Inflação: A Revanche

1 de fevereiro de 2017

Europa de vento em popa


A reunião do FOMC não trouxe nenhuma alteração da política monetária, nem forneceu pistas sobre o futuro. A reação do mercado foi absolutamente neutra. Mas nada de diferente se poderia esperar, o FED deve ter as mesmas dúvidas que o mercado sobre o Trump.

Alguns dados recentes merecem algum destaque, incialmente podemos perceber a desaceleração da disponibilidade de renda, aliás Trump sabe bem disso. Em contrapartida o crescimento do consumo manteve-se relativamente estável ao redor de 3% a.a.


De algum lugar teve que sair os recursos para compensar o descasamento apontado acima. O gráfico a seguir mostra a poupança em termos de variação anual. Com exceção de uma distorção causada em 2013 na área de impostos, o americano não só não está poupando como passou a consumir poupança existente, pois se tornou negativa.


Sobre o assunto rendimento do trabalho, o gráfico a seguir é impressionante, o topo dos salários – 10 % superiores – vem crescendo consistente acima dos mais baixos – 90% inferiores. Em 2016 representou 5 vezes mais!


Eu venho repetidamente alertando que o ECB está na contramão. Até entendo o dilema do Ex- Super Mário – lembrem o Mosca fez um downgrade do Presidente do ECB - ao ficar dividido entre fazer uma política monetária mirando a Alemanha de um lado ou a Itália de outro – será que tem um viés de sua origem? Hahaha .... Enquanto isso, a inflação vem se acelerando em vários países. Veja a seguir o caso da França.



Mais impressionante ainda é o caso da Espanha cuja inflação recentemente publicada atingiu 3% a.a.


Está bem, ele não pode ficar mirando um país ou outro, mas a média deles, mesmo assim, a inflação para toda a região do euro já está próxima de 2% a.a.

É bem verdade que a maior causa da elevação se deve a alta do petróleo, mas mesmo assim, será que o risco de deflação já não é um fantasma do passado e que daqui em diante o risco passa a ser de inflação mais elevada? Pelo sim, pelo não, parece que juros negativos não fazem o menor sentido e continuar com seus helicópteros, palavra que saiu de moda já algum tempo, injetando mais liquidez no sistema europeu, empurram as taxas de juros para baixo.

No post a-moda-e-tuitar, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” estamos com o seguinte dilema: ou o rompimento foi um false break e o ouro ainda está no seu caminho de baixa, ou esta baixa mais recente foi um “last Kiss” e o movimento de alta estaria em curso. Como saber”? ... ...” Acima de US$ 1.250 aumentam as chances da segunda hipótese e abaixo de US$ 1.160, da primeira. Por enquanto, ficamos de observadores” ...


Se vocês estão esperando um grande insght vou frustrá-los. Aliás, no dia daquela postagem, há 20 dias, o nível do metal estava exatamente o mesmo que o atual - US$ 1.204. Nem o movimento que aconteceu desde então dá boa indicação de direção.

Acima mostro com as flechas verdes o movimento no dia da publicação do post e hoje. Fica valendo as recomendações dadas acima. Como ponto intermediário o nível de US$ 1.220 aumenta um pouquinho as chances de alta, mas nada que me faça sugerir uma compra.

Mas é exatamente isso que acontece no mundo dos investimentos quando se usa análise técnica, diferentemente dos jogos de azar, onde o jogador está sempre com fichas no jogo, na nossa área, uma boa parte do tempo ficamos de espectadores. Sei que é frustrante, quando se tem um “palpite” de alta ou baixa e o mercado vai na nossa direção. Ficamos com a sensação de estar perdendo o barco. Mas a disciplina é fundamental, e embora o posicionamento precipitado funciona em alguns casos, em vários outros não. Assim, mantemos nossa postura de espectador por enquanto.

O SP500 fechou a 2.279, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1285, com queda de 0,70%; o EURUSD a 1,0769, com queda de 0,25%; e o ouro a US$ 1.209, com queda de 0,12%.
Fique ligado!

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