Inflação: A Revanche

26 de fevereiro de 2016

Mayday! Mayday!


Quem é mais velho deve lembrar-se daqueles filmes antigos, quando um navio está afundando e o capitão pega o microfone para pedir socorro: "Mayday!Mayday!" Esta era a palavra usada.

Ontem eu estava com a televisão ligada e acabei assistindo o programa político do PMDB. Para quem não viu, ele teve a participação de inúmeros parlamentares como Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e diversos outros. O objetivo foi relatar com pequenas frases, que muitos erros foram cometidos, e eram necessárias mudanças. Anunciaram o "plano Temer II". Eu imagino o que a Dilma deve ter pensado ao assistir. Conclui que eles devem ter alguma informação de que o impeachment está próximo, e por isso estariam se antecipando à sucessão.

Do outro lado, o PT aproveitou a retirada da Petrobrás na exclusividade da exploração do pré-sal, para se distanciar da Dilma. Amanhã a cúpula petista estará lançando um Programa Nacional de Emergência para pressionar a presidente a mudar sua política econômica. Dá-se como possível sua ausência. Ao tomar ciência dos principais tópicos desse programa, constata-se o que já é sabemos, total desconhecimento dos princípios econômicos básicos. Por exemplo, querem usar as reservas internacionais para a criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento e Emprego. Pessoal, o que é isso, eles não têm a menor ideia de como funcionam as reservas internacionais de um país!

A não ser que queiram que esse programa se realize no exterior, pois caso o programa é interno, é impossível usar as reservas com esse fim!

Com tudo isso, acho que a presidente resolveu tomar um rumo ao se vincular à oposição. É isso mesmo, eu acredito nisso, pois ela deve ter percebido que esta pode ser sua única chance. Agora falta combinar com os Russos! Não acredito que terá sucesso, pois não tem credibilidade para implementar nada, ficará totalmente isolada. Nessas circunstâncias existem três hipóteses: Ficar até o final do mandato, amargando um acúmulo de más notícias crescentes; sofrer o impeachment; ou renunciar.

Devo confessar que, com o desenrolar da operação lava jato, fico com a mesma expectativa de uma telenovela. O capítulo de cada dia traz novidades, é emocionante. Porém tem uma enorme diferença, primeiro que as cenas são reais, por mais impossíveis que pareçam, e segundo novos participantes aparecem a cada dia. Será que vai sobrar alguém que faz seus negócios corretamente, ou minha teoria que se honestidade fosse uma pirâmide, no Brasil seria um trapézio?

Agora a dupla "Santana" que se dizem os entendidos de marketing, parece que no quesito pessoal tem muito a aprender, suas imagens ao desembarcar no Brasil são grotescas! Ao invés de se portarem como acusados que são, posaram sorrindo, como debochando de todos. Hello! Assim vocês aumentam o número de inimigos, que já não são poucos. As explicações dadas por eles e pelo seu advogado são ingênuas de certa forma, ao apontar que erraram ao não declarar os seus recursos no exterior. Mas esqueceram que o que o Moro está querendo, é saber quem fez os depositos.

O que mais chamou minha atenção, é o fato de João Santana ter dito que não sabe de nada, e quem cuida das finanças é sua mulher, deixando a entender que, "eu sou de marketing"! Isso me fez lembrar de uma passagem da minha vida profissional, quando meu saudoso chefe do BFB, Françoise Savina, entra na minha sala um belo dia, e me vê conversando com um diretor de uma Corretora cuja sede era no Rio de Janeiro.

Que me desculpem os cariocas, mas nos anos 80 a maioria dessas instituições financeiras se localizavam no Rio, e a sede dos bancos que lhes davam crédito, ficavam em São Paulo. Ao fazerem suas visitas um bom número vinham vestidos com ternos bege, camisa azul marinho e gravata combinando, esse vestimento era muito diferente dos usados por nós, com ternos azul marinho e camisa branca. Assim, era fácil reconhecê-los, tipicamente "carioca"!

O Sr.Savina, que era um profissional incrível pelo seu senso de humor, competência, e muito respeitado tanto pelos franceses como pelos brasileiros, notou que o balanço desta corretora estava aberto na minha mesa. Se aproximou e escolheu uma linha do demonstrativo e perguntou para o João Flávio, que era o sócio dessa Corretora:

- Savina: O que está contabilizado aqui?
- João Flávio: Puxa Sr. Savina, vou verificar com meu contador, eu sou de marketing!

O Sr, Savina olhou para mim e disse: "corta o crédito dele", virou as costas e foi embora.

Sr. Santana, o senhor é de marketing? Estamos cortando seu crédito também! Hahaha...

A verdade é que o governo está prestes a não conseguir fazer nada. Dentre as alternativas que eu elenquei para a Dilma acima, espero que ela opte pelo Mayday! Mayday! Hahaha...

No post Pelé-e-Coutinho, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ..."O mercado está buscando readquirir o movimento de alta de juros, ficando acima da linha vermelha . Caso isso, aconteça, acima de 1,85% no fechamento,  vale um trade para alta dos juros, com stop a 1,65%. Não é um grande trade, mas arrisque um pouco, metade do normal. Caso volte a cair, o nível de 1,65% e principalmente 1,53% passam a ser cruciais, e aí entra em campo a dupla "Pelé e Coutinho"... Passada uma semana e nada aconteceu, vejam a seguir.



O mercado respeitou os parâmetros técnicos que frisei acima, não conseguiu ultrapassar o nível de 1,85%, nem cair abaixo de 1,65%.  Mas isso não deve perdurar por muito tempo.


Não me recordo de vivenciar uma divisão tão grande entre os economistas e o mercado, com opiniões fortes de ambos os lados, mais parece uma batalha entre eles. Está é a razão dessa falta de rumo que os mercados parecem estar envolvidos no curto prazo. A foto ao lado espelha bem o momento.

O SP500, os juros de 10 anos, o'dólar-dólar', entre outros, todos parecem esperar por algum gatilho. Qual poderá ser, difícil de dizer. Mas algo que não pode ser esquecido, é que, já tem muita gente vendida e se alguma publicação for no sentido de melhora, os mercados podem subir bem.

Aqui no Brasil ocorre o mesmo, como por exemplo: a reação da bolsa de valores, quando o Moro deu voz de prisão a Santana. 

Outro dia, um leitor ficou surpreso com essa alta, e comentou: ..."não entendi porque a Petrobras subiu mais de 10%!"... Minha resposta foi lacônica: ..."muitos vendidos"... Busquei explicar que, quem estava comprando naquele dia não eram investidores que acreditavam que agora tudo iria mudar, mais sim quem estava vendido. Eles fizeram isso, porque a possibilidade de não ter novos vendedores tinha aumentado. 

No jargão de mercado o chamam de "mão fraca", pois ao terminar de zerar suas posições, e caso o temor de melhora não se materialize, voltarão a vender mais a frente. Não é um comprador final.

A posição comprada de EURUSD foi stopada hoje a 1,0950. Voltamos para uma posição neutra.


O SP500 fechou a 1.948, com queda de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,9920, com alta de 0,95%; o EURUSD a 1,0937, com baixa de 0,76%; e o ouro a US$ 1.223, com queda de 0,87%.
Fique ligado!

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