Inflação: A Revanche

14 de fevereiro de 2017

Esqueceram mesmo de mim


Acredito que a grande maioria dos leitores assistiram ao filme Esqueceram de Mim, em suas várias versões. Eu mesmo já referenciei aqui algumas vezes. A história, o próprio nome já diz, se passa com uma família americana com alguns filhos que resolvem passar as férias na Europa e acabam esquecendo um de seus filhos em casa, só percebendo quando chegaram lá.

Vocês notaram que desde que o Presidente Trump assumiu pouco se falou da professora Yellen, bem como do FED. O mandato dela termina no início do próximo ano e já se especula, se seria ou não apontada para um próximo mandato. Eu pessoalmente acredito que não, ela é muito diferente do estilo de Trump.

Mas até lá ainda faltam 12 meses e o FED indicou que iria subir os juros mais 3 vezes esse ano, o que levaria o FED fund rate para 1,5% a.a. Porém, em função dos erros passados, ao indicar alta dos juros que não se materializaram, está perdendo sua credibilidade com o mercado. No início de 2016 o FED antecipava quatro aumentos e acabou só realizando um em dezembro último.

O gráfico a seguir é interessante, espelha a curva de juros implícita da taxa LIBOR em vários momentos: a linha amarela aponta as taxas em 17 de dezembro de 2008 – no olho do furacão; a linha verde em 18 de dezembro de 2013 – quando Bernanke indicou em um discurso que juros começariam a subir; e a amarela em 7 de fevereiro de 2017 – depois de duas altas do FED. É incrível que, depois de passados nove anos da crise financeira, a estrutura da taxa de juros é idêntica. Por esse gráfico o FED deveria concluir que, alguma coisa não está funcionando!

 
O FED indicou em sua última reunião que pretendia aumentar os juros neste ano três vezes, mas o mercado não está comprando essa ideia. O motivo é que, como eu sempre digo “ os economistas trocam de previsão como eu troco de camisa” e com o FED não é diferente. Além disso, a percepção do mercado se deslocou em parte, por acreditar que, Trump vai cumprir muitas de suas promessas feitas durante a campanha sobre o comércio internacional. Assim, o crescimento econômico poderia ficar ameaçado, induzindo o FED a ser mais cauteloso.

O gráfico a seguir, elaborado pelo Deutsche Bank, apresenta a evolução da probabilidade do FED em elevar os juros 3 vezes esse ano. Agora encontra-se em 30%.


Uma estatística pouco publicada é o volume de crédito concedido às pessoas físicas com garantia do governo. No gráfico a seguir mostra o explosivo aumento depois da crise de 2008, sem dar mostras de estabilizar, o que dizer de cair.


A professora Yellen fara nos próximos dois dias um depoimento junto ao Senado. Incialmente publica o relatório sobre política monetária. Depois disso, responderá as questões dos políticos que provavelmente serão focadas na economia, juros, mercado de trabalho e o potencial impacto da política econômica a ser implementada pelo novo governo.

Até o momento, Trump nem citou o nome dela, quanto mais a chamou para uma conversa. Seria politicamente correto que isso já tivesse acontecido, mas com esse Presidente nada é surpresa. Imagino que ela não terá como responder várias das perguntas, pois sabe das intenções de Trump como nós, pelos jornais. Se perguntada sobre seu futuro no FED, ou vai dizer que não é esse o momento de discussão ou anunciara que não pretende continuar. Acho que vai optar pela primeira resposta.

Pelo menos amanhã ela voltará a ser manchete no noticiário, e olhe bem só amanhã, isso se Trump não lançar algum fato para roubar a cena. Diferentemente do filme, onde Kelvin McCallister foi uma grande preocupação da família, Trump não está nem aí para Yellen, esqueceram dela não por acaso, mas de propósito!

Eu venho enfatizando o desenvolvimento dos fundos passivos nos EUA. Um crescimento anualizado de 19,4 % a.a. nos últimos 10 anos, sem a menor tendência de estabilização.


O motivo é simples e racional, o retorno dos fundos de ações que conseguem ter uma performance acima do seu objetivo é extremamente baixo. Esse fato pode ser observado na ilustração a seguir que cobre um período de 20 anos. É verdade que nos primeiros dez existiram alguns anos cujo percentual ficou acima de 50%, porém nos últimos dez anos foram raros. É importante que o leitor saiba que é impossível que 100% dos fundos tenham retornos superior ao indicador. Uma questão acadêmica de mercado eficiente.


O grande problema para os administradores desses fundos é que no passado não existiam os fundos ETF. Apenas alguns fundos, que se denominavam indicias, é que não eram voltados para o público. agora existem milhares. Será que esse segmento de fundos ativos tende a encolher a tal ponto que ficará limitado apenas as gestoras “boutiques”?

No post china-de-volta-ao-radar, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” a configuração dos últimos dias pode indicar um favorecimento a nossa posição. O motivo é a limitada queda – 4,5% - desde que atingiu a máxima de 66.500. Isso ainda é apenas um alento, somente tenho condições de confirmar um novo ciclo de alta acima do nível máximo” ...

O gráfico acima expos a dúvida que eu tinha antes do índice ultrapassar ontem a marca dos 66.000.

- David, então agora o “céu é o limite”? Hahaha ...
Não tem lido meus últimos posts? Quero aproveitar para repetir mais um trecho do post acima ...” quando existem rompimentos de pontos importantes, três situações podem acontecer: a primeira, o mercado não dá bola e segue em frente sem retornar ao ponto de ruptura, um touro, como se diz; a segunda, volta ao redor dá ruptura, e em seguida sobe, o que se chama de last kiss; e por último, tenta romper e não consegue, o que se denomina de false break. No caso atual do Ibovespa, estamos entre o segundo e o terceiro” ....


Os investidores estão muito otimistas, independentemente da economia ainda não apresentar sinais mais fortes de melhora. Com uma expectativa de queda de inflação com consequente queda de juros, pavimenta a possibilidade de alta da bolsa. Nós visamos o compromisso com o bolso, e se está todo mundo do mesmo lado as coisas podem ficar perigosas.

Ao observar meus indicadores, e sem entrar nos detalhes, o resumo é que a bolsa deveria subir, mas são necessárias que algumas condições sejam satisfeitas, a principal é que o índice ultrapasse os 68.000, e que não retorne abaixo de 63.000. Todo esse cuidado é para que não ocorra o que mencionei acima - “False break”.

Em respeitando os limites acima, eu imagino um primeiro objetivo será entre 74.000/77.000, algo como 12% a 14% de alta. Quero resaltar que existem sinais indicando que uma correção deveria ocorrer em breve. Por enquanto, mantemos o rumo e ajusto o stoploss levemente para 63.000.

O SP500 fechou a 2.337 com alta de 0,40%; o USDBRL a R$ 3,0840, com queda de 0,87% e dando início ao trade proposto; o EURUSD a 1,0577, com queda de 0,19%; e o ouro a US$ 1.228, sem variação.
Fique ligado!

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