Inflação: A Revanche

7 de junho de 2016

Com mais de 30


Quando se está numa roda de amigos discutindo o sexo dos anjos na área de investimentos, é provável que em algum momento alguém diga: “O futuro é imprevisível”, justificando a imprevisibilidade dos mercados. Dita assim, fora de um contexto, ninguém irá contestar essa frase, mas o ser humano precisa de alimento para seu ego. Mas de repente, no calor da discução, alguém se atreve a dar um palpite sobre a sua expectativa futura de um ativo, e basta outro que não concordar, para que se faça uma aposta.

A partir daí, a frase que todos acreditavam ser verdadeira, agora não é mais válida para essas duas pessoas que apostaram. Eles confiam em suas previsões, agora tem o ego em jogo.

Os analistas fazem suas projeções sobre o futuro baseados em dados muito mais precisos que esses dois colegas, afinal é o seu ganha pão. Mas podemos embarcar nessas opiniões e apostar muitas fichas? Eu, de jeito nenhum, pode ser do George Soros, Warren Buffet, ou qualquer outro guru. Por outro lado, não desprezo. O que normalmente faço, é analisar o gráfico daquele ativo, e se coincidir a opinião com os gráficos, passo a ter uma sugestão de investimento.

Suponha que eu resolva embarcar numa dessas propostas, o que muda radicalmente é o acompanhamento. Enquanto eles ficam presos a suas ideias eu fico preso aos gráficos, e se por algum acaso o rumo não for o que se imaginava, caio fora.

Assim chegamos ao assunto de hoje. Vocês devem lembrar quando o petróleo, a commoditie mais importante dessa categoria, chegou a US$ 25, os analistas previam um futuro negro. Diziam que pelo excesso da capacidade de produção, a entrada do Irã na venda de seu óleo depois do acordo feito com os USA, e o mundo sem crescimento, só imaginavam preços mais baixos, alguns arriscavam até US$ 10. Falar em US$ 50, nem pensar. Pois bem, esse último é o preço que vejo na minha tela agora.

E aí, o que estava errado nas suas projeções? Talvez uma série de fatores. E agora, como de costume, sempre existem explicações. O fato é que se alguém apostou fielmente naquela sugestão, se deu mal. E conversas do tipo, “eu invisto para o longo prazo”, “o que aconteceu é uma correção”, eu nem ouço. Acho que esse analista deveria ter a humildade de assumir que errou, no mínimo o timing!

O gráfico do CRB a seguir é um retrato do que ocorreu com as commodities de uma forma geral, uma vez que, esse índice é construído para englobar várias commodities. Assim, como na música de Marcos Vale, em investimentos não confie em ninguém com mais de 30 acertos. Só no Mosca! Hahahaha....



Do ponto de vista técnico, este índice está num momento crítico, testando o nível apontado em verde. Caso ultrapasse, uma alta significativa poderá ocorrer onde o petróleo está incluído. Mas não são só as commodities metálicas que se recuperaram, os agrícolas também apresentaram uma performance positiva.

Entre assumir que errou com o bolso cheio e ficar insistindo que é só uma fase ruim com o bolso vazio, fico com o primeiro. Assim como o bom jogador sabe perder, o mesmo deve acontecer o investidor.

No post pulando-o-muro, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...“Do ponto de vista técnico, o dólar está buscando romper a região que denominei de “perigo”, e caso isso aconteça, vou sugerir um trade de compra de dólar acima de R$ 3,63 no fechamento. Caso aconteça, o stoploss será ao redor de R$ 3,50 - melhor calculado posteriormente”.... Naquele momento tinha imaginado uma formação conforme o gráfico a seguir.


Este é um caso interessante, pois na formação desse movimento, sempre enfatizei que deveria fechar acima de R$ 3,63, pois caso contrário, o movimento que prevalece é de baixa, como frisei no post furo-nos-números: ..."Por outro lado, abaixo de R$ 3,43, o movimento de baixa teria continuidade e o próximo patamar seria o nível de R$ 3,25”. E foi o que aconteceu, o dólar tomou o rumo de baixa.

Vou sugerir um trade de venda a R$ 3,43 com stop a R$ 3,55, cujo objetivo e R$ 3,20 – R$ 3,25, e caso não reverta o próximo ponto seria R$ 3,10.


- David, o que é isso, estava pronto para comprar agora vai vender! Não tem opinião?
Até parece que o texto de hoje foi feito para a situação do dólar, não foi, quando decidi sobre o texto era pela manhã e dólar não estava tão próximo desse nível. Mas coincidentemente serviu como uma luva. Este é mais um exemplo real que não fico “vermelho” em assumir que estava com uma estratégia que não era a correta. Mas a análise técnica nos poupou de um prejuízo neste caso, se fossemos guiados pela “opinião”, e permitiu de uma forma natural a mudança de posição de compra de dólar para venda. 

O SP500 fechou a 2112, com alta de 0,13%; o USDBRL a R$ 3,4422, com queda de 1,28%; o EURUSD a 1,1356, sem variação; e o ouro a US$ 1.243, sem variação.
Fique ligado!


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