Inflação: A Revanche

24 de fevereiro de 2016

Letargia


Um dos subprodutos da operação lava jato, é a paralisia do país. O governo está sendo acusado de corrupção por todos os lados, seu objetivo no curto prazo é buscar defesa a qualquer custo. Consequentemente, os políticos encontram-se de forma semelhante, procurando apoio as suas demandas para não cair, ou buscando formas de substituir a Presidente, o que pode acontecer num cenário de impeachment. Do ponto de vista econômico, muitas ações são necessárias, o déficit público é prioridade número um, mas quem poderia fazer algo nesta situação? Ninguém! É como um transatlântico afundando lentamente.

Nos meios de comunicações e redes sociais, vejo manifestações de empresários e cidadãos com discursos otimistas, um basta para a postura negativa, vamos mudar. Acho válido e verdadeiro, afinal só com mudanças poderemos ter mais esperanças de ver o Brasil num rumo melhor. Mas neste momento considero essas ações como espasmos, pois enquanto não forem enfrentados esses desafios de frente, por um governo disposto, com credibilidade e competência, é como aquela série antiga de televisão Missão Impossível, só que o final nunca acaba bem.

- David, mas que pessimismo?
Diria realismo, e enquanto a sociedade não se empenhar firmemente nestas mudanças, não tem como a situação melhorar. Infelizmente, terá que piorar ainda mais!

Ontem foram publicados dados da inflação e das contas externas. Como vem acontecendo todo mês, o primeiro pior que as expectativas, e o segundo melhorando. Começo pela inflação.

Como já é de conhecimento, o índice do mês de janeiro ficou em 1,42%, acima da taxa esperada pela maioria dos analistas. Com isso, a taxa de doze meses segue acima dos dois dígitos a 10,8% a.a. Quando isso acontece, sempre têm um vilão e nesse mês foram os alimentos. Sem entrar nos detalhes, eu sempre busco avaliar duas estatísticas, a taxa de difusão que indica como a elevação de preços está afetando cada um dos itens que a compõe, e a evolução dos preços livres, que deveriam ter um comportamento afetado mais pela lei da oferta e demanda.

A taxa de difusão voltou a subir em janeiro atingindo o nível 77,5%, próximo das máximas históricas. A média de três meses também mostra uma aceleração.


Os  preços livres apresentaram maior variação na margem (de 0,92% para 1,43%), pressionando a taxa de 12 meses, que passou de 8,6% para 9,1%.


Por enquanto, para os que projetam um recrudescimento da inflação, os dados do IPCA apontam em outra direção, que na melhor das hipóteses seria de uma certa estabilidade em dois dígitos. Assim, parece que, o que eu denominei de "efeito BFB" no post eu-serei-você-amanha, parece estar acontecendo.

Já nas contas externas o movimento de diminuição dos déficits continua. O saldo do mês passado foi de US$ 4,8 bilhões muitas vezes inferior ao de início de 2015 que atingiu a cifra de US$ 12, 2 bilhões. Como consequência o acumulado encontra-se muito perto de US$ 50 bilhões, mais exatamente US$ 51,6 bilhões, retrocedendo abaixo do número mágico de 3% do PIB - nível esse que o mercado internacional considera sustentável para um país.


As contribuições para essa significativa redução de quase 50% do pico atingido há um ano, foram a balança comercial que acumula um superávit de US$ 21,2 bilhões nos últimos 12 meses, uma diminuição na conta de serviços que apresentou um déficit de US$ 34, 7 bilhões, também em 12 meses, e a conta de rendas com um déficit de US$ 40,9 bilhões.

De uma maneira geral tudo caminha no sentido positivo, a balança comercial ruma para um superávit estimado neste ano de US$ 40, 0 bilhões, câmbio é câmbio! Na conta de serviços, os fretes internacionais, despesas de brasileiros no exterior que apresentou um saldo negativo de somente US$ 190 milhões, afetarem positivamente nesta rubrica, enquanto o aluguel de equipamentos mantém uma tendência de crescimento com elevação marginal. Já a conta de rendas, que inclui pagamento de dividendos e juros, apresenta uma trajetória declinante.


