Inflação: A Revanche

22 de junho de 2016

Ação despercebida


No meio de toda essa confusão sobre a saída, ou não, da Inglaterra do euro - sem dúvida um elemento de risco importante, do outro lado do mundo a China, de forma discreta, vem desvalorizando sua moeda. Nos últimos meses tem se visto um enorme esforço por parte do governo Chinês, em manter sua economia crescendo a níveis expressivos, se comparados aos padrões atuais nos outros países.

Porém não está sendo fácil, se é que estão conseguindo. Com um modelo voltado exclusivamente às exportações, mudar o rumo para o consumo interno não se faz do dia para a noite. Se a “obrigação” de crescer não fosse tão elevada, talvez pudesse ser atingida com mais eficiência. Figurativamente, é como trocar de piloto com o carro a 150 km/h.

O resultado na China não tem sido muito animador, o governo está tentando através do aumento de crédito incentivar sua economia, e o que se está colhendo são empresas com sérios problemas de solvência. Esta pode ser a razão para desvalorizar sua moeda.

No gráfico a seguir, a linha branca é de uma cesta de moedas ponderadas pelo comércio, caiu 10% desde a desvalorização desastrada de agosto último. Notem que mesmo depois de janeiro, quando a cotação do yuan contra o dólar permaneceu estável – em azul, continuou a cair.


Desta forma, a China exporta deflação para o resto do mundo. Para que os leitores possam entender esse fenômeno, se um país desvaloriza 10% sua moeda, um produto que anteriormente era vendido ao exterior por U$100, pode agora ser vendido por US$ 90, sem que haja uma diminuição em seus lucros. É natural, que internamente existirá uma pressão inflacionária, que do ponto de vista teórico, tende a representar em média 10% da desvalorização, o que nesse exemplo representaria 1% adicional no nível de inflação.

O mesmo efeito poderia ocorrer na Inglaterra, caso a votação seja pelo Brexit. Os economistas calculam que haveria uma desvalorização da libra em torno de 15%, e isso exportaria deflação para a Europa, seu maior parceiro comercial, o que não deixaria Mario Draghi nada feliz.

E assim vamos vivendo, num mundo onde cada país busca desvalorizar sua moeda para permitir maior competitividade externa e como contrapartida exporta deflação.

Um detalhe interessante que tenho observado, é sobre a divergência entre as chances de haver ou não o Brexit, quando se compara as casas de apostas e as pesquisas de opinião. O responsável pela casa Ladbrokers, Matthew Shaddick, aponta uma probabilidade de 76% da Inglaterra ficar, enquanto as pesquisas assinalam as chances entre elas mais ou menos iguais. Acontece que na casa de apostas o valor médio apostado para a permanência é de 450 libras, enquanto da saída 75 libras.

Em outras palavras, um pequeno grupo de apostas elevadas influenciam dramaticamente em favor da permanecia, enquanto uma quantidade muito maior está apostando na saída, embora com valores menores. Resumindo: ...” Um grupo pequeno de pessoas mais ricas está influenciando um grupo maior de indivíduos mais pobres”....  Acontece que no voto não existe esta distinção, e se esse for realmente o caso, a votação deverá ser muito mais apertada.

No post a-busca-por-retorno, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Agora, a bolsa está adentrando na área onde diversas vezes tentou o seu rompimento e não conseguiu - entre 2.100 e 2.130. Não existe nenhuma garantia que irá romper agora, entretanto, os sinais são nesse sentido”...

A bolsa ficou muito próxima do nível máximo apontado acima, atingindo 2.120, mas em seguida retrocedeu. Não foi por muito tempo, pois agora se encontra próximo a 2.100 novamente.
Daqui em diante será diferente, ou vai ou racha! Eu anotei no gráfico uma formação muito comum em análise técnica, denominada de ombro-cabeça-ombro, e o SP500 poderia estar formando a parte final do ombro. Assim, ou ele rompe acima dos 2.130 de uma forma expressiva, ou pode sofrer um bom tombo de pelo menos 10%.


Como comentei no post acima: ...” não me coloco a fazer nada agora, ou passa os 2.130 e entramos com um trade na compra, ou não passa e analisamos se vai valer uma venda”.... Talvez esse seja um caso interessante de como é importante respeitar alguns níveis sem posição. Para o investidor que está com posição, o efeito emocional poderá levá-lo a tomar decisões erradas, e inibi-lo de entrar, quando a situação for mais favorável.

O SP500 fechou a 2.085, com queda de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,3783, com queda de 1,01%; o EURUSD a 1,1291, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.266, com queda de 0,11%.
Fique ligado!

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