Inflação: A Revanche

30 de junho de 2016

Encruzilhada


No dia D+5, após a decisão da Inglaterra abandonar a comunidade europeia, qualquer conclusão pode ser prematura. Até agora, alguns indicadores parecem apontar para que o Brexit termine como um problema local. Nem se sabe ao certo, se será realmente implementado haja visto que existem grandes dúvidas. Os mercados operaram incialmente como se o risco de contágio fosse elevado, impactando diversos ativos.

No post de ontem mostrei como os juros nos USA foram afetados e apontavam para níveis muito diferentes daqueles que o FED projeta. Naturalmente, a Yellen está acompanhando com cuidado o desenrolar dessa situação.

Não acho que o que vou relatar seja um problema para a próxima semana, mas sem dúvida não há muito tempo. Vamos imaginar que a situação se acalme o suficiente para que o mercado volte à normalidade. Nessa circunstância como o FED irá agir? Os dados recentes apontam para uma economia americana com uma sensível melhora em relação aos trimestres mais recentes.

Vou começar com o indicador de crescimento do PIB elaborado pelo FED de Atlanta. Diferente dos outros meses, a previsão tem se mantido muito próxima às dos analistas, e num nível acima de 2,5%.

 
No quesito inflação, ontem foi publicado o PCE, indicador usado pelo FED para estabelecer sua política monetária. Como o gráfico abaixo mostra, ainda não se encontra dentro da meta estabelecida de 2% a.a., mas está bem distante de uma ameaça de deflação.

 
O nível de emprego encontra-se próximo ao que se denomina em economia de pleno emprego, onde a partir de um ponto, esperam-se pressões inflacionárias vindas de aumentos de salários. O gráfico abaixo já aponta um movimento neste sentido.


Hoje pela manhã foi publicado o Chicago PMI, um indicador que é um barômetro da atividade de negócios. Esse indicador de um salto expressivo em relação ao mês passado, vindo de 49,3 para 56,8.


 
Não fosse o Brexit o mercado já estaria trabalhando com uma elevação de juros já na próxima reunião do FED em julho, ou no máximo até setembro. A Yellen ainda tem algumas semanas para decidir o que fazer, e caso o mercado retorne aos níveis anteriores, facilitará muito a sua vida, deixando a porta aberta para agir. Entretanto, se isso não acontecer, ou a recuperação for tímida, sua decisão passa a ser bem complicada, pois: ou vai junto com o mercado e mantém um tom de prudência, arriscando ficar behind the curve, ou resolve de certa forma enfrentar o mercado e deixar evidente que vai agir em breve, nesse caso, com o risco de “chacoalhar” o mercado. Pelas observações passadas de como ela atua, acredito que ficará com a primeira opção.

Os movimentos do ouro podem ter deixado vocês confusos de qual seria a minha estratégia. No post marcha-lenta, eu cancelei uma sugestão de trade. Desde então, tivemos o evento do Brexit que levou o metal para o nível de US$ 1.358, e depois retrocedendo levemente.

O gráfico a seguir é com uma visão de mais longo prazo e o ouro está dando sinais que pode retornar seu movimento de alta, que se concretizado irá ultrapassar o nível atingido em 2011 de US$ 1.980. Mas não será numa linha reta, teremos tempos para entrar.
Eu imagino que o ouro poderá entrar num movimento de correção intermediário, onde os preços tenderiam ao intervalo de US$ 1.170 – US$ 1.280. Mais antes disso tenho uma dúvida, a correção já está em curso, ou ainda teremos uma nova alta antes disso? Se for o segundo caso, calculo que poderá atingir US$ 1.460. Aos níveis atuais de US$ 1.320, isso representa mais ou menos US$ 150 para cada lado – na correção ou na eventual alta.


Como eu não estarei por aqui por duas semanas, prefiro não fazer nada e aguardar minha volta. Por outro lado, se eu estiver correto, em meu retorno a correção já estará mais avançada, dando uma oportunidade de entrar em níveis melhores.

Hoje o dólar chegou a negociar na mínima de R$ 3,1818, suficente para liquidar nossa posição vendida com um lucro de 7,6%, já considerando os juros positivos (0,84%) gerado pelo diferencial de taxas de juros. Ficamos assim, sem nenhum posição em aberto.

O SP500 fechou a 2.098, com alta de 1,36%; o USDBRL a R$ 3,2103, com queda de 0,37%; o EURUSD a 1,1100, com queda de 0,21%; e o ouro a US$ 1.322, com alta de 0,33%.
Fique ligado!

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