liquidar suas posições simultaneamente.

Outro subproduto da pesquisa é em relação ao timing, os respondentes acreditam que a possibilidade da China entrar em uma ano num hard lending é de 19%. Enquanto, com 50% de probabilidade, a de um evento de liquidez ocorrer nos próximos seis meses.

Eles esperam grandes quedas nas ações dos mercados emergentes, setor de energia, e numa magnitude menor, as ações dos mercados desenvolvidos, isso se, algum dos três principais riscos apontados aconteçam.

A conclusão que se pode tirar dessa pesquisa, é que existe um alto grau de preocupação em eventos que podem causar grandes estragos nos ativos. Por outro lado, é provável que uma boa parte desse pessoal já liquidou suas posições, o que levaria a uma alta dos mercados, caso esses cenários não se materializem.

Tenho observado uma batalha entre os economistas dos grandes bancos e os investidores, os primeiros juram de pés juntos, que não existe nenhum perigo de recessão nos USA, e que a queda das bolsas é uma boa oportunidade de compra, e do outro lado o mercado age como se esse risco fosse elevado. Veja por exemplo as palavras do economista chefe do Deutsche Bank num relatório recebido pela manhã recent data for consumer spending and industrial production, and the data today for durable goods and jobless claims continues to suggest that the Fed is right and the market is wrong?" Quem está certo?

Alguns dados foram publicados na China, o primeiro que chama atenção é a queda no consumo de energia.


Uma das razões dessa queda, pode ser a mudança nas atividades corporativas para a produção de matérias primas "downsteram" - que requer menos eletricidade.




Por outro lado, a sangria em suas reservas continuam, parece que por bem ou por mal, terão que desvalorizar sua moeda não no "varejo" - pingadinho todo dia, mas no "atacado".


Resumindo, "it doesn´t look nice!"

O comentário técnico de hoje será sobre o Bovespa. Ao buscar a última vez que postei, percebi que já faz alguns dias, isso não significa que não estava acompanhando, afinal temos uma posição que está indo muito bem. No post um-oásis-no-deserto, comentei: ...Não quero que vocês fiquem "excited", não existe nenhuma garantia que de repente não volte a cair. Como anotei no gráfico, somente acima de 43.000, posso afirmar que algo melhor está acontecendo... Naquele momento, o mercado ainda se encontrava a 39.000.

No dia 22/02, depois do anúncio da operação Acarajé, o mercado se animou e chegou a máxima de 43.600. Nesse dia, no post clueless, realizamos lucro na metade da posição e alterei o stoploss para 41.000.

O gráfico acima explica exatamente o que pretendo, se o índice subir até 45.000 podem vender o restante da posição, ou se cair abaixo de 41.000 realizamos um lucro menor. É uma delicia estar na situação atual, como qualquer dos dois resultará ou num lucro excepcional ou muito bom, estamos tranquilos. 

Só existe uma situação que pode estragar tudo, se de um dia para outro a bolsa abrir com uma queda enorme, tipo 10%, aí precisamos fazer as contas. Por esta razão, prefiro trades em mercados que ficam abertos 24 horas, a possibilidade de um evento desses é muito diminuída.

- David, se o índice subir aos 45.000, você espera uma queda depois?
Negativo.

- Então porque você vai vender?
Para poder acompanhar o mercado sem viés e analisar com mais serenidade os próximos passos. Deixa ele chegar lá, que nós conversamos.

O SP500 fechou a 1.951, com alta de 1,13%; o USDBRL a R$ 3,9549, sem variação; o EURUSD a 1,1023, com alta de 0,14%; e o ouro a US$ 1.233, com alta de 0,38%.
Fique ligado!

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