Apenas a rubrica de investimentos diretos sozinha, já foi suficiente para financiar todo o déficit, com entrada em 12 meses de US$ 74,8 bilhões. Destaca-se também uma saída no mês da conta de investimentos em carteira de US$ 2,3 bilhões, principalmente em títulos de renda fixa. Mas melhor assim que ao contrário, onde dependeríamos mais de recursos especulativos de curto prazo.

Eu aprendi neste anos de mercado que os estrangeiros que investem em títulos de renda fixa e ações são exatamente iguais a prostitutas, "se pagar leva, se não estou fora". Vocês podem estar certos que, do mesmo jeito que estão saindo, basta algo de positivo acontecer que eles voltam correndo. Já os que realizam investimentos diretos tem uma postura de longo prazo.

 As reservas internacionais mantêm-se intactas há vários meses em US$ 370 bilhões, eu até já decorei esse número, o que não é fácil na minha idade! Hahaha...

A conclusão é que caminhamos para resultados na margem menos preocupantes, a Rosenberg calcula que em 2016 vamos fechar com um déficit em contas correntes de US$ 30 bilhões, equivalente a menos de 2% do PIB. Acredito que seja essa a razão de certa calmaria no câmbio, mesmo com todos os problemas que enfrentamos. Se a situação melhorar daqui em diante, é isso só seria possível com uma mudança do governo, uma revoada de recursos estrangeiros viriam para nosso país, caso contrário, vamos continuar observar uma repetição do mesmo, inflação resiliente e contas externas melhores. Uma letargia!

No post feliz-2016, eu sugeri uma ordem de compra de ouro a US$ 1.190: ...Minha sugestão é comprar o metal a US$ 1.190, com um stop a US$ 1.140. Notem que, com o aumento da volatilidade, os stop ficam maiores em termos percentuais, levem isso em consideração quando definirem o tamanho de suas posições... Alguns dias depois, mais especificamente no dia 16/02, o ouro chegou a negociar na mínima a US$ 1.190,40, quarenta míseros centavos acima! Desde então vem negociando com pequenas altas e baixas, porém, hoje está subindo mais forte, aproximando-se da máxima recente de US$ 1.261.


No curtíssimo prazo temos duas hipóteses a considerar: A) Irá ultrapassar os US$ 1.261 e aí sugiro cancelar a ordem antiga e comprar a US$ 1.265, com um stop muito curto a US$ 1.245. Esta é uma aposta que o metal estaria completando a onda 5 (para quem acompanha Elliott Waves); ou B) Ainda irá cair e ai sim mantemos a ordem original de compra acima.

- Puxa David, que azar?
Com certeza não foi a única vez e nem será a última. Minha sugestão é: esqueça! Isso só pode te atrapalhar, pense que o trade estava na ponta certa, e isso é muito mais importante. Bola para frente!

Ao tomar conta do fechamento do mercado, decide deixar minhas recomendações da manhã, com caráter educativo. Muitas vezes, em situações semelhantes, onde queremos comprar um ativo à um preço determinado, porém esse ativo sobe e a ordem não é completada. Do ponto de vista emocional temos a sensação que perdemos o barco. Para isso não acontecer, somos tentado a dar uma ordem de compra a mercado, e f#@a-se! Eis que de repente, o mercado vira e fecha próximo ao fechamento de ontem.

Veja a seguir a diferença entre a abertura, gráfico acima e o fechamento a seguir, nas cotações de hoje.

A lição que fica hoje é: Nunca deixe de seguir as regras estabelecidas em análise técnica por "palpites"! Em função do movimento desta tarde fica cancelada a compra a US$ 1.265, e permanece a original a US$ 1.190.

O SP500 fechou a 1.929, com alta de 0,44%; o USDBRL a R$ 3,9575, sem variação; o EURUSD a 1,1008, sem variação; e o ouro a US$ 1.229, sem variação.
Fique ligado!


Nenhum comentário:

Postar um comentário