Inflação: A Revanche

21 de fevereiro de 2017

Deutsche - Euro


Hoje foram publicados os PMI da Europa calculados pela Markit economics. O resultado ficou em 56.0. Essa melhora, vem em linha ao que se observa em outros cantos do mundo. Esse resultado projeta um crescimento agregado do PIB da região em 0,6% no trimestre. Os economistas esperavam um resultado de 54.3. O fluxo de novas ordens e o avanço do otimismo apontam para uma expansão superior nos meses a seguir.


Ao interpretar esse último dado, que coloca a expansão europeia próxima das máximas dos últimos 6 anos, o BCE poderá ter que alterar sua política monetária, que atualmente projeta nova injeção de recursos para os próximos meses. O seu Presidente, Mini Mário, novo apelido dado pelo Mosca haja visto sua demora em reagir as evidências, poderá ficar behind the curve, como se denomina essa situação, quando um determinado banco central demora a reagir.

O relatório elaborado pela Markit aponta que a diferença entre as recuperações da França e Alemanha foram os preços. Enquanto ambas tiveram elevações nos preços das matérias primas, as maiores desde 2011, as empresas francesas não repassaram aos consumidores enquanto as alemãs o fizeram.

Porém nem tudo é um mar de rosas na região. Em abril acontece o primeiro turno das eleições para Presidente na França, e lentamente a candidata de extrema direita, Marie Le Pen, se aproxima dos outros dois candidatos, François Filon e Emmanuel Macron. Os gráficos a seguir dão uma ideia de como essa eleição deverá ser polarizada.





O mercado já se encontra escaldado com os últimos eventos, onde as pesquisas indicavam um resultado e acabou acontecendo ao contrário. O Credit Suisse apresentou uma comparação entre a situação que antecede essa eleição comparadas ao Brexit e a vitória do Trump, indicando que a probabilidade da candidata Le Pen vencer é bem inferior. Mas isso pode mudar, e na minha opinião, essa estatística não traz um conforto de que ela não ganhará.


O mercado está vendendo os títulos do governo Francês. O gráfico a seguir, que calcula a diferença entre esses e os títulos alemães, dão o tom de como o mercado prefere não apostar a favor das pesquisas.



O leitor deve estar se perguntando qual o significado do título: Deutsche – Euro.  Vamos imaginar que a candidata Le Pen assuma a Presidência da França e cumpra seu compromisso de deixar o euro, emitindo uma nova moeda, o franco francês. Acredito que a Itália seguiria no mesmo caminho, induzindo o restante do Club Med a fazer o mesmo. Assim, ficariam no euro a Alemanha e outros países que se encontram numa situação similar.

Nesse caso o que aconteceria com a moeda euro? Subiria muito! Com a saída dos países fracos não teria sentido continuar com a política que o BCE vem adotando de enfraquecer a moeda única. Isso equivale praticamente ao Bundesbank assumir o ECB, e a moeda (euro) equivaler ao deutsche mark. Só não seria igual pelo fato da Holanda, Áustria e algum outro país, decidir permanecer com uma moeda única, que já não seria tão única assim. Para diferenciar do euro original sugiro uma nova denominação: o Deutsche – Euro!

No post inflação-por-toda-parte, decidi liquidar uma posição vendida no euro: ...” mas mesmo assim, não gostei muito da forma como o euro caiu de 1,0828 para a mínima atingida hoje de 1,0520. Não tenho como explicar o significado que quero dar com o “não gostei muito”.... Com o movimento dessa semana, o euro voltou aos níveis que estava antes - 1,0535.

Quando tenho dificuldades de interpretar os movimentos de curto prazo, volto para os gráficos com um horizonte um pouco mais longo.


Como podem notar, em 3 outras ocasiões o mercado buscou romper a barreira criada ao redor de 1,045 – 1,05, e agora se encontra bastante próximo desse nível. Minha tendência imediata seria negar os fatos e buscar uma explicação para minha ação ao eliminar o trade, de certa forma tempestiva, como eu admito acima.

Mas o que importa é responder a seguinte pergunta? Estou perdendo uma oportunidade de lucro? A resposta mais pragmática seria sim, afinal eu ainda acredito que o euro vai pelo menos para a paridade. Porém, tenho que responder a outra pergunta; é um bom risco x retorno? Aqui a resposta não é tão evidente, veja o que anotei no post acima: ...” é uma tentativa sem um alto grau de convicção, principalmente no stoploss, que deveria ser colocado no nível de 1,13” ...


Vou acompanhar mais um pouco antes de me posicionar no euro. Por enquanto continua com a mesma fama de destruidora de lucros dos traders. Mas um dia isso mudará.  Quem sabe, quando os alemães tiverem domínio sobre as decisões da moeda única, a mesma passe a ser mais valorizada.

O SP500 fechou a 2.365, com alta de 0,60%; o USDBRL a R$ 3,0950, com alta de 0,29%; o EURUSD a 1,0536, com queda de 0,73%; e o ouro a US$ 1.235, com queda de 0,24%.
Fique ligado!

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