Inflação: A Revanche

22 de fevereiro de 2016

"Clueless"

Algumas palavras em inglês expressam melhor seu significado que sua tradução em português, por exemplo: clueless. Ao buscar no dicionário, encontramos as seguintes traduções: sem noção, sem pistas, ignorante. Nenhuma delas expressa a situação em que se encontra o FED neste momento.

Por um lado, os últimos acontecimentos nos mercados de crédito ao redor do mundo, e, principalmente no setor bancário, fizeram com que o mercado recuasse em sua expectativa sobre novos aumentos de juros nos USA. Naturalmente, se existe um segmento sensível a qualquer banco central, é o bancário.

Porém o mandato do FED é sobre duas variáveis econômicas, o emprego e a inflação. Ultimamente o grande receio recai sobre este último, uma vez que os dados de emprego estão caminhando para taxas de desemprego a níveis satisfatórios de 5%.

Nesta última sexta-feira foi publicado o CPI, que vem confirmando uma tendência de alta. O índice que exclui os itens mais voláteis como alimentos e gasolina, ficou acima de 2% a.a., dentro do objetivo traçado pelo FED.

Por outro lado, a inflação total, que inclui todos os itens, ainda busca uma recuperação, fortemente influenciada pela baixa dos preços do petróleo, mas que também, parece rumar para níveis mais próximos ao anterior à queda. Os principais vilões, se é que podemos chamá-los desta forma, são os custos de serviços médicos e aluguéis, que vêm subindo acima de 3% a.a.



Mesmo o CPI não sendo o indicador que o FED usa para sua análise, não deixa de ter uma boa correlação.

Uma pergunta que eles devem estar se fazendo é, onde está a ameaça de deflação?

Outro indicador que está tendo um comportamento muito distinto dos últimos trimestres é o modelo utilizado pelo FED de Atlanta, que estima o PIB do trimestre em curso.


O mercado normalmente projeta um índice mais elevado e a autoridade um menor. Com o passar do tempo, as estimativas de mercado tendiam a decrescer se aproximando do indicador de Atlanta. Agora parece diferente, pois é o indicador do FED de Atlanta que está subindo, e hoje encontra-se acima das projeções dos analistas. Um caso raro observado neste últimos anos.

Interessante ainda de se observar é que, no auge dos invernos passados, o PIB foi fortemente influenciado pelo frio. E mesmo este ano, com temperaturas muito baixas, este efeito não parece estar acontecendo.

Então o que será levado em consideração na próxima reunião do FED, os resultados internos que indicariam a necessidade de alta dos juros, ou os externos juntamente com o receio dos mercados? Sem falar na ameaça mais concreta a cada dia, de os USA ser governado por um grande radical caloteiro, Donald Trump!

Melhor definição para tudo isso - Clueless!

É muito comum no mercado americano apostar na queda do mercado acionário, através da venda à descoberto de ações. Faz-se isso alugando ações em seguida vendendo.



O dado mais recente atingiu o mesmo nível de ações vendidas à descoberto que em 2008. Naquele momento, como as expectativas de quem vendeu se concretizaram, eles puderam cobrir suas posições através das vendas maciças feitas pelos pequenos investidores, com um lucro considerável.

Por outro lado, se o pânico não atingir o pequeno investidor, ou porque a recessão não se concretiza, ou porque a atividade econômica não sofre tanto, o movimento da bolsa pode ser explosivo na alta, uma vez que, quem está vendido terá que recomprar as ações em algum momento. Essa dúvida é consistente com as avaliações técnicas que tenho colocado sobre o SP500. No post os-filhos-do-trabalho, comentei: ..."Não dá para confiar nem em um sentido, nem em outro. Antes de ultrapassar o nível de 2.000 para cima, ou 1.810 para baixo, é como andar num campo minado, você compra e de repente estoura uma bomba. Eu sei que vocês não gostam da indefinição, mas I´m sorry!"...

No post haraquiri-em-finanças, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...Vou colocar uma ordem de compra a 1.105 - 1.1075 com stop a 1.10. Esse próximo movimento irá esclarecer muita coisa, se o euro vai voltará a subir, ou estará rumo a novas mínimas. Minha aposta é que ainda falta uma pequena alta. Let´s see!... Nós já tínhamos adquirido 1/2 posição a 1,1075, ficando pendente a outra metade a 1,105, que foi complementada hoje pela manhã.

Vou fazer algo que raramente faço, alterar o stoploss. O motivo é que eu não tinha analisado uma outra hipótese de retração, que pode estar acontecendo. Não é nada substancial, ao invés de 1,10, considere 1,095, conforme apontado no gráfico acima.

No post da última sexta-feira Pelé-e-Coutinho, sugeri uma liquidação de metade da posição, caso o Bovespa ultrapassasse 42.500, o que acabou acontecendo hoje. Atualize o stoploss para 41.000.

O SP500 fechou a 1.945, com alta de 1,45%; o USDBRL a R$ 3,9425, com baixa de 1,93%; o EURUSD a 1,1027, com baixa de 0,96%; e o ouro a US$ 1.208, com queda de 1,63%.
Fique ligado!

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