Inflação: A Revanche

19 de fevereiro de 2016

Pelé e Coutinho

Eu lembro das imagens capturadas durante a Tsunami que ocorreu em 26 de dezembro de 2004, cujo epicentro foi na costa da Sumatra, na Indonésia, causando a morte de 230.000 pessoas. Ondas de até 30 metros de altura atingiram a costa de 14 países diferentes, ao longo da maioria dos continentes banhados pelo Oceano Índico. Assustador!

Em finanças também se usa esse termo quando existe uma crise que envolve muitos mercados e/ou países. Pode-se dizer que, a recessão de 2008 foi uma delas. Mas a distribuição dos prejuízos não foi igual entre os detentores de títulos de renda fixa e ações. Com exceção do Banco Lehman Brothers, ninguém que tinha uma aplicação em renda fixa perdeu dinheiro, ao contrário, o prejuízo foi enorme  para os detentores de ações.

Essa segmentação foi possível graças a intervenção do governo americano, que não permitiu que houvesse a quebra de várias empresas e bancos.

Passados oito anos, a economia americana não conseguiu se recuperar como se havia planejado, e o que é pior, a crise se alastrou para outros países desenvolvidos. Nesse período, os BC's usaram e abusaram dos helicópteros, a forma figurativa que o Mosca usa para a injeção maciça de liquidez.

Recentemente, inúmeros analistas vêm alertando para o risco de uma nova crise, que se concretizada, desta vez não pouparia ninguém, uma vez que, a credibilidade das autoridades monetárias encontra-se em cheque. As argumentações para quem acredita neste cenário são diversas, e um dos analistas publicou dois gráficos que compara movimentos de ativos atualmente como seu similar em 2008.

Inicialmente, a trajetória do SP500 nas duas ocasiões.


Em seguida, a evolução das ações do Banco Lehman Brothers com as do Deutsche Bank.


A intenção deste analista é clara, quer induzir o leitor que a história irá se repetir. Mas isso é suficiente para vender tudo? Não! Mas pode-se ficar tranquilo que não irá acontecer? Não!

Uma Tsunami real, ocorre após um movimento sísmico. Existe assim, a possibilidade de se prever, inclusive o tempo que demora para atingir a costa. Em 2004, por falta de meios de comunicação nesses países, foi elevado o número de mortos. Já no mercado financeiro não é assim, não existe um acontecimento que acende uma luz de perigo. Normalmente é um processo que vai evoluindo e de repente não dá mais para segurar, o efeito comportamental ganha uma dimensão que se torna incontrolável.

O que poderia nos proteger nestas situações? Um estudo interessante mostra que o ouro pode ser um bom porto seguro em situações importantes de eventos macro. Como o gráfico abaixo aponta, cinco entre sete eventos deste tipo, o ouro ficou entre a primeira ou a segunda melhor performance.


Entretanto, se vocês observarem melhor existe uma outra classe de ativo que se valorizou em todas as ocasiões, são os títulos do governo americano.


Partindo desses resultados passados, deveríamos ter todos nossos ativos em dólares aplicados em títulos do governo americano e ouro. Eu particularmente não gosto muito destas receitas de bolo, o fato de ter funcionado no passado não significa que vá funcionar agora, além do mais, o mundo está muito diferente hoje.

Prefiro acompanhar tecnicamente e observar o que o mercado está fazendo desta vez. Por enquanto, não vejo nada alarmante, porém houveram movimentos tanto nos títulos do governo quanto no ouro, que merecem acompanhamento de perto. O mercado parece estar dando sinais que, se a crise vier, a dupla "Pelé e Coutinho", nome que vou usar daqui em diante, dever funcionar de novo.

Para quem não conhece, nos anos 70, esta era a dupla de área do Santos. Mesmo o Coutinho não tendo uma forma física desejável, era bem gordinho, espalhava o terror na defesa dos adversários. Que saudades, do Santos é claro! Hahaha...

Outro detalhe, veja que como o uniforme fica mais bonito sem nenhuma propaganda, hoje eles mais parecem outdoors!

No post o-castigo-financeiro, ao comentar sobre os juros de 10 anos, fiz alguns alertas importantes: ...
A situação é dramática, ou as cotações se recuperam rapidamente acima de 1,65%, ou os objetivos que coloquei... - o próximo ponto seria 1,1% a.a., que se não for contido, rumaria para 0,60% a.a., passam a ser válidos... ...Talvez estejamos entrando num momento que, ao invés de nos preocuparmos, com qual será a rentabilidade de um investimento, temos que nos preocupar com o retorno do investimento, literalmente...


O mercado está buscando readquirir o movimento de alta de juros, ficando acima da linha vermelha. Caso isso aconteça, acima de 1,85% no fechamento,  vale um trade para alta dos juros, com stop a 1,65%. Não é um grande trade, mas arrisque um pouco, metade do normal. Caso volte a cair, o nível de 1,65% e principalmente 1,53% passam a ser cruciais, e aí entra em campo a dupla "Pelé e Coutinho".

Hoje o EURUSD negociou na mínima a 1,1064, ficando dentro do intervalo que propus um trade de compra haraquiri-em-finanças - 1,105/1,1075, vou considerar 1/2 da posição. Em relação ao trade do índice Bovespa, sugiro liquidar 1/2 da posição a 42.500, caso este nível seja atingido.



O SP500 fechou a 1.917, sem variação; o USDBRL a R$ 4,0199, com queda de 0,17%; o EURUSD a 1,129, com alta de 0,23%; e o ouro a US$ 1.227, com queda de 0,35%.
Fique ligado!

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