Inflação: A Revanche

3 de fevereiro de 2016

Europa se recupera na moita

Se as informações fossem somente as declarações do Mario Draghi - resolvi retirar seu status de Super Mário, afinal voltou a ser como qualquer outro Presidente de Banco Central, poder-se-ia imaginar que a Europa estava fadada a afundar. Esta seria a conclusão, haja visto que das reuniões do ECB tendo sido em sua maioria, ameças de mais corte dos juros.

É verdade que os resultados ainda deixam a desejar, mas não parece de longe a situação catastrófica de anos atrás, onde o desemprego era crescente, além da possibilidade concreta da saída da Grécia.

Mas a realidade tem mostrado melhoras em alguns indicadores, enquanto outros persistem como problemas. Vejamos inicialmente a taxa de desemprego.

Como um todo, o nível é ainda elevado, porém vem retrocedendo constantemente, e a publicação deste mês foi marginalmente melhor que o esperado. Em uma análise segmentada por país, nota-se uma disparidade enorme entre a Alemanha, o país de maior peso dentro da Europa e os países do Club Med - Itália, Espanha e Portugal. Mesmo a França tem uma taxa de desemprego de 9,5%.


Do ponto de vista de produção também se observa uma melhora, conforme pode-se verificar a seguir.
A desvalorização do euro iniciou-se no final de 2011, quando a moeda única atingiu a cotação de 1,50. Ganhou mais impulso a partir de 2014, com a implementação do programa de injeções maciças de liquidez e política de juros negativos. Os efeitos econômicos começaram a ser visíveis desde então.

Porém, uma contra partida dessa política é a importação de deflação dos outros países, uma vez que os produtos importados tornaram-se mais baratos em euros. Como pode-se verificar a seguir, seu impacto foi maior na inflação dos preços ao produtor. Naturalmente, o petróleo também teve seu fator de contribuição.


Estabelecer uma mesma política monetária para países com características tão distintas, é praticamente uma missão impossível. Enquanto na Alemanha tudo está muito bom, os seus vizinhos enfrentam enormes problemas de desemprego, gerando revolta na população. Essa é uma situação que não será corrigida por muito tempo, pois necessitaria que os países em situações piores, tivessem um índice de produtividade muito superior ao da Alemanha, o que não parece ser possível sem reformas estruturais profundas.

O risco maior é a inflação subir a níveis indesejados, provenientes da Alemanha quando a sua taxa de desemprego atingir níveis de pleno emprego, o que não parece tão distante. Nesse momento, o Bundesbank vai fungar na orelha do Draghi. A memória dos alemães do período de hiperinflação ainda é latente, e se isso acontecer, aí sim será o momento da verdade para a moeda única. Quem vai abandonar quem?

O SP500 ficou sem uma atualização desde que publiquei minhas projeções para 2016 sp500. No cenário que contemplava a queda, fiz os seguintes comentários: ...O primeiro indicador seria uma queda até 1.900 que, se ultrapassada, levaria o SP500 para 1.850, depois 1.750 e por último 1.650...
Neste último movimento de queda a mínima atingiu 1.810, e recuperou-se nestas últimas duas semanas. Mas os próximos movimentos continuam incertos.
Embora não se possa afirmar com segurança se o SP500 completou uma correção ao cair até 1.810, ou se ainda esse processo continua em andamento. O que se pode afirmar é que, a queda deve ser muito mais perigosa que uma possível alta. Explico-me melhor, depois de completar sete anos de altas, uma queda neste momento poderá ser mais profunda, enquanto a alta deve ser mais moderada.

O nível que deve-se redobrar a atenção é 1.810. Na alta, acima de 1.970, dará sinais de mais estabilidade. Nos preços atuais não sugiro nada, porém se você tem posições em bolsa, tenha cautela.

O trade proposto ontem a-economia-da-felicidade  de compra de euro foi ativado: ...vou propor um trade de compra de euro, caso a cotação ultrapasse  a linha verde superior - >1,095, com stop a 1,08... Como a alta foi expressiva hoje, já se pode elevar o stop para 1,09. É importante notar que, não foi só contra o euro que o dólar caiu, e sim contra a maioria das moedas, com queda no DXY de 1,67%.

O SP500 fechou a 1.912, com alta de 0,50%; o USDBRL a R$ 3,8944, com queda de 2,35%; o EURUSD a 1,1110, com alta de 1,78%; e o ouro a US$ 1.141, com alta de 1,15%.
Fique ligado!

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