Inflação: A Revanche

11 de fevereiro de 2016

O castigo financeiro


Para quem tem filhos, sabe que nem sempre o castigo é a melhor forma de educar. Em minha opinião, o assunto é polêmico, pois para educar é necessário que sejam destacados os erros que a criança comete. Agora, qual o castigo a aplicar? Naturalmente depende da gravidade. Não existe um modelo padrão a se adotar, depende de cada caso.

Estamos acompanhando um momento nunca antes visto nos mercados, pela quantidade de países com taxas de juros negativas. Basta verificar na figura abaixo, o número de consultas no Google.


Num dos posts iniciais do Mosca, comentei quando-juro-zero-é-um-bom-investimento,  situações deflacionárias. Também disse que, um BC pode diminuir os juros pelo bom motivo, quando a inflação retrocede, ou pelo mau motivo, para ativar a demanda. Não preciso dizer que o que estamos vivenciando hoje em dia, é pelo mau motivo, ou melhor, péssimo.

Outro dia vi um estudo do JP Morgan que calcula até que nível de juros negativos, cada um dos BC's podem chegar. Acredito ser um bom exercício de matemática, porém não fornece nenhum indicador de como pode ser a realidade daqui em diante, uma vez que, entramos naqueles momentos onde o comportamento dos investidores conta mais que a lógica.

A Presidente do FED esteve no Congresso americano ontem e buscou deixar o campo livre para qualquer lado, ou continuar subindo os juros ou estancar o movimento. Tanto é assim, que várias interpretações surgiram por parte da imprensa, com entendimentos díspares. Em minha opinião, é como se ela pudesse dizer: ..."Não sei, po##a!"

Já os mercados futuros nos USA, apontam para mais um aumento até o final de 2017, não errei não, é 2017 mesmo. Outra estatística que vem ganhando destaque por lá, é o calculo feito através do mercado de opções de juros, em qual seria a probabilidade dos juros ficarem negativos, também ao final de 2017.


O FED ainda tem um problema legal, pois a legislação diz que, "o FED pagará juros pelos depósitos feitos pelos bancos". E como fica se os juros forem negativos? Também, quem fez essa lei poderia imaginar este cenário?

Mas será que a política de penalizar quem poupa, resolve o problema? Quando a queda é pelo bom motivo, e nesse caso jamais poderia se esperar um nível abaixo de zero, provavelmente vários projetos que não eram viáveis antes da queda, passam a ser. Desta forma, os investimentos tendem a crescer e a economia volta a acelerar. Porém, quando os juros se tornam negativos, é porque já existem poucos projetos rentáveis e os que existem não são atrativos a taxa nenhuma.

Os BC's estão numa luta desesperada, em busca de evitar quebradeiras de empresas e agora os bancos também entraram no rol. Depois do comentário sobre a situação do Deustche Bank no post o-mercado-parece-uma-barata-tonta, suas ações não param de cair, arrastando junto outros bancos europeus. Mas, como no caso das crianças, nem sempre o castigo imposto funciona, e no caso dos juros negativos, não acredito que será suficiente para "empurrar" os investidores para assumirem risco. O que está mais parecendo é que, os BC's estão perdendo a credibilidade!

No post juros-de-10-anos, tracei dois possíveis cenários para os juros de 10 anos americanos. Alertei que: ...A configuração técnica dos juros de 10 anos deixa totalmente aberta a possibilidade de uma alta ou de uma baixa... 

Com as recentes quedas, estamos adentrando no cenário que denominei de "Don´t Even think": ..."Vocês estão sentados? Agora veja o que poderia ocorrer. Ao romper inicialmente o nível de 2,0% a.a., o próximo ponto seria 1,1% a.a., que se não for contido, rumaria para 0,60% a.a. Como os juros já perderam a vergonha de ser negativo, não posso deixar de mencionar o último ponto a -0,90% a.a"...


Mais recentemente eu publiquei no post quanto-mais-pode-cair: ...O nível de juros aproxima-se perigosamente do nível de 1,90% que, se rompido, expõe a uma área de alerta máximo, pois abaixo de 1,75%, vêm logo a seguir, a mínima atingida a um ano de 1,65%... Hoje chegou a negociar na mínima a 1,53%.


A situação é dramática, ou as cotações se recuperam rapidamente acima de 1,65%, ou os objetivos que coloquei acima passam a ser válidos. Os ganhos que se obterá a partir daqui não são muito elevados, por exemplo, da cotação atual de 1,60% para 1,00%, o ganho é de aproximadamente 4,5%. O grande problema é que, os prejuízos nos outros ativos serão enormes.

Talvez estejamos entrando num momento que, ao invés de nos preocuparmos, com qual será a rentabilidade de um investimento, temos que nos preocupar com o retorno do investimento, literalmente. Como frisei no post juros-de-10-anos: ..."numa situação em que a deflação passa a ser real - nem quero pensar!"... Razão do título para este cenário "Don´t even think!"

Aproveito para atualizar o stoploss do trade de euro para 1,1150.

O SP500 fechou a 1.829, com queda de 1,23%; o USDBRL a R$ 3,993, com alta de 1,52%; o EURUSD a 1,1321, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.246, com alta de 4,09%.
Fique ligado!

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