Inflação: A Revanche

15 de junho de 2016

Desconfiança


Não existe nada pior que a perda de confiança no mercado financeiro. Negócios de trilhões são fechados verbalmente com a premissa que nenhuma das partes vai abrir o negócio. Durante minha vida profissional vivi raríssimos casos de quebra dessa regra, não se pode esquecer que, naquela época não era praxe nem gravação das conversas telefônicas. Muito mais grave é quando a credibilidade de um banco central é colocada em cheque. Existe na história vários casos no qual o mercado aposta contra e se sai vencedor – Soros contra o BOE em 1991.

Atualmente, como o dólar é a moeda de referência mundial, somente o FED pode “peitar” o mercado sem limites, os outros BC’s dependem de sua própria moeda para se defender. Naturalmente existe uma hierarquia, o euro, yen, libra esterlina, estão logo a seguir nessa escala. Agora mesmo se o FED enfrentar o mercado com uma política que o mercado avalia como errada, em algum momento a desvalorização do dólar pode ser incontrolável.

Parece que estamos entrando em um cenário crítico em termos globais, o mercado demonstra estar perdendo a confiança na política monetária usada nestes últimos anos, pelos maiores BC’s do planeta. No Japão com todas as ferramentas disponíveis o BOJ vem buscando desvalorizar sua moeda para incentivar sua economia, porém desde o início do ano, o efeito tem sido o contrário, uma vez que, o yen se valorizou.


No outro lado, o ECB vai na mesma direção. Conforme a análise feita no post de ontem dieta-financeira, desde do início de 2015 o euro está estagnado no mesmo patamar.

A intenção dos BC’s em baixar os juros, não vem surtindo efeito. Se a ideia é estimular o consumo, não é o que vem acontecendo. O gráfico a seguir aponta que ao invés do consumo, o que vem crescendo é a poupança nesses países que praticam juros negativos.



Já do outro lado do Atlântico o FED finalizou sua reunião de política monetária conforme a expectativa, sem alterar os juros. Entretanto, para as projeções sobre o futuro, quando somente um votante acreditava em mais alta neste ano, agora já são seis.


Entretanto, o mais importante aconteceu na secção de perguntas e respostas. Fiquei impressionado com a quantidade de vezes que a Yellen repetiu “nós não sabemos”. Por um lado, é bom saber que o FED tem uma postura honesta, pois não deve ser nada fácil para assumir uma resposta como essa, por outro lado, deixa o mercado hesitante se o FED está com dúvidas da sua estratégia.

A verdade é que a cada reunião o FED vem sendo obrigado a rever suas projeções, que mais e mais, se aproxima das projeções explicitadas nos mercados. Isso pode ser visto como um sinal de perda de credibilidade e habilidade em gerir a economia.



No post Ilan-1-2-3, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Acima de US$ 1.280 e principalmente US$ 1.300, o campo estará livre para novas altas. Por outro lado, abaixo de US$ 1.200 sua vida complica muito, o cenário de baixa ganha força. Meu viés neste momento é de alta, vou aguardar algum momento melhor para sugerir um trade de compra”...

 
Hoje o metal adentrou nesta região com as cotações muito próximas a US$ 1.300. Eu pensei anteriormente que o ouro poderia retroceder parcialmente. Pode ser que ainda aconteça agora, ou de um nível mais elevado. Tecnicamente, um rompimento do nível US$ 1.305, deveria originar um trade de compra. Mas alguns fatores menores me deixam temeroso.

 
O gráfico acima tem uma visão de mais longo prazo e deixa poucas dúvidas da força do metal, em função disso sou compelido a sugerir esse trade de compra caso o nível de US$ 1.305 - no fechamento, seja ultrapassado, o stoploss será bem curto de US$ 1.275. Vamos ver como o mercado reage nos próximos dias.

O SP500 fechou a 2.071, com queda de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,4720, com queda de 0,16%; o EURUSD a 1,1263, com alta de 0,50%; e o ouro a US$ 1.292, com alta de 0,56%.

Fique ligado!

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