Inflação: A Revanche

8 de fevereiro de 2017

China: De volta ao radar


Depois de terminado as comemorações do Ano Novo Chinês, que dura uma semana, o foco começa a voltar sobre os acontecimentos nesse país. O mundo inteiro não sabe o que realmente se sucede na 2ª maior economia do mundo, assim, busca encontrar pistas de como ela está se comportando.

Ontem foi publicado o volume de reservas, e como vem ocorrendo nos últimos meses, é queda atrás de queda. Agora está abaixo de US$ 3,0 trilhões. Mas isso é um problema?  Levantou um economista na reunião de hoje na Rosenberg, afinal US$ 3,0 trilhões ainda são muitos dólares. Eu argumentei que o risco vem mais da população que das empresas, pois eles estão preocupados com a possível desvalorização do yuan. Lembranças do passado, quando em 1994 a China desvalorizou a moeda do dia para noite em 50%.

Com uma população de 1,3 bilhões de habitantes, basta US$ 100/pessoa para fazer um tremendo estrago. Outro fato que preocupa é a alta nas cotações do Bitcoin onde 90% das negociações são feitas por chineses.


A próxima figura apresenta com detalhes como se comportou o fluxo de capitais durante 2016 e já se nota uma tendência inequívoca de saída, até de certa forma crescente.


Tem se reportado que o fluxo de capitais aumentou para os países emergentes, porém analisando os dados excluindo a China, se pode notar um descolamento a partir de 2014. Isso é suficiente para concluir que, não se trata de uma decisão dos investidores sobre os mercados emergentes, mas especificamente sobre a China.


O governo não tem outra alternativa que não desvalorizar sua moeda. Persistir com um câmbio desajustado a essa nova realidade motiva ainda mais as saídas. A razão é que, os investidores ficam cada vez mais convencidos que a taxa de câmbio está artificialmente contida e aceleram as saídas, incentivando a criação de um círculo vicioso. O governo sabendo desse risco, voltou a fixar o yuan em níveis mais baixos.


Hoje foi publicado o IPCA de janeiro que ficou em 0,38%, levando a taxa anual a 5,35%. É verdade que os alimentos ajudaram em muito a queda no índice atual, enquanto em 2016e a inflação do mesmo mês foi de 1,27% por causa dos alimentos, mas em sentido inverso. Esta é a menor taxa para meses de janeiro, desde de 1994, início da série histórica

Gosto sempre de analisar a tabela a seguir, pois ela dá uma visão mais ampla dos vários componentes. Em especial o índice de difusão que  está dentro do que se poderia esperar, não apontando nenhum risco de indexação.


Acompanho também os preços livres que estão em linha com o índice cheio. A taxa em 12 meses desacelerou de 6,6% para 5,6%. Essa queda, foi ocasionada pelo grupo de serviços, que retrocedeu de 6,3% para 5,8%. Essa última categoria é de muita importância pela sua elevada rigidez a ações de política monetária. O que quero dizer é que, a alta dos juros tem um impacto indireto sobre esse item - aumento do desemprego. Assim, essa retração é bem-vinda.

 
Em continuando com esses resultados e segundo a Rosenberg que projeta uma inflação para 2017 em 4,3%, a taxa SELIC tem muito a cair. A expectativa de 9,5% a.a. para o final do ano pode ser considerada elevada daqui algum tempo.

Quero alertar meus leitores do risco de ter seus investimentos indexados ao CDI. Recordo que em 2012, quando o BC entrou no otimismo de baixar os juros porque “achava” muito alto, fiz o mesmo alerta. Agora existe uma enorme diferença entre aquele momento e hoje. Antes meu receio era que o governo iria manipular esse índice e indiquei para se investir em títulos indexados à inflação, as NTNBs. Agora, minha recomendação e também para esses títulos, mas também para os pré-fixados, longos de preferência.

Uma pergunta que o leitor deve se fazer é por que a taxa SELIC embute um juro real tão elevado. Por exemplo, hoje se a inflação na margem foi de 4,6% a.a. (0,38% a.m. capitalizado por 12 meses), considerando a SELIC em 13% a.a., a taxa real foi de 8% a.a. Peço que considerem esse raciocínio simplista como um indicador

Verifique a seguir um trabalho elaborado pelo Goldman Sachs contendo uma estimativa de onde deveria se situar os juros reais, em vários países emergentes. O interessante é que apenas alguns países estariam fora desse modelo: Brasil, Rússia, Colômbia e Turquia. Mas o que mais chama a atenção é que os juros aqui estão muito, muito altos.


Respondendo a minha pergunta acima, foi pela falta de credibilidade reinante até poucos meses atrás e um total descontrole das contas públicas. Mas nunca se fez tanto em tão pouco tempo, as mediadas já implementadas pelo governo Temer e as que deverão ainda ser feitas neste ano, com destaque para a da Previdência, deveria imprimir uma queda na taxa do CDI muito acima do que se é esperado. Agora imaginem se a inflação ficar comportada em digamos 4% a.a., essas reformas passarem, porque se deveria ter um juro real, superior a 2% a 3% a.a., nos investimentos de curtíssimo prazo? Se isso se materializar teremos uma SELIC entre 6% a 7% a.a. Ah, se a inflação for menor, é mais provável o primeiro juro real que o segundo.

- Ha, ha, ha, só você acredita em Papai Noel!
Está rindo? Me cobra isso daqui a 2 a 3 anos!

No post eua-x-o-resto, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” o que vai acontecer nós vamos observar nos próximos dias. Mas, posso adiantar algumas coisas; se for o primeiro caso, o nosso stoploss deverá ser suficiente para conter uma pequena correção; agora se for o segundo, a queda pode ser maior onde o Ibovespa poderia atingir entre 54.000/51.000” ...

Ainda nada foi definido, porém a configuração dos últimos dias pode indicar um favorecimento a nossa posição. O motivo é a limitada queda – 4,5% - desde que atingiu a máxima de 66.500. Isso ainda é apenas um alento, somente tenho condições de confirmar um novo ciclo de alta acima do nível máximo.


Fica mantida as mesmas orientações mencionadas no post, stoploss a 62.000. Pois, como mencionei antes: ...” quando existem rompimentos de pontos importantes, três situações podem acontecer: a primeira, o mercado não dá bola e segue em frente sem retornar ao ponto de ruptura, um touro, como se diz; a segunda, volta ao redor dá ruptura, e em seguida sobe, o que se chama de last kiss; e por último, tenta romper e não consegue, o que se denomina de false break. No caso atual do Ibovespa, estamos entre o segundo e o terceiro” ... Agora, Let´s the market speak!” ...

O SP500 fechou a 2.294, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1170, com queda de 0,10%; o EURUSD a 1,0691, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.241, com alta de 0,66%.
Fique ligado!

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