Inflação: A Revanche

3 de fevereiro de 2017

O exterminador do Presente


O Trump entrou num bate-boca com o ator Arnold Schwarzenegger, cujo sobrenome eu desafio a quem acertar sua escrita correta sem consultar uma fonte. Acho que até ele deve errar! Hahaha .... Tudo começou quando o Presidente criticou esse ator pela baixa audiência do programa Apprentice ao substitui-lo. Arnold S. retrucou sugerindo uma troca, Trump retornaria ao programa e ele assumiria a Casa Branca, completou dizendo que ..."assim todos os americanos dormiriam tranquilamente"...

Acho que teria uma resposta melhor, porque não sugeriu à Trump que lançasse um filme “O exterminador do presente”, bastando para isso, juntar suas ações atuais no governo!

Hoje vou trazer assuntos diversos, inicialmente agregando as informações de ontem sobre a inflação; o gráfico a seguir ajuda a entender os componentes desse indicador. Os dois índices de inflação mais seguidos são o CPI e o PCE, que diferem um pouco nos pesos de seus subitens. Mas, isso não é importante nesse momento. Se vocês observarem as 3 categorias: serviços, exceto energia e alimentos; produtos, exceto energia e alimentos; e o índice completo. 

É nítido o maior peso da subcategoria serviços exceto energia e alimentos no índice completo.. Isso vale para ambos os índices.


Sabe-se que a ação de política monetária tem influência maior sobre os bens duráveis do que nos serviços que tendem a não sofrer impacto de seus preços com alterações da taxa de juros. Notem que essa categoria teve pouquíssima oscilação nesse período de 12 anos, em que várias crises aconteceram. Poderia dizer que permaneceram a maior parte do tempo acima de 2% a.a. Por outro lado, a categoria dos produtos ficou mais próxima de 0% e, em alguns momentos, flertaram com a deflação.

Supondo que a economia mundial entre num ciclo de estabilização de crescimento e o preço das commodities bem como da mão de obra fiquem mais apertados, se os preços dos produtos atingirem um patamar de 2% a.a., existe a possibilidade de os índices de inflação encostarem nos 3% a.a., o que deveria ser suficiente para o FED elevar os juros mais rapidamente.

Um fator que poderia amenizar esse movimento seria uma elevação no índice de produtividade, porém esse indicador se encontra estagnado há 7 anos. Para mim, esse dado é uma grande incógnita. Como pode não ter aumentado a produtividade com toda a evolução da tecnologia desses últimos anos? Já li vários estudos, mas nenhum deles me convenceu.
 
Está semana foi publicado o PMI do Brasil. O nível ainda não mostra nenhum sinal de recuperação, além de estar na região de contração – abaixo de 50. A Rosenberg está cautelosamente mais otimista e estima que o PIB deverá ser de 1% a.a. Acha baixo? Melhor que um número negativo!
 
Os fluxos para os mercados emergentes também reverteram o sinal, depois das retiradas dos últimos meses de 2016; começam janeiro com o sinal positivo.


Para vocês saberem como nós, do Brasil, situamo-nos em termos de risco em relação aos outros países emergentes, a ilustração mostra que ainda temos que fazer muita lição de casa.

Os dados de emprego nos EUA publicados hoje aparentam ser uma boa notícia, com a criação de 227 mil novos postos de trabalho, superaram a estimativa do mercado de 170 mil. Acontece que alguns detalhes divergem dessa conclusão.



Primeiro, uma revisão nos resultados anteriormente publicados foi reduzida em 39 mil. Depois, e mais importante, os ganhos por hora cresceram um misero 0,1%, além da revisão dos resultados de dezembro que foram expressivos de 0,4% para 0,2%. Tudo isso colocou a taxa anual nos históricos 2% a.a., um nível que se pode considerar baixo.


O que venho escrevendo sobre a pressão nos salários e elevação da inflação, naturalmente não se poderia esperar nenhum impacto nos resultados atuais, mesmo assim, com a recuperação da economia e com o baixo nível de desemprego, já seria de se esperar algo melhor.

Aconselho ao Trump que, além de ameaçar os empresários que quiserem montar suas fábricas no exterior, estenda sua ameaça aos salários. Por exemplo: “Quem não pagar “X” dólares por hora para seus funcionários, vou impor uma taxa de 20% na folha de pagamento”. Para dizer a verdade, essa ameaça é mais eficaz que a das tarifas, entre pagar imposto ou aumentar os salários, qual é melhor? 

-David, está falando sério?
Hahahaha ...

Parece que o mercado de juros de 10 anos americanos também está buscando uma definição. Por um lado, a grande maioria dos economistas acredita que a inflação subirá e que os juros também deveriam seguir o mesmo caminho. Agora, nada catastrófico; algo em torno de 3% a.a. para esses títulos. Os gestores de fundos de renda fixa estão na outra ponta, talvez “acostumados” com um cenário de certa forma letárgico e lembranças dos últimos anos onde, cada vez que os juros subiam, passado um tempo, retornavam em patamares inferiores.

Eu acredito que esse é o mercado mais importante de se acompanhar em 2017. Esse ativo provavelmente comandará os movimentos dos outros. Assim o Mosca ficará de olhos bem abertos.

No post Dow-jones-20k, fiz os seguintes comentários sobre os juros: ...” no gráfico a seguir, existem duas possibilidades no curto prazo: a primeira em azul assinala para uma continuidade; e a segunda em rosa, uma manutenção da mini correção, podendo atingir o nível proposto acima” ...
 
O intervalo destacado no gráfico a seguir (retangulo verde) foi construído levando em consideração as taxas que prevaleceram entre junho e agosto de 2015. Naquele momento, depois desses 3 meses, os juros voltaram a cair. Agora, em dezembro do ano passado, com todo ímpeto pelas declarações do Trump, o mercado buscou passar batido por esse intervalo, mas retrocedeu.

 

Mencionei no post acima, que existem 2 possibilidades para os juros: uma nova mini queda até 2,20%; ou o início de um novo movimento de alta, que ultrapassaria os 2,65%. Por enquanto, não trabalho com a possibilidade que ocorreu em 2015, onde os juros voltariam a cair. Mas, tudo depende do que acontecer daqui em diante. Abaixo de 2% acende a luz amarela e abaixo de 1,80% jogo a toalha e mudo de ponta. A probabilidade de que isso aconteça é baixa, razão pela qual minhas apostas serão no sentido de juros mais altos.


O SP500 fechou a 2.297, com alta de 0,73%; o USDBRL a R$ 3,1174, com queda de 0,20%; o EURUSD a 1,0779, com alta de 0,20%; e o ouro a US$ 1.219, com alta de 0,27%.
Fique ligado!

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