Inflação: A Revanche

23 de fevereiro de 2017

Devemos acreditar no FED?


Ontem foi o dia dos bancos centrais, aqui no Brasil, o BCB reduziu a taxa SELIC em 0,75% como era amplamente esperado, e nos EUA foi disponibilizado a ata da última reunião do FOMC. Vamos começar pelo mais próximo.

O BCB tem sido muito criticado pela forma como vem reduzindo os juros. Nos últimos 6 meses, a política monetária foi contemplada por várias conquistas, das quais faço uma breve lista:

·         O governo Temer está se saindo melhor que a encomenda, conseguiu aprovar tudo o que queria, além de propor grande parte das mudanças necessárias;
·         O real se apreciou significativamente e encontra-se nas menores cotações dos últimos 2 anos;
·         A inflação retrocedeu de maneira generalizada, embora os alimentos foi o que mais contribuiu;
·         O risco Brasil no exterior se encontra em níveis pré-crise brasileira.


E por que será que a autoridade monetária está tão lenta?  Algo que não é visível para as pessoas comuns é o efeito das taxas de juros espelhadas nos contratos futuros. Por exemplo, um título com vencimento em 2020 pré-fixado é cotado ao redor de 10% a.a. As operações de empréstimo seguem esse parâmetro, assim a queda dos juros já tem efeitos imediatos, mesmo que a taxa SELIC ainda seja superior.

Mesmo assim isso não justifica a dúvida acima, pois a grande parte das dívidas são indexadas ao DI, um derivado da taxa SELIC. Excesso de conservadorismo?

Ao observar o conteúdo do comunicado, o BCB destaca alguns pontos que considera importante para eventualmente acelerar as quedas: Aprovação e implementação das reformas (dá grande ênfase para esse ponto); dependência das estimativas da taxa de juros estrutural da economia brasileira (grande debate sobre esse item); evolução da atividade econômica.

O primeiro item não depende deles e já tem um cronograma esperado, não se deve esperar nada antes de maio, o segundo é uma discussão teórica e demorada, para mim uma “pista” falsa, e o último, espera-se que a atividade econômica comece a recuperar em seguida.


As próximas reuniões serão 12/04 e 31/05. A não ser que a reforma da previdência já tenha passado ou próxima de passar, o que parece improvável, o mais razoável seria supor uma aceleração da queda para a reunião de maio, quando provavelmente esse item já estará resolvido. Uma outra hipótese seria a atividade econômica piorar daqui até abril. Nesse caso, deveria agir prontamente em abril.

O mercado abriu em leve queda hoje, onde se precifica uma probabilidade de 50% em abril e 50% em maio. Conforme anotado na tabela abaixo. Justo!




Já o FED emitiu o sinal mais forte que poderá elevar os juros mais cedo quanto o próximo mês. Na minuta publicada ontem citou a melhora da economia, bem como a possibilidade do aumento de gastos e menor taxação das empresas, indicadas pela equipe de Trump.

Embora o mercado tenha desconsiderado essas mensagens, a linguagem indica que os banco central poderá adotar um caminho mais agressivo no curso deste ano. Eles disseram que, podem elevar os juros “fairly soon”.

Depois dessa reunião vários membros se mostram propensos a uma alta de juros já na próxima reunião, como mencionado algumas dessas opiniões no post de ontem. O diretor do FED, Jerome Powell disse ontem que uma alta dos juros foi colocada na mesa na última reunião, repercutindo sobre o que foi colocado por Neel Kashkari (conforme relatei no post de ontem).

Os mercados continuam achando pouco provável a alta em março, para vocês terem uma ideia, no dia anterior a divulgação da ata, a probablidade estava em 22%, ontem girava ao redor de 18%.  Segundo a Wall Street Journal, sob portas fechadas, os membros estariam preparando os fundamentos para elevar a taxa de juros.

