Inflação: A Revanche

27 de junho de 2016

Conflito de interesses


Depois de qualquer separação uma nova relação entre as partes gera, o que se chama no mundo dos negócios, conflito de interesses. Mesmo em relações humanas isso acaba acontecendo. Para quem já se separou, conhece as consequências, e nesse caso é mais grave. O conflito acaba recaindo sobre os filhos, que em alguns casos ficam divididos entre os pais.

O mesmo não poderia deixar de acontecer no caso do Brexit. As declarações de alguns membros da comunidade europeia como Angela Merkel e Françoise Hollande, já dão o tom do que a Inglaterra poderá esperar na hora que negociar os novos acordos após a separação.

Mas além disso, o processo dentro da própria Grã-Bretanha é complicado. Formalmente esse país deverá enviar um documento denominado de “artigo 50”, que é um anúncio formal de sua intenção de saída da comunidade europeia. Depois disso, começa a contar um prazo máximo de 2 anos.

Agora, quem mandará esta notificação e quando, ninguém sabe, nem a unidade europeia, nem o referendo específica. O Primeiro-ministro David Cameron poderia ter feito isso na sexta-feira, mas não o fez. Segundo suas declarações, esse passo terá que ser tomado pelo seu sucessor, que só deverá ocorrer em outubro, ainda 4 longínquos meses.

Até outubro, é provável que a Inglaterra esteja em situação pior que a de hoje, a libra continua caindo e os investimentos ficarão totalmente paralisados. Além disso, os britânicos que votaram a favor de sair, já começaram a sentir os efeitos negativos de sua decisão.

Outro fato a ser considerado, é que a maioria do Parlamento foi contra a mudança e, provavelmente, o novo Primeiro-ministro deverá efetuar várias consultas àquela casa, o que deve prolongar ainda mais o prazo do envio do artigo 50. Alguns analistas acreditam que todo esse processo poderá levar mais de um ano.

No meu entender, existe talvez uma boa notícia em tudo isso, claro, não para os ingleses. O grande receio do mercado é que esse efeito pode se espalhar por outros países, principalmente na Europa. Caso os efeitos negativos na Inglaterra fiquem evidentes, as populações dos outros países poderão ter uma boa ideia do que poderá acontecer, caso se aventurem em algo semelhante. Ou seja, estou sugerindo que o tempo pode ser bom para o resto do mundo.

O gráfico a seguir faz uma comparação entre os britânicos que votaram a favor do Brexit e os simpatizantes de Donald Trump. Não acredito que seja uma relação direta entre eles, mas é interessante a semelhança mostrando uma insatisfação global da situação atual. Já o gráfico seguinte, mostra uma relação forte entre o nível de educação e opção escolhida.



Conforme mencionei no último post, a análise que fiz no final de semana, não houve nenhum comprometimento de longo prazo nos ativos que acompanho, com exceção da bolsa americana que alterou a tendência para neutra – negativa. Meu comentário hoje será sobre o dólar.

No post saia-justa, fiz os seguintes comentários: ...” Continuo ainda com os mesmos objetivos de R$ 3,20/3,25 ou um pouco mais abaixo a R$ 3,10. Como pode-se verificar no gráfico acima, existem duas linhas que deveriam conter os movimentos de curto prazo, e por ser tratar de uma correção, existe pouca previsibilidade da extensão no tempo, bem como dos níveis mínimos”...



Mesmo com o resultado negativo para o real do Brexit, o estrago por enquanto foi bem limitado. Enquanto o dólar permanecer contido nas linhas marcadas abaixo, vamos em frente com a mesma orientação.



O SP500 fechou a 2.000, com queda de 1,81%; o USDBRL a R$ 3,3916, com alta de 0,45%; o EURUSD a 1,1022, com queda de 0,72%; e o ouro a US$ 1.324, com alta de 0,68%.
Fique ligado!

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