Inflação: A Revanche

17 de junho de 2016

A inflação é um problema?

Antes de mais nada deixe-me esclarecer que o assunto de hoje é sobre a inflação nos USA, se fosse aqui nem teria dúvida. Ontem foi publicado o CPI do mês de maio, que ficou em 1,02%, excluindo alimentos e gasolina 2,24%. No gráfico abaixo pode-se ter uma ideia de como esses indicadores evoluíram nos últimos anos.



O FED usa um outro índice como parâmetro de decisão para estabelecer a política monetária, o PCE. A diferença básica entre ambos é o peso sobre os custos de habitação, que têm estado mais pressionados. Essa é a principal razão da diferença a menor do PCE em relação ao CPI.

Voltando novamente ao gráfico acima, notem que a inflação “core”- que exclui alimentos e gasolina, tem-se mantido relativamente estável, ao redor de 2% desde 2012, que é o objetivo explicitado pelo FED. Sabe-se também que, para estabelecer os juros considera-se o indicie pleno, onde movimentos para cima e para baixo são mais frequentes, em decorrência da volatilidade das commodities. Em resumo, é muito mais importante observar o comportamento da inflação “core”.

O mandato do FED consiste em atingir seus objetivos na inflação e taxa de desemprego. Observando esse último, mesmo com o dado ruim publicado recentemente, o mercado de trabalho não poderia estar em melhor condição, com uma taxa de desemprego de 4,7%. Esse nível é compatível com o pleno emprego e de acordo com qualquer livro texto de economia, tende a ser inflacionário a partir desse nível.

O gráfico abaixo é a projeção da taxa de juros no longo prazo, publicado ao final de cada reunião do FED. Como se pode notar em 2012 o nível era de 3,8% a.a., e veio caindo até 3% a.a., divulgado nesta última reunião.


Os economistas do Deutsche Bank também estão perplexos com a desconexão entre os juros e os fundamentos econômicos. O modelo do FED de Atlanta projeta um PIB de 2,8% este trimestre, enquanto os juros apontam no sentido inverso.


E aí fico com a seguinte dúvida: Se a inflação “core” se encontra estabilizada a 2% há um bom tempo, o nível de emprego indica pressão inflacionária para o futuro, a expectativa de crescimento não desaponta, por que o FED imagina que a taxa de juros de longo prazo será 3% a.a. - que corresponde a um juro real de 1% a.a.? Mesmo não sendo economista, a lógica indica três respostas.

1.       Eles acreditam que a economia crescerá com taxas baixas.
2.       Preferem errar a inflação por excesso, aceitando níveis superiores a 2% a.a.
3.       Não confiam que a política monetária manterá o crescimento futuro.

Talvez esse seja o grande motivo da discordância dos membros do Comitê, na projeção das taxas de juros, e como sugerem alguns analistas: “A Yellen parece que não confia mais nessa política”.

Independente de qual seja o motivo, esse cenário exposto acima não corresponde aos desejos do FED.

No post recessão, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Vou estabelecer um trade para a venda de juros ao nível de 1,69% - no fechamento, com um stoploss a 1,80% a.a. Se estivermos certos em nosso trade, preparem-se para as manchetes quando negociar abaixo de 1,5% a.a.”...


Ontem o mercado se aproximou do nível apontado, chegando à mínima de 1,52%. Depois disso busca uma recuperação.

O que eu venho enfatizando ultimamente sobre a quantidade de títulos que tem juros negativos, virou notícia do Jornal Nacional. A história mostra que quando isso acontece, provavelmente o movimento se encontra em seu estágio final. Mas como os juros nos títulos americanos ainda são positivos, devem estar chamando novos compradores de outros países. Pelo sim, pelo não, vou atualizar o stoploss para 1,65%.


O SP500 fechou a 2.071, com queda de 0,33%; o USDBRL a R$ 3,4158, com queda de 1,44%; o EURUSD a 1,1274, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.298, com alta de 1,53%.
Fique ligado!


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