Mas se abstendo da discussão no curto prazo sobre quando e quantas altas serão implementadas, fico pensando como estará o FED daqui há um ano. No período de campanha, diversas vezes o Presidente Trump criticou o FED e sua Presidente, indicando que ela estaria na lista a ser fired. Mas desde que assumiu, não disse uma palavra sobre esse assunto, será que mudou de ideia? Não acredito, parece que não é sua prioridade no momento, está mais voltado a ações que lhe trarão mais benefícios.

Eu considero provável que tanto Yellen, como alguns diretores já não deverão estar no Comitê do FOMC, no próximo ano, e dependendo de quem será escolhido como futuro Presidente alguns outros poderão pedir demissão. Desta forma, não temos a menor ideia de como pensa essa futura equipe, a única pista seriam menções de Trump sobre o assunto onde considerou os juros extremamente baixos. O extremante deve ser considerado com um certo grau de parcimônia, pois Trump adora usar adjetivos fortes em seus discursos.

Com isso em mente, o título do post de hoje tem dupla interpretação: Podemos confiar nas palavras atuais do FED que desta vez vai fazer o que diz? Na próxima reunião, quando forem publicadas as “bolinhas” com as projeções individuais de cada participante sobre o nível dos juros no futuro, é para valer, ou uma nova equipe vai jogá-las no lixo?

No post esqueceram-mesmo-de-mim, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... ao observar meus indicadores, e sem entrar nos detalhes, o resumo é que a bolsa deveria subir, mas são necessárias que algumas condições sejam satisfeitas, a principal é que o índice ultrapasse os 68.000, e que não retorne abaixo de 63.000” .... Desde aquela data, a bolsa vem subindo não com tanto ímpeto, mas continua, embora nos últimos dias resolveu encasquetar ao redor dos 68.000. Acho que não vou mais publicar os níveis crucias, assim o mercado não sabe a previsão do Mosca e paramos de sofrer! Hahaha ...

Hoje fiz uma radiografia mais detalhada desse ativo e não encontrei nada de errado, a única coisa que noto é um certo “cansaço”, essas situações anunciam uma correção mais adiante. Mas também naquele momento, em que escrevi o post, já tinha alertado sobre isso: ...” eu imagino um primeiro objetivo será entre 74.000/77.000, algo como 12% a 14% de alta. Quero ressaltar que existem sinais indicando que uma correção deveria ocorrer em breve. Por enquanto, mantemos o rumo e ajusto o stoploss levemente para 63.000” ...

Não tenho nada a acrescentar sobre os objetivos nem sobre o stoploss, mas quero deixar os leitores preparados para uma correção, e caso aconteça, pode ser uma boa oportunidade para quem não entrou. Um outro ponto que chamou minha atenção, será na dificuldade de o mercado romper o nível de 73.000. Veja os motivos abaixo.


Esse nível é simplesmente é o máximo histórico do Ibovespa, atingido em longínquo maio de 2008 e novamente em novembro de 2010. Se o índice chegar lá se preparem. Outra coisa importantíssima que não pode ser esquecida, é crucial que o Ibovespa passe essa marca, para se almejar novas altas, tais como os objetivos que tracei no final do ano passado no post SP500-céu-azul, denominado de Let´s go, cuja previsão é de 105.000.

Todos sabem que escrevo o post pela manhã, e naquele momento o Ibovespa chegou a subir 1,5%, mas agora de tarde, uma onda de vendas se acelerou e o índice encontra-se nas mínimas com queda de 1,68%. Garanto que não vazou nada deste post a ninguém, mas é incrível a coincidência!

- Opa David, vou comprar então agora, você mesmo disse para aproveitar essas oportunidades.
Amigo, devagar! Não faça nada no momento, aguarde mais informações.

Amanhã não haverá publicação do Mosca, vou viajar cedo para talvez não pegar trânsito, volto na próxima quarta-feira. Bom Carnaval!


O SP500 fechou a 2.363, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,0590, com queda de 0,13%; o EURUSD a 1,0576; e o ouro a US$ 1.249, com alta de 0,89%.
Fique ligado!

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