Inflação: A Revanche

6 de junho de 2016

Procura-se um culpado


Depois de menos de 24 horas úteis da publicação do dado, chocantemente baixo, da criação de empregos, o mercado busca culpados. Como sabemos, sempre é necessária uma explicação. Neste caso, foi eleita a alta do dólar como o responsável pelo estrago. Mas o resultado foi tão ruim assim ou o fato de o mercado estar tão otimista foi à razão?

As informações apontam inegavelmente uma redução na criação de empregos e não é de hoje, basta verificar o gráfico a seguir, onde além do setor de manufatura que estruturalmente não cria vagas a muito tempo, o setor que responde pela maior parte do PIB, o de serviços, também embicou para baixo desde seu pico no início deste ano.


Alguns analistas não estão tão pessimistas como os investidores, o Deutsche Bank acredita que o mercado de trabalho está muito próximo do pleno emprego. Quando esse nível for atingido, o crescimento dos postos de trabalho deverá diminuir uma vez que, poucos empregados qualificados estarão disponíveis para aceitar as vagas oferecidas. E se existem poucos funcionários qualificados disponíveis então, os salários começaram a subir, o que é exatamente o que se observa atualmente – vide gráfico a seguir.


O DB não acredita que exista uma boa razão, do porque a economia estaria desacelerando no momento, em particular a luz do recente aumento dos gastos pelos consumidores. Esta visão também é confirmada pelos últimos dados de PIB disponíveis no site do FED de Atlanta, com uma previsão crescimento de 2,5% para esse trimestre.


Se for levada em consideração a greve dos funcionários da Verizon, que afetou o resultado negativamente em 35 mil postos, pode ser que esse dado seja apenas um ponto fora da curva.

Mas não foi essa a interpretação do mercado, as expectativas de aumento de juros pelo FED caíram sensivelmente da quinta-feira para a sexta-feira, após o anúncio.



Se o FED não irá subir os juros, o dólar, grande responsável por esse desempenho fraco da economia na cabeça do mercado terá que cair. E foi o que aconteceu – vide análise técnica do euro mais afrente.

Mas o Japão, Europa, Suíça, Inglaterra, China, e países emergentes, também querem que suas moedas se desvalorizem para incentivar as suas economias. Acontece que é impossível que isso ocorra, se uma moeda se desvaloriza e sempre em relação a uma outra. É nesse círculo vicioso que vivemos atualmente que as coisas podem acabar muito mal. Com os programas de injeções de liquidez sem precedentes na história, é impossível não fazer uma associação com a crise de 29, onde tais movimentos de moedas precederam ao desastre econômico.

Hoje, acabei me atentando que o euro foi esquecido dentro das minhas análises, não foi nada pessoal, apenas não enxerguei nenhuma grande oportunidade, e se houvesse, provavelmente seria na venda que geraria um prejuízo. No post suicídio-politico, fiz os seguintes comentários: ...” Como pode-se observar, as cotações entraram “dentro” do retângulo verde, indicando que não houve força suficiente para romper o nível aproximado de 1,15. Por outro lado, a queda foi pequena, e também não ser pode descartar uma nova tentativa. Uma queda abaixo de 1,12 poderá dar novo ímpeto para a queda do euro”... Veja o gráfico publicado naquele dia.


Como pode-se verificar a seguir, o euro negociou abaixo do nível de 1,12 por alguns dias, porém, foi contido pela reta de suporte apontada. E logo em seguida mostrou sinais que não pretendia ir para esse caminho, até chegar na última sexta-feira onde subiu de uma só vez aproximadamente 2%.


Como ficamos agora? Vale a mesma orientação, acima de 1,15 – 1,16, região que eu denominei “Fronteira para a liberdade”, o euro deveria subir forte, pois irá frustrar 150% dos analistas – estão “alavancadamente” vendidos! Hahaha...

Estou ficando mais propenso a acreditar na alta, direção que tomei nos últimos trades, não porque queira ser teimoso e ir contra o mercado, mas porque o mercado está dando “dicas” que quer subir. Para justificar essa ideia, eu apontei com as flechas em cinza, 4 momentos em que a moeda única reagiu fortemente em alta.


Vou aguardar os próximos dias para sugerir um trade no euro, e muito provavelmente será na compra, a não ser que caia precipitadamente, da mesma forma que subiu na última sexta-feira.

O SP500 fechou a 2.109, com alata de 0,49%; o USDBRL a R$ 3,4875, com queda de 1,03%; o EURUSD a 1,1351, com queda de 0,12%; e o ouro a US$ 1.244, sem alteração.
Fique ligado!

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