Inflação: A Revanche

23 de fevereiro de 2016

Seduzido pelos números


Antes de começar o assunto de hoje, gostaria de fazer alguns comentários sobre a evolução da operação lava jato e suas ramificações. Faz um certo tempo, que fico intrigado como a divulgação das informações desse caso parece não ter fim, ficava pensando porque as peças iam se encaixando tão bem. A razão seria pela descoberta de novos dados, ou eles são divulgados de maneira estratégica. Talvez uma combinação de ambas. Entretanto é inegável que, o Juiz Sérgio Moro, ao terminar essa mega operação pode ser contratado por qualquer rede de TV como diretor de minisséries de policiais! Hahaha...

Se nós já não temos a menor dúvida que o PT e seus mandantes participaram desse e de outros esquemas de corrupção, imagine o Sérgio Moro e sua equipe. Um caso como esse requer muita diligência e disciplina para não por tudo a perder. Se você se irrita com as declarações do "cumpanheiro" negando tudo, imaginem ele e a sua equipe? Mas de uma forma calculada, quando parece que as coisas vão se acomodando, surge uma nova ação da equipe do Moro.

Ontem não foi diferente, ao decretar a prisão de João Santana e sua esposa.

O tempo é a favor de sua equipe e contra a turma que está envolvida. Imagino que esse pessoal, que está sob suspeita, já não dorme à noite, e devem estar gastando centenas de horas pensando como irão se defender. Algo que eles nunca imaginaram ser possível, era a facilidade como se obtêm as informações de suas movimentações no exterior. Desde que os USA quebraram o tão protegido sigilo suíço, na busca de americanos que ocultavam patrimônio por fins fiscais, esses muros foram derrubados.

Não tenho condições de prever o que esse grupo tem de informações na mão, mas acredito que chegarão à via de fato até a cúpula, para depois anunciar missão cumprida. O que não sabemos é como os acusados irão reagir e nem como será a reação de seus seguidores. Mas a cada dia que passa ficam mais fraco, tanto pelas revelações divulgadas, bem como, o aprofundamento da recessão, que vai tirando a esperança da população no governo.

Um estudo foi feito a fim de responder se investir em ações no longo prazo é rentável. Para esse objetivo construiu-se um índice contínuo do SP500 e calculou-se os retornos de investimentos mensais feitos por 10, 20, 30 e 40 anos. Veja a seguir os resultados.


Impressionante, se você fica na dúvida para um período de 10 anos, alguns deles apresentando resultados visualmente negativos, o de 20 anos são quase sempre positivos, e em 30 e 40 anos não restam dúvidas, é lucro na certa.

O próximo gráfico é o xeque mate, pois demonstra que desde 1871, sua chance de ter perdido seria mínima, mesmo considerando períodos de 10 anos.


Pode ser que depois de ler este post você é levado a pensar: "Que Mosca que nada, vou investir na bolsa hoje e é só esperar para colher os lucros, se não vier em 10 anos, virá em 20, 30 ou 40, mas é só não entrar em pânico".

Devo confessar que é sedutor. Mas antes de pegar o telefone, ou o computador, pense nos seguintes aspectos, e se estamos entrando num mercado de baixa e a bolsa cair 50%, vai esperar 40 anos numa boa? Duvido, é bem provável que você liquide a posição muito antes.

O chavão que todo fundo coloca em letras minúsculas no final do prospectos, é válido sempre:
Resultados passados não são garantia de resultados futuros.

Acho que quem escreveu este artigo deveria fazer duas coisas, primeiro comparar com um investimento em títulos de renda fixa de longo prazo, ajustando ambos pela volatilidade, e segundo perguntar se existe alguém que seguiu a risca esta recomendação.

No post conselhos-sem-risco, acrescentei mais um cenário para o dólar: ...Notem que as cotações, ao se aproximar da linha azul, não caíram abaixo dela, isso se denomina suporte. Assim, poderia estar se formando uma figura já bem conhecida por vocês, o triângulo, que tende a romper na mesma direção do movimento anterior, que no caso é para cima...



Com a novas revelações da operação Acarajé, o dólar caiu quase 2%. Alguns leitores me perguntaram qual era a minha opinião. Primeiro reafirmei que eu não tenho inside information, depois que a resposta é simples - preço! 

Eu entendo o mercado ficar animado com a possibilidade do processo de impeachment da Presidente, mas mesmo que isso aconteça e se coloque o Armínio Fraga no dia seguinte como Ministro da Fazenda, imaginem a batalha para mudar as contas públicas como a previdência, salário mínimo, lei trabalhista e assim vai. Serão anos de trabalho, cujos resultados viriam à longo prazo. Do ponto de vista psicológico é como a história do bode, mas do ponto de vista real, muito pouco pode-se fazer no curto prazo.




O dólar está testando a reta azul, o que já é positivo para um dos três cenários que estou trabalhando - vide post citado acima, pode estar completando o triângulo que mencionei acima. Somente abaixo de R$ 3,85, aumentam a chance dos outros cenários.

Quero lembrar que o ambiente interno político tem influência no câmbio, tanto positiva como negativamente, porém não se pode esquecer da força do 'dólar-dólar' - DXY, que até agora mantém-se dentro de um intervalo entre 96 -100. 


Não é para menos que escolhi o tema de 2016 US$ the return? O que acontecer com o dólar terá impacto em todos os mercados de câmbio, principalmente os emergentes. Dentro dos três cenários vislumbrados no post - "Brochou", "By the books", "Behind the Curve", nenhum ainda se destacou.


Para quem tem compromissos em dólar, recomendo seguir sem emoções e sem viés o desenrolar das cotações, e não se prender às notícias.


O SP500 fechou a 1.921, com queda de 1,25%; o USDBRL a R$ 3,9553, com alta de 0,24%; o EURUSD a 1,1016, sem alteração; e o ouro a US$ 1.226, com alta de 1,51%.

Fique ligado!

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