Inflação: A Revanche

28 de junho de 2016

Local ou Global


Não tem nada no curto prazo que chama mais a atenção que o Brexit, você encontra inúmeras opiniões, mas o que realmente importa, é se o que aconteceu terá um impacto local ou global. A economia inglesa tem uma parcela pequena de 4% do PIB global.

Alguns gráficos podem esclarecer melhor quais são as consequências. Iniciamos com os locais. Abaixo se encontram os setores que mais poderão ser afetados em função de novas tarifas de comércio.



Já em termos de balança comercial com a Ásia, e observando-se a China como o principal risco, pode-se constatar que é muito pouco afetado.


Já em termos de impacto sobre o PIB, o gráfico a seguir mostra dois cenários, um mais realista e outro mais pessimista. Aqui também, com exceção da Europa na simulação mais pessimista, o efeito é pequeno.


Através dessas projeções econômicas, poderia concluir-se que, o problema maior ficaria circunscrito à Inglaterra, porém os fatores políticos podem gerar repercussões que não estão calculadas, como por exemplo, se um país como a Itália resolve sair também. Para buscar uma resposta, o banco Goldman Sachs atribuiu o comportamento do SP500 como indicador.


O gráfico 1 mostra o SP500 em conjunto com a cotação do yuan. Tanto em agosto do ano passado como em janeiro último, o índice da bolsa caiu 10%. No gráfico 2, quando comparado com as taxas de juros de 2 anos dos títulos americanos, observa-se que, a expectativa do FED de elevar os juros, cedeu sensivelmente. Analisando a reação do mercado, é indiscutível que os investidores enxergam a “China” como um risco material para a economia global. A questão que permanece é se o Brexit e sua propagação para o resto da Europa é tão importante.

O SP500 caiu 5% desde a decisão do Brexit na semana passada, assim está no caminho de representar um risco de um choque global, em função da propagação às outras economias europeias. Ao se observar os juros de 2 anos o efeito é ainda mais pronunciado, uma vez que retornaram aos níveis de outubro passado, na esteira do pronunciamento da Yellen.

Em relação ao futuro, se o SP500 se estabiliza ao redor dessa queda de 5%, isso faria o mercado mover-se na direção de encarar o Brexit como um problema local, se ao contrário cair, o mercado poderá indicar que as próximas eleições na Itália em outubro, ou as eleições gerais na França no início de próximo ano, serão elementos de risco.

Não restaria outro mercado para comentar hoje que não o SP500. No post ação-despercebida, vamos observar primeiramente o curto prazo, meus comentários alertavam para uma formação a ser acompanhada: ...” Eu anotei no gráfico uma formação muito comum em análise técnica, denominada de ombro-cabeça-ombro, e o SP500 poderia estar formando a parte final do ombro. Assim, ou ele rompe acima dos 2.130 de uma forma expressiva, ou pode sofrer um bom tombo de pelo menos 10%”... Essa formação ombro-cabeça-ombro, acabou acontecendo.


Queria também enfatizar como é importante respeitar os parâmetros técnicos e não se deixar levar pela emoção. Tudo parecia pronto para uma alta expressiva da bolsa, os indicadores eram positivos. Um pensamento válido que passaria na cabeça de qualquer investidor seria “por que esperar, vou comprar agora mais barato, pois só pode subir”.

Veja o que eu ressaltei também no post: ...” não me coloco a fazer nada agora, ou passa os 2.130 e entramos com um trade na compra, ou não passa e analisamos se vai valer uma venda”.....

Hoje vou fazer uma análise de mais longo prazo. Como já havia comentado ontem, o único ativo que mudou dentro das minhas análises é o SP500 que passou para neutro - negativo. Vejamos por que no gráfico abaixo:


O primeiro nível de importância é 1.950, se a queda ficar limitada até esse nível, pode-se considerar que o Brexit é um problema local e os ingleses que se virem para resolver a besteira que fizeram. Caso o índice caia abaixo desse nível, o próximo ponto de muita importância seria 1.850. Considero esse nível um pivô, abaixo o SP500 pode cair significativamente. Para uma análise mais detalhada deste cenário sugiro a leitura do post SP500, onde exponho os níveis de baixa. Neste caso, o problema do Brexit virou global.

No sentido inverso, ou seja, se o SP500 começa a se recuperar, aponto o nível de 2.050 como um possível catalisador positivo, mesmo que não volte imediatamente na busca para romper o nível de 2.130.

Queria comunicar aos leitores que o Mosca vai ficar sem publicação de 4 a 18 de julho, voltando ao normal dia 19. Na próxima sexta-feira, vou fazer um apanhando de todos os mercados deixando minhas ideias durante este período. Vou estar acompanhando os mercados e caso seja necessário publicarei durante esse tempo.

O SP500 fechou 2.036, com alta de 1,78%; o USDBRL a R$ 3,3016, com baixa de com baixa de 2,65%; o EURUSD a 1.1065, com alta de 0,39%; e o ouro a US$ 1,312, com baixa de 0.76%.
Fique ligado!